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NERIS FIRIGOLOS: ELES EXISTEM.



"Caminhando e cantando e seguindo a canção (...) A certeza na mente, a história na mão..."
Vandré

Roberto Pompeu de Toledo, na Veja de  16 de agosto, escreve: “caso extremo de contaminação de uma casa legislativa é o de Rondônia . Vinte e três dos 24 deputados da Assembléia local estão implicados nas falcatruas descobertas pela  Operação Dominó da Polícia Federal, além de autoridades do executivo, do Judiciário e do Ministério Público.
É um espanto. Mas espanto maior é ter sobrado um, entre os 24 — um solitário baluarte da honestidade. Dá para imaginar os colegas aos cochichos, nas costas dele, para que não ouvisse suas negociações. Ou interrompendo as conversas quando ele irrompia no recinto. E ele firme, uma ilha no mar de lama. Provavelmente o chamavam de babaquara. E comentavam,  com desdém: “Ele pensa que é Jesus Cristo”. Néri Firigolo é o seu nome. Um deputado que não roubou, numa Assembléia em que todos os outros roubavam. E isso no Brasil !  Um assombro “.
Penso que nós, eleitores, diante dessa triste realidade nacional, e com o poder de decidir em nossas mãos,  temos que, no mínimo, votar para deputado em quem nunca foi deputado, votar para senador em quem nunca foi senador, votar para governador em quem nunca foi governador e votar para presidente em quem nunca foi presidente: essa é a hora de renovar.
Se não temos muitos novos nomes, temos que fazer, na pior das hipóteses, um rodízio com  os nomes de políticos disponíveis, e que tenham demonstrado alto nível de preocupação, em suas atividades políticas  passadas,  com os aspectos mais importantes da vida nacional : educação, saúde, cultura, moradia, segurança, emprego.
Tenho ouvido de eleitores que não votarão em quem não conhecem, desiludidos com os candidatos que elegeram em eleições passadas. Mas quem conhece quem, se , sabidamente, nem a nós nos conhecemos ?
Outros eleitores dizem que não votarão em ninguém, mas não percebem que , não votando, estarão delegando a outros eleitores, possivelmente menos conscientes, o poder de escolherem aqueles que terão nas mãos os destinos de nossas vidas nos próximos quatro anos: e isso é muito sério e perigoso.
Outros, ainda, querem trocar o voto por um favor particular, desconhecendo que não é mais tempo de se pensar somente na felicidade pessoal, não entendem que seu voto deve ser dado a quem tiver condições de criar e votar leis que tenham cunho geral e não particular, a quem saiba criar e manter laços de comunicação úteis ao povo, não entendem que perpetuar o toma-lá-dá-cá   é corroborar com a atitude dos sanguessugas, é estar de acordo com os mensalões da vida, é estar reproduzindo tudo aquilo que criticam nos políticos que acusam de corruptos, é dar razão a quem acha que o problema do país é a falta de matéria-prima, como, recentemente,  escreveu  João Ubaldo Ribeiro em matéria sob título :  “Precisa-se  de matéria prima para construir um país“  .
Penso que existe matéria-prima de sobra, tendo em vista que dos 594 congressistas, 510 não estão envolvidos nesses escândalos recentes, e mais um tanto de honestos, parte dos atuais candidatos, estão deixando de lado o conforto de suas atividades e estão se propondo a dedicar  seu tempo disponível para mudar para melhor nossa realidade.
Votar é preciso, é preciso colocar no Poder Legislativo mais alguns  Neris Firigolos, com a certeza, na mente,  de que  temos a História na mão.
Não podemos desistir.


             ANTÔNIO CARLOS TÓRTORO
      EX-PRESIDENTE DA ACADEMIA RIBEIRÃOPRETANA DE EDUCAÇÃO


Tórtoro
Enviado por Tórtoro em 23/08/2006
Código do texto: T223702
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Sobre o autor
Tórtoro
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 67 anos
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