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No picadeiro das eleições

Confusão na eleição.

Um dia você leu que Brizola estava com Lula, pois ambos condenavam o sistema que FHC conduzia e estava levando o povo à falência. No dia seguinte, Brizola estava apoiando Ciro. Mas Ciro foi Ministro da Fazenda e se vangloriava em ter colaborado na implantação do Real. Até foi estudar (ou receber orientação?) nos EUA há quase sete anos. E se uniu a Collor (nem sabia, coitado) que nos esfaqueou pelas costas.

Em outra oportunidade você observou que Serra e FHC armaram esquema envolvendo a bagatela de R$ 1,3 milhão para derrubar Roseana e retira-la da corrida eleitoral para a presidência. Foi um recado do tipo: “permaneça em seu feudo no Maranhão e deixe Brasília para os ratos grandes”. O pai Sarney ficou uma fera e prometeu que iria revelar dezenas de fatos que somados devem acumular bilhões de Reais pertencentes ao povo e que foram mal gerenciados (ele quis dizer: desviados). Ficamos na expectativa de que a sujeira sob o tapete viria à tona para limpar a dignidade da pátria. Finalmente o dossiê dele seria aberto (já que o de ACM na época das fraudes no painel do Senado não foi). E na semana seguinte, Sarney viajou para uma missão “diplomática” e retornou dócil e calminho como se nada tivesse acontecido.

Então nos lembramos que ACM ao ser ameaçado de perder o mandato de Senador também esbravejou que possuía um dossiê parrudo que derrubaria o poder do planalto com as denúncias que viriam a público. Ele saiu quieto e até agora não vimos suas anotações estampadas na imprensa. Deve estar esperando Bush mostrar as armas químicas de Saddam Hussein. Ou Bin Laden vir à Bahia passar uma temporada em Itapuã.

Há menos de cinco anos, Itamar deu uma de valente mineiro dizendo que não pagaria as dívidas para com o governo federal, pois as mesmas eram absurdas, obscuras e suspeitas. Foi aplaudido por outros Governadores que estavam sendo pressionados. E logo depois lá estava Itamar se abraçando com FHC num jantar com a elite patrocinadora das campanhas eleitorais.

Serra surgiu como candidato do poder central para 2002. Mas colocou como vice a Rita, que regularmente "irrita" FHC pelas suas posturas antagônicas. Com a queda da popularidade de Serra, FHC começou a voltar os olhos para Ciro (na verdade este roteiro da farsa já estava escrito há meses).

E o veemente Luiz Inácio começou a trajar belos ternos para freqüentar as sedes dos magnatas. Passou a usar textos mais moderados em relação aos projetos futuros e baixou a voz. Baixou seu índice também. Baixou a confiança de antigos correligionários.

Garotinho era aliado de Brizola e a seguir foi buscar apoio com a turma dos evangélicos. Melhor seria continuar fazendo merenda no Palácio Guanabara, que abandonou com uma "bomba-relógio" para Benedita.

Os analistas políticos dizem que eles fazem negociações. É quase isto. Seria isto num país onde os candidatos a cargos públicos estão interessados em melhorar o nível social da comunidade, até porque um ser humano lúcido não se sente bem em habitar uma região deprimida sob todos os aspectos. Na verdade estão todos entrelaçados por negociatas escusas montadas anteriormente e que cada um tem alguma atitude desabonadora que não interessa que seja explorada publicamente. Cada um deseja pelo menos manter seu território, coisa que Maluf faz com maestria em São Paulo apesar de todas as falcatruas já denunciadas.

E para culminar, quase chegamos às lágrimas (de pena ou de tanto rir) ao ouvirmos as declarações dos bens dos candidatos à Presidência. Cada um mais pobre do que o outro. Quem tem dois apartamentos, um carro com dois anos de uso ou mais de R$ 30 mil na poupança é magnata. Só faltou dizer que estavam pagando a moradia pelo SFH. Aí já seria deboche demais. Como será que estes pobres senhores com patrimônio tão pequeno conseguem viajar pelo mundo com tanta freqüência, sustentar vários filhos (próprios e adotivos) e usufruem de mordomias de causar inveja aos mais abastados milionários do mundo?

Em resumo: em quem vamos votar se o Enéas abandonou a arena enlameada e Bin Laden está ocupado em infernizar a vida do Bush? Seria melhor colocar logo Elias Maluco ou Fernandinho Beira-mar no comando. No entanto, Marcola, mesmo sem nosso voto já está mandando sem resistência. Já deve ter costurado alianças com a turma da Bolívia e pode até nos fornecer gás mais barato em troca de algumas mordomias nas celas de seus comparsas. Do jeito que vai, o tal poder paralelo assume aqui (oficialmente) ANTES que a FARC na Colômbia, o ETA na Espanha e o IRA na Irlanda.

Enquanto os suprimentos de novelas, Big Brocha Brasil, banheiras do Gugu e reportagens sobre o hexa de futebol estiverem garantidos, o povo pouco estará preocupado com o futuro de seus filhos e netos. Não voltará sua atenção para o picadeiro do pleito, onde cada um de nós é o palhaço que chora para divertir a elite do poder e ainda paga para isto! E os intelectuais de plantão continuarão afirmando (honestamente iludidos) que podemos mudar isto através do voto. Só quando a tv Globo for penalizada pela compra fraudulenta de sua rede em São Paulo através de documentos falsos já noticiados pela Tribuna da Imprensa desde 1999 e cujo processo a todo instante é solicitado para “vistas” pelos advogados do conglomerado.

Mas se você reativou sua memória com estes entrelaçados relembrados e da vida está FULO, não se acanhe: vote NULO.
Haroldo
Enviado por Haroldo em 13/08/2006
Código do texto: T215802
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Sobre o autor
Haroldo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 71 anos
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