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Sapo

Sentia-me feliz de participar do “V Seminário de Responsabilidade Social – Componente do Modelo Sustentável Brasileiro”. Tecnicamente, a Fundação Getúlio Vargas, a mim não surpreende mais, pois já me acostumei com o profissionalismo e seriedade com que realiza seus inesquecíveis eventos.

Eu disse que a FGV não surpreende tecnicamente. Como todavia, a instituição mantém acesa a fome pela excelência, na hora do debate, acabou mesmo surpreendendo, com uma participação do mais alto nível por parte da platéia. O modo como tudo foi conduzido pela coordenação, fez do evento algo brilhante. Ninguém ousava deixar o recinto, sequer para ir ao toalete. Seus participantes demonstraram tanto carinho pelo Brasil, deixando-me honrado de ter recebido o convite e ter compartilhado da taça do conhecimento de importantes patriotas.

Ainda refletindo sobre o que absorvi no Seminário, pensava em um dos palestrantes, o Dr. Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos. Aliás quando ele começou a falar, disse de seu desejo de provocar uma reflexão. Discorreu sobre o Brasil, a Escandinávia e o Primeiro Mundo, abordando Responsabilidade Social, Ambiência e Humanidade.

Os países onde existem o maior IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, já foram o símbolo da pobreza e escassez da Europa. A solução para serem as melhores nações do mundo para se viver, está constituída na organização das empresas.

Embora o mundo atual aparente ser dirigido por reis e presidentes, a governabilidade somente é possível através do diálogo com as empresas. Estas, utilizando-se da mídia, exercem profundas influências sobre a vida do povo.

Os empresários modernos estão atualmente acrescentando além do lucro que toda organização precisa ter, um componente sem o qual nenhuma firma ética existirá em um futuro não muito distante: Responsabilidade Social.

--Sapo, venha ao quadro e escreva o nome dos planetas, disse a professora ao aluno Pantomimo, que aceitou na boa o apelido do coaxador.

Para fazer graça com os colegas de classe, Pantomimo escreveu:

“Sa-pur-no”
“U-rã-no”
Netuno
Plutão

Estava querendo fazer um marketing pessoal, forçando os próprios nomes dos astros a lembrar sua alcunha.

Pantomimo saiu do exército, sem nenhuma esperança de conseguir emprego, uma vez que seu interesse era trabalhar fazendo teatro de marionete. Tinha consciência que no Brasil não havia mercado para essa atividade.

Um amigo seu, Jonas, foi servir à Marinha, tendo viajado por muitos países. Seu navio havia chegado e ele convidara o pessoal do colégio para seu aniversário.
-- Sapo. A situação para você é como se diz na minha unidade: Cisne Branco. Quer dizer que o mar está calmo e a maré pra peixe.

-- Vou virar príncipe, é?

-- Vai. Acabo de chegar da Finlândia. O povo de lá é louco por marionete e não vi ninguém com o seu talento. Inclusive o que mais tem lá são aquelas princesas de cabelo de ouro que você sempre fala. Recebi um soldo bom, dessa última viagem que acabo de fazer e vou lhe emprestar o dinheiro da passagem.

-- Toma o curso de finlandês que comprei. Estude muito. Você será obrigado a falar fluentemente essa língua se quiser agarrar a única oportunidade de deixar o brejo, restando apenas saudade da vaca.

-- Sapo, disse a Pantomimo, uma jovem na bela língua finlandesa.

-- Obrigado, por tanta bondade!

-- Está louco, exclamou a garota! Como pode agradecer ser chamado por esse nome?

-- Completamente louco. Há anos que espero ser beijado por uma princesa para me transformar em um príncipe. Nunca vi ninguém melhor indicada do que você. É demasiado bonita!

A empresa de teatro ia bem demais. Estava entre quatro principais da Finlândia. Todos os empreendimentos desse país estão por inteiro envolvidos com a Responsabilidade Social. Sonhar é a única coisa que não paga imposto nesta nação. E olha que a terra é verdadeiramente um sonho.

Quando Pantomimo era garoto, tinha dois sonhos:
Montar um teatro de marionete;
Casar com uma moça que tivesse os cabelos de ouro!

Quando chegava o inverno, gostava porque ficava mais tempo em casa junto de sua linda finlandesa.

Naquela noite a lua em Helsinque brilhava como um ouro, capaz de deixar qualquer pessoa extasiada.

Segurava a mão de sua doce esposa enquanto passeava. O casal parou para olhar a beleza da lua. O cabelo da jovem sob o luar brilhava ainda mais. Esta depois de um inebriante beijo olhou para o seu muito amado Pantomimo, pronunciando a palavra que desde que o conhecera era dita com repleta ternura:
--Sapo!
Gilberto Landim
Enviado por Gilberto Landim em 24/08/2006
Código do texto: T224317
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Sobre o autor
Gilberto Landim
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 68 anos
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Gilberto Landim