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REFLEXÃO SOBRE AS FORMAS DE AVALIAÇÃO ESCOLAR

Este texto não é uma crítica e nem julgamento se o que vou expor está certo ou errado. É apenas uma reflexão sobre a forma de avaliar o rendimento escolar dos alunos.
* Agradeço aos educadores que lerem este texto, se ao final puderem postar suas opiniões.


Nesta semana me deparei com uma situação que me deixou a pensar não somente sobre o rumo da educação escolar de nossas crianças, mas também, quanto a orientação para vida que damos aos nossos filhos.
Devido ao meu conhecimento da língua inglesa (nível avançado, mas não fluente ainda), uma pessoa de minha família pediu que eu ajudasse seu filho com um reforço escolar, pois o menino tirou uma nota muito baixa no primeiro teste do ano: 2,8.
Estranhei o fato, pois o garoto em questão sempre foi ÓTIMO aluno, com notas sempre acima de 8,5 em TODAS as matérias. Sempre estudou em escolas particulares, é aluno dedicado e com facilidade de aprendizado. A mãe do menino também estranhou o resultado do teste, e comentou que o próprio menino, de apenas 10 anos, ficou revoltado com sua nota, uma vez que havia estudado e se dedicado – como sempre fez. Contou ainda que o garoto chorou muito ao ver sua nota, ficou frustrado e sem compreender o que havia acontecido.
Outro fato importante: o menino ingressou este ano na quinta série, e mudou de colégio. O colégio anterior que estudou até a quarta série é muito bom, mas o atual colégio onde ele ingressou agora, tem como foco preparar seus alunos para o vestibular. Diferente de outros colégios que fazem esta preparação apenas no “Terceirão”, este colégio que ele acaba de ingressar traz este preparo desde a quinta série.

Antes de iniciar o reforço, pedi para ver o livro de inglês que o menino está utilizando, pois queria me certificar do conteúdo e preparar minha aula. Para minha alegria, além do livro a mãe também me passou a prova do menino. E foi então que entendi o porquê da nota tão baixa...
Para explicar o que aconteceu, vou usar como exemplo apenas a primeira questão da prova. Esta questão valia 2,0 pontos. Havia um texto em inglês sobre uma família, e na seqüência frases, onde a criança deveria responder “Yes” ou “No”, de acordo com o texto.
Ex.: (    ) Kate is the mother.(Kate é a mãe).
Resposta correta – (No). Porque conforme o texto, Kate é a filha.
Das cinco frases expostas, o garoto acertou quatro (incluindo o exemplo dado acima). Sendo assim, tendo acertado quatro das cinco perguntas, supomos que ele garantiu 1,6 pontos.
Certo? Não!
Pois logo abaixo, imitando questões de vestibular, ele deveria assinalar a letra que apresentasse a seqüência correta das respostas.
A alternativa correta era a letra “e” – No, No, Yes, Yes, Yes.
Porém, como ele havia errado uma das frases, acabou escolhendo a seqüência errada, de tal forma que em vez de garantir seus 1,6 pontos; ele acabou por ZERAR a questão.
E esta situação se repetiu ao longo da prova, com outras questões de gramática. Revendo a prova, constatei que ele entendia perfeitamente o conteúdo, mas um único erro, fazia ele zerar toda a questão; o que acabou por justificar sua nota final tão baixa: 2,8.
É aqui o ponto que eu gostaria de enfatizar para reflexão: o menino assimilou o conteúdo trabalhado em sala de aula, teve vários acertos ao longo da prova, mas devido ao FORMATO da prova – devido à forma de avaliação imitando vestibular – ele teve várias questões zeradas, de modo a tirar pela primeira vez em sua vida, uma nota baixa. Isso o deixou frustrado com seu próprio desempenho, sem entender o que havia acontecido, uma vez que é aluno esforçado, disciplinado e com facilidade de aprendizado – o que já citei acima, mas acho importante repetir.
Outro ponto importante: o conteúdo trabalhado em sala de aula através do livro adotado, NÃO traz questões neste formato. De tal maneira, que o formato de avaliação da prova foi uma surpresa para o garoto, que nem sabia direito como responder ao final assinalando a alternativa com a seqüência correta.

Em minha aula de reforço, fiz com o menino uma revisão de toda a prova e do conteúdo trabalhado no livro ao longo do bimestre. Ao final de minha aula, fiz exercícios com o garoto e ele acertou TODAS as questões que coloquei – tanto questões gramaticais, quanto questões de interpretação de texto.
Então, além de revisar o conteúdo, tive também um outro papel muito importante: explicar ao menino e à sua mãe o porquê da nota baixa, enfatizando que o menino tem conhecimentos e teve ótimo aproveitamento ao longo do bimestre, e que a nota baixa NÃO REFLETE seu desempenho. Isto foi muito importante porque devolveu a auto-estima ao garoto. E só então eles entenderam o porquê da nota baixa...

Questões que deixo aqui para reflexão:
1 - Devemos preparar nossos filhos desde cedo para o vestibular e outros processos seletivos, mesmo que isso signifique dar mais atenção às notas e não ao real aprendizado?
2 – Devemos mesmo buscar este preparo para nossos filhos, mesmo que isso gere pressão demais sobre a criança, e até mesmo frustração ao não alcançar a “nota”? Como fica a formação psicológica de nossas crianças?
3 – Por outro lado, se nos preocuparmos com o lado psicológico e tentando evitar situações frustrantes como esta apresentada, decidirmos por não colocar nossos filhos em colégios “tão bons assim”; será que não estaremos comprometendo e até mesmo prejudicando seu desempenho futuro num momento importante como o ingresso à uma Universidade?

* Como mãe, que também sou, coloco aqui estas questões para reflexão e agradeço a todos que postarem pela contribuição e paciência de ler.
Lady J
Enviado por Lady J em 22/04/2010
Código do texto: T2212375

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Sobre a autora
Lady J
Curitiba - Paraná - Brasil, 34 anos
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