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Falar e Escrever Errado

Certa vez o cantor, ator e compositor Adoniran Barbosa disse que “...é difícil falar errado!”. Obviamente, isso não é uma afirmação cem por cento correta; no entanto ele se referia aos artistas que o imitam  muito mal, pois não têm conhecimento de causa.
Não é raro ouvirmos pessoas que adquiriram hábitos e vícios de linguagem e que, após certo tempo de uso, soam-lhes tão comuns que acreditam estar falando corretamente.
Não se pode, no entanto, confundir tais hábitos e vícios na expressão da língua com as obras de expressão popular, como na literatura, por exemplo. Nós, que nos dedicamos a arte da escrita, temos a “Licença Poética”, espécie de Anistia Providencial, que nos permite cometer alguns erros de concordância e uma ou outra grafia errada.
Já recebi mensagens de leitores, nos sites onde escrevo, me censurando por escrever errado (sou autor de textos em caipirês – e até de um dicionário semi-inédito a respeito; além de alguns textos escritos em gauchês – expressões campeiras); alguns leitores, que nunca tiveram contato com esta modalidade de comunicação,  também tentam imitar a escrita de meus textos; isso me emociona e ao mesmo tempo me deixa condoído; aí eu concordo com o Adoniram Barbosa: é preciso saber escrever errado, tanto quanto saber escrever certo.

XENOFILIA
Os operadores de telemarketing, e dos “Serviços de Atendimento aos Clientes” (SAC), comumente cometem erros sistemáticos de linguagem: “.... eu vou estar repassando sua reclamação ao nosso gerente...”,  dizem eles! Ora, ninguém “pode estar repassando” algo ou alguma coisa que sequer foi passado. O gerúndio (sufixo "ando") sugere o verbo com movimento e tempo real. Quando alguém diz que o “José está jogando futebol”, de imediato associamos que a afirmação nos garante que o “José está jogando futebol (movimento) naquele exato momento (tempo)”! Obviamente o operador não poderia repassar a reclamação naquele momento, pois naquele momento ele estava respondendo ao cliente; se não repassou não houve movimento, se não houve movimento não foi despendido nem determinado o tempo para tal evento.
Essa maneira de “falar Português” provem, ao que se denota, de um processo que se chama “xenofilia”, onde muitos têm simpatia por coisas estrangeiras: o “I will be doing...” passa a ter um culto que permite que sua tradução se sobreponha ao idioma mais lindo do mundo: o idioma Português.

ERROS
1. Há também aquelas pessoas que quando se comunicam com alguém, seja pessoalmente ou por telefone. Quando terminam o diálogo e o interlocutor agradece, este recebe de volta um sonoro “obrigado(a) eu”! Em verdade, deveriam dizer apenas “eu que agradeço”!
2. O uso de antônimos também deve ser usado adequadamente. É usual, até em pessoas de boa escolaridade, confundir tanto na escrita quanto no falar, quais os antônimos dos adjetivos “BEM” e “BOM”. O antônimo de “BEM” é “MAL”; já o antônimo de “BOM’ é “MAU”.

USO DO “X”
O uso da letra “X” tem trazido, através dos tempos, um sem número de confusões quando da leitura. A letra “x”, quanto à leitura, tem cinco “sons” (ou fonemas). São eles: o QÇ; S; Z; CH e C; usados por exemplo pelas seguintes palavras, respectivamente: crucifixo; texto; exemplo; xará; trouxe. Muita leitura pode ajudar a saber    qual o “som” que tem o “x” numa determinada situação. Recentemente vi um “out door” na Estrada do Campo Limpo, onde trocaram “excursão” por “escurção”. Se o leitor ficar atento, por certo verá um bom número de erros como este, em seus bairros ou cidades. Em lanchonetes, é comum vermos também alusão ao “mixto quente”; embora, efetivamente,  façam apenas misto quente.

CRASE, DOIS PONTOS, VÍRGULAS,...
Deve-se usar a crase somente quando a palavra seguinte é do gênero feminino. Após dois pontos sempre deve ser usada letra minúscula. As vírgulas devem ser usadas para separar uma oração, seja ela adverbial ou não, que contenha uma idéia inteira.; o aposto deve ser usado para explicarmos ao leitor o sentido de uma tal oração.
O “QUÊ” merece um estudo em separado.
Como se vê, quanto mais aprendemos, mais sabemos da nossa ignorância. Devemos ainda procurar entender o “Tratado da Nova Ortografia de Português”, à qual devemos ir assumindo e obedecendo, ainda que em doses homeopáticas.

COMENTÁRIO FINAL
 Ler muito e sem preconceito é um bom exercício. Quem se pretende ser escritor, ainda que AMADOR, deve procurar escrever melhor, sempre; além de ler muito mais que os outros. Os gêneros devem ir de autores parnasianistas (Olavo Bilac, príncipe), aos mais populares, como pelos poetas Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida (príncipe, também), Menotti Del Pichia, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Lygia Fagundes Teles, Paulo Leminski, Dalton Trevisan, Érico Veríssimo, Patativa do Assaré, Euclides da Cunha, Cornélio Pires, Cora Coralina, Câmara Cascudo, Ado Benatti e etc. Não esquecer também dos escritores portugueses, tais como Camões, Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Cecília Meireles, Camilo Castelo Branco, Bocage, Gil Vicente, Aluízio de Azevedo, Anthero de Quental, Saramago, etc; só para citar alguns. Devem ainda incluir autores concretistas, como Arnaldo Antunes, ou autores de vanguarda, como o Sérgio Vaz; entre tantos outros.
A lista, felizmente, é enorme. Eles nos ensinam o significado de “brasilidade” e da “lusofonia”, que versejam e contam coisas através da “Última Flor do Lácio”!


ACAS
Enviado por ACAS em 03/05/2010
Reeditado em 12/05/2010
Código do texto: T2234717
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
ACAS
Taboão da Serra - São Paulo - Brasil
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