Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Pippi Meialonga joga capoeira e prova feijoada no Rio

A menina alegre, de força descomunal e astuta, que mais parece a mistura da boneca Emília com a dentucinha Mônica, personagem querida por crianças de dezenas de países (na Alemanha, ela é conhecida como “Pippi Langstrumpf”), posou recentemente para uma exposição de fotos no Rio de Janeiro, num ensaio do fotógrafo sueco Magnus Vaena.

C. HERRMANN

Foi a mostra “Pippi in Rio” realizada pelo Instituto Cultural Brasil-Suécia que, em janeiro e fevereiro deste ano, sob a curadoria de Rodrigo Accioly, homenageou no Rio a autora escandinava de livros infantis Astrid Lindgren, falecida em janeiro de 2002.

Astrid foi uma mulher que muito contribuiu para a política de seu país, e não foi à toa que se tornou um dos maiores nomes da cultura na Suécia. A prova disso é que também lá, ela foi eleita, em pesquisa popular, a personalidade mais influente do século XX, devido às suas lutas em diversas áreas, do bem-estar dos animais à política tributária. Um artigo seu sobre as altas taxas, publicado em 1976, foi decisivo para a derrota do Partido Social-Democrata, que ocupou o poder durante 40 anos. Ela foi homenageada diversas vezes em vida, a exemplo da medalha Hans Christian Andersen, o maior prêmio da literatura infantil no mundo.

A menina de 9 anos, filha do pirata Efraim Meialonga, herda de seu pai um baú cheio de moedas e, sem dúvida, seu espírito aventureiro. Órfã também de mãe, ela mora sozinha e tem como melhores amigos um cavalo e um macaquinho, batizado por ela de Sr. Neilsson. Pippi, de cabelos cor de fogo e amarrados em duas tranças, é muito independente para sua idade e tem uma força descomunal. Como se não bastasse tudo isso para fazê-la especial, ela também tem uma forma meio grunge de se vestir, usando meias muito compridas, uma de cada cor, sapatos grandes demais para seus pés, e que quase sempre estão desamarrados.

Astrid explica que a idéia da personagem nasceu em 1941 através da sua filha Karin, de 7 anos, que um dia pediu: “Mãe, fale sobre Pippi Meialonga“. Como o nome era estranho, Astrid criou uma personagem estranha. Desde então, Pippi viajou pelos sete mares, encantando e deixando-se encantar pelas novidades do mundo.

O livro Pippi Meialonga foi publicado pela primeira vez em 1946. Em 1944, a autora enviou os manuscritos à imprensa oficial da Suécia, ma.
s recebeu a seguinte resposta: “Esperamos que isto não seja mostrado ao Comitê de Bem-Estar da Criança”. Um ano depois, enviou os textos para um concurso literário anual, promovido por uma editora, obtendo o primeiro lugar e teve seu livro publicado. O livro virou best-seller, e a menina de cabelos vermelhos, a personagem mais famosa da autora, teve suas aventuras traduzidas em mais de 70 línguas. Com Pippi, Astrid levanta questões fundamentais sobre como ver o outro sem discriminação e demonstra que o coração da criança é puro, que o preconceito é transmitido pelos adultos.

“A exposição é uma homenagem a Astrid um ano depois de sua morte. Vai dar a dimensão que a escritora tinha para os suecos”, diz o curador. “Aqui no Brasil ela ainda é menos conhecida do que merecia”.

No Brasil, foi a editora Companhia das Letrinhas, selo infantil da Companhia das Letras, que editou “Pippi Meialonga” e “Pippi a bordo”. O primeiro livro, que apresenta a personagem, vendeu 17 mil exemplares, um bom número para títulos infantis traduzidos no mercado editorial brasileiro.

A modelo infantil Anouk van der Zee, de 11 anos, filha de uma holandesa com um brasileiro, foi quem deu vida a viagem fictícia de Pippi Meialonga pelo Rio. A exposição mostra Pippi/Anouk jogando capoeira na favela, provando feijoada, passeando pelo Pão de Açúcar e contando, sem a menor cerimônia, uma de suas aventuras para a estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, na Praia de Copacabana.

“O que estou adorando em Pippi é que ela se dá bem com todo mundo”, conta a menina, que tem dois anos a mais que a personagem e já está se tornando uma de suas fãs. “Mas o que foi mais legal neste trabalho foi conhecer lugares onde eu nunca tinha ido, como o Vidigal. Adorei subir nas lajes!”, completa fascinada.

Falando em fãs, a popularidade da menina na Suécia é tão grande que ela mereceu um parque temático em Vimmerby, cidade natal da criadora da personagem. As atrações reproduzem os pontos altos dos livros, como a Troublemaker Street e a casa de Kajsa.

Na Alemanha, Pippi também é muito querida e foi lembrada há pouco, no horário nobre do canal de televisão RTL, durante o primeiro episódio da série de programas “Show dos Anos 70”, apresentado por Hape Kerkeling com enorme audiência. Kerkeling recebeu Ingrid Nilsson, a atriz sueca que encarnou a Pippi nos filmes para o cinema e televisão. Sua última atuação em filme na pele da personagem foi em 1970. Dividindo o sofá também com Gunther Jauch e Hella von Sinne, duas figuras famosas na televisão alemã, ela contou com bom humor que até hoje muitas pessoas a confundem com a personagem, e repetiu sorrindo: “Eu não sou a Pippi, certo? Apenas a representei...”

O Fotógrafo – Magnus Vaena, o fotógrafo convidado, nasceu em Estocolmo e veio para o Brasil ainda bebê. Em 1997, retornou para Estocolmo, onde cursou a Escola de Fotografia na Folkuniversitaet e participou da exposição coletiva no Wasahallen. A partir de maio de 1999, trabalhou como fotojornalista em O Globo e no jornal da PUC-Rio. Em 2001, fez fotografias de moda e publicidade, adquirindo maior experiência em produção de retratos. Ao fotografar a modelo infantil Anouk van der Zee, caracterizada como Pippi Meialonga em paisagens cariocas, Magnus Vaena explora simultaneamente aspectos da cultura da Suécia e do Brasil, como pode ser visto na mostra Pippi in Rio.

(AUTORA) C. Herrmann é carioca, estudou Letras na UFRJ e desde 1996 vive na Alemanha, em Hilden. Trabalha pela internet com traduções e webdesign.

--

PIPPI LANGSTRUMPF SPIELT CAPOEIRA UND KOSTET FEIJOADA IN RIO

 Das fröhliche Mädchen, mit der außergewöhnlichen Kraft und Raffinesse, erinnert an eine Mischung aus der Puppe Emilia und Mônica mit den vorspringenden Zähnen (beide aus der brasilianischen Literatur). In Deutschland ist sie bekannt als „Pippi Langstrumpf“. Für ein Foto Essay des schwedischen Fotografen Magnus Vaena hat sie in Rio posiert.


C. HERRMANN

Die Foto-Schau „Pippi in Rio“ wurde von dem Kulturellen Institut Brasilien-Schweden realisiert. Sie fand im Januar und Februar dieses Jahres, unten der Kuratorie von Rodrigo Acciolly, in Rio de Janeiro statt. Ziel war die Ehrung der schwedischen Kinderbuchautorin Astrid Lindgren. Sie starb im Januar-2002

Astrid war eine Frau, die sehr viel zur Politik ihres Landes beigetragen hat. Nicht umsonst gehört ihr Name zu den bedeutendsten der schwedischen Kultur. Bei einer schwedischen Bürgerbefragung wurde sie als einflussreichste Persönlichkeit des 20. Jahrhunderts gewählt. Sie kämpfte auf vielschichtigen Ebenen und Gebieten, zum Beispiel für den Tierschutz aber auch die Steuerpolitik. Ihr Artikel über die Hochsteuer, veröffentlicht in 1976, war entscheidend für die Niederlage der Sozial-Demokratischen Partei, welche seit 40 Jahren an der Macht war. Mehrmals in ihrem Leben wurde sie geehrt. Beispielsweise bekam sie die „Hans Christian Andersen Medaille“, den bemerkenswertesten Preis der Kinderliteratur der ganzen Welt.

Das 9 jährige Mädchen Pipi Langstrumpf, Tochter des Piraten Efraim Langstrumpf, erbt von ihrem Vater einen Schatz voller Münzen und auch, zweifellos, seine abenteuerliche Seele. Als Waise, auch ihre Mutter ist tot, lebt sie allein. Ihre besten Freunde sind ein Pferd und ein kleiner Affe, den sie Herrn Nilsson nennt. Pippi hat ihr feuerfarbiges Haar in 2 feste Zöpfe geflochten. Sie ist für ihr Alter sehr selbständig und besitzt außerordentliche Kraft. Als ob das nicht genug wäre um „anders“ zu sein, hat sie auch eine extravagante Art sich zu kleiden. Sie trägt lange Strümpfe, aber nie beide in der gleichen Farbe und viel zu große Schuhe, die sie fast nie festgebunden hat. Astrid erklärte, dass die Idee der Rolle 1941 geboren wurde. Damals bat ihre siebenjährige Tochter Karin eines Tages: „Bitte erzähl mir von Pippi Langstrumpf“. Sie fand, dass es sich bei diesem Namen um ein sehr ungewöhnliches Mädchen handeln müsse. Und so wurde es auch ein ungewöhnliches Mädchen in der Geschichte.

Das Buch „Pippi Langstrumpf“ wurde 1946 zum ersten Mal veröffentlicht. Im Jahre 1944 hatte die Autorin das Manuskript an die Schwedische Offizielle Presse geschickt, aber sie bekam die folgende Antwort: „Wir hoffen, dass dies nicht dem Jugendamt gezeigt wird“. Ein Jahr später, schickte sie es zu einem jährlichen literarischen Wettbewerb eines Verlages, erreichte den ersten Platz und konnte ihr Buch veröffentlichen. Das Buch wurde ein Bestseller und die Abenteuer des rothaarigen Mädchens, die bekannteste Rolle der Autorin, wurden dann in mehr als 70 Sprachen übersetzt. Astrid zeigt mit der Figur Pippi, wie man ohne Diskriminierung mit dem „Anderen“ umgehen kann. Und sie zeigt, dass das Herz des Kindes rein ist, und die Vorurteile erst von den Erwachsenen übertragen werden.

— Die Ausstellung ist eine Ehrung für sie ein Jahr nach ihrem Tot und soll zeigen, wie wichtig sie für das schwedische Volk war — sagt der Kurator. — Hier in Brasilien sie ist noch nicht so bekannt wie sie es verdient hätte.

In Brasilien hat der Verlag „Companhia das Letrinhas”, die Jungabteilung von „Companhia das Letras“, die Bücher „Pippi Langstrumpf“ und „Pippi geht von Bord“ veröffentlicht. Vom ersten Buch wurden 17-tausend Exemplare verkauft. Dies ist keine schlechte Verkaufszahl für einen übersetzten Jugendbuchtitel auf dem brasilianischen Verlagsmarkt.

Das jugendliche Modell Anouk van der Zee, 11 Jahre, Tochter einer Holländerin und eines Brasilianers, hat die imaginäre Reise von Pippi Langstrumpf in Rio verkörpert. Die Ausstellung zeigt Pippi/Anouk, wie sie Capoeira in der Favela spielt, Feijoada kostet, auf dem Zuckerhut bummelt und unverschämt eines ihrer Abenteuer der Statue des Poeten Carlos Drummond de Andrade erzählt – und natürlich am Copacabana Strand.

—„Was ich am schönsten an Pippi finde, ist, dass sie sich mit allen Leuten gut versteht“— sagt das Mädchen, die mit ihren 11 Jahren 2 Jahre älter ist als Pippi in der Geschichte. Und mit ihr hat Pippi auch schon einen neuen Fan — „Allerdings gefiel mir bei dieser Arbeit am Besten, dass ich Orte besuchen konnte, wo ich vorher noch nie war, wie zum Beispiel den Vidigal. Es war toll die Treppen zu steigen!“

Und noch etwas zum Thema Fans: In Schweden ist die Popularität des Mädchens so groß, dass in Vimmerby, Heimatstadt der Autorin, ein Freizeit- und Vergnügungspark gebaut wurde. Die Attraktionen reproduzieren die Höhepunkte der Bücher, wie zum Beispiel die Troublemaker Street und das Haus von Kajsa.

Auch in Deutschland ist sie sehr beliebt. Vor kurzem wurde mit Liebe an sie erinnert. An einem Samstag Abend in der Hauptsendezeit, in der ersten Folge der Sendung „Die 70er Show“, moderiert von Hape Kerkeling bei RTL, einem Kanal mit hohen Einschaltquoten. Kerkeling empfing Ingrid Nilsson, die schwedische Schauspielerin, die Pippi in den Filmen fürs Kino und TV gespielt hat. Ihr letzter Auftritt in einem Film dieser Rolle war in 1970. Sie teilte sich das Sofa mit den TV-Prominenten Gunther Jauch und Hella von Sinnen. Mit viel Humor erzählte sie, dass bis heute viele Leute sie mit ihrer Rolle verwechseln. Und dann wiederholte sie mit einem strahlenden Lächeln: „Ich bin nicht die Pippi, ok? Ich habe nur eine Rolle gespielt“.

Der Fotograf - Magnus Vaena, der eingeladene Fotograf, wurde in Stockholm geboren und kam schon als Baby nach Brasilien. Im Jahre 1997 ging er wieder nach Stockholm, besuchte die Volksuniversität mit der Fachrichtung Fotographie und war Teilnehmer an der Gemeinschaftsausstellung in den Wasahallen. Ab Mai 1999, arbeitete er als Fotojournalist für „O Globo“ und PUC-Rio´s Zeitung. In 2001 hat er für Mode und Publicity fotografiert und dabei große Erfahrungen für Fotoproduktionen gewinnen können. Bei den Foto-Sitzungen mit dem jungen Modell Anouk van der Zee, als Pippi Langstrumpf mit den Landschaften Rios als Hintergrund, bearbeitete Magnus Vaena beide Aspekte – den der schwedischen Kultur und den der brasilianischen Kultur, wie man in der „Pippi in Rio“ Ausstellung sehen kann.

(AUTHORIN) C. Herrmann, geboren in Rio de Janeiro, hat Portugiesisch - Philologie und Literaturwissenschaft studiert. Seit 1996 lebt sie in Hilden, Deutschland, und bietet ihre Dienste im Internet als Übersetzerin und Webdesigner.


----
Artigo publicado, em português e alemão, no Brazine de Berlin (magazine cultural brasileiro, impresso e eletrônico), em 2003.
Chris Herrmann
Enviado por Chris Herrmann em 20/08/2006
Reeditado em 20/08/2006
Código do texto: T220792
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Chris Herrmann
Alemanha
76 textos (6450 leituras)
1 áudios (560 audições)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 14:06)
Chris Herrmann