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Ladainhas Eternas

É mais uma vez época de eleição. O Brasil inteiro fica um bom tempo de saco cheio de propagandas ridículas que ilustram o nosso nobre país (?) como um lugar paradisíaco. É lindo ver os programas habitacionais repletos de gente sorridente, é lindo ouvir aquela conversa fiada de economistas bundões que na verdade mal sabem o que estão falando. E principalmente, é lindo ver quando um político fajuto desses se fode caindo de um palanque mal estruturado, porque a verba que estava destinada à compra de madeira de lei foi sutilmente “surrupiada” pela administração local, e em seu lugar foram colocados cabos de vassoura. Entretanto a eleição é uma ótima possibilidade de analisarmos o que se passa na cabeça do povo desse “democrático” estado brasileiro. Toda vez que um camarada desses chega numa comunidade qualquer (inclusive a minha) é visível o alvoroço em torno do cidadão. Muita gente, muitos sonhos, muitas promessas, muitos pedidos... É como se o individuo tivesse sido tocado por Deus e a partir daí pudesse mudar a pobre e simples vida de um rapaz, lançando-lhe energias que o farão tocar os tapetes persas dos gabinetes de negócios sujos e picaretagem explicita. Nada contra os vendidos (que são muitos nesse país). Creio eu, que o Capitalismo venceu e que pode não comprar minha alma, mas a de outrem... Hum... Tenho minhas dúvidas.

Cada povo certamente tem o governante que merece. Afinal, 500 anos de descaração e roubalheira generalizada não ensinaram a esse mesmo povo a fazer o que qualquer outro povo que se respeite faria: Extinguir esses picaretas do cenário político. Para você leitor entender melhor onde quero chegar (Calma! Isso aqui não é o Código da Vinci!) vou estabelecer um raciocínio básico. Modestamente, conheço um pouco a realidade do interior e um pouco mais da Capital. Meus ouvidos já não agüentam mais as lamurias (inclusive as minhas) de uma cacetada de jovens desempregados tanto quanto meus olhos não agüentam mais ver a cara de uma vizinha asquerosa que tem aqui. Porém caro leitor, o interessante nisso tudo é que as mesmas pessoas que reclamam que o país é uma merda, que a saúde não atende bem, que a educação é falida e que não tem emprego são as mesmas pessoas que são paradas no trânsito e oferecem “um extra” ao policial. São as mesmas pessoas que jogam lixo em vias públicas e que preferem mil vezes ficar resenhando sobre sacanagem do que tocar num “temível” e “asqueroso” livro.

Eu sinceramente não acho que o povo é estúpido como pensam a maioria dos governantes desse país. Está certo que nossa sociedade civil é um fracasso em comparação as européias. Mas não acho que o povo realmente seja estúpido. Nós, povo, nós temos inteligência, temos futebol, temos samba, temos mulatas com o biquíni socado no rabo, temos natureza, temos políticos desonestos e honestos. O grande problema é que nós também temos “ingenuidade”. Assim, nós não somos burros e sim trouxas. Eis a verdade. Caímos mais uma vez no conto da esperança. Tudo bem. Já estamos caminhando para as horas decisivas mesmo e o fim de mais essa mazela democrática está próximo. A França passou por uma fantástica batalha interna (Revolução Francesa) para se tornar um país digno, uma nação que traz na alma as palavras gritadas durante as batalhas: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A Alemanha foi reduzida a pó e conseguiu uma reestruturação maravilhosa. É também uma nação para o povo alemão. A China encontrou numa Ditadura Comunista a solução para se desenvolver e tornar-se uma nação próspera e respeitada. Os Estados Unidos da América passaram por uma guerra civil feroz para enfim estabelecer-se como uma superpotência. O Brasil? O que esperar de um país de anões, sanguessugas, mensaleiros, fraudadores, assassinos, estupradores e ladrões? O que esperar de um povo desunido? Talvez nada. Talvez seja realmente melhor não esperar nada nessas eleições. Mas está tudo bem. O Carnaval vai chegar e lá vamos nós tomar porres homéricos e botar a bund...quer dizer, o bloco na rua.
Luís Gusmão
Enviado por Luís Gusmão em 25/08/2006
Código do texto: T225357

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Sobre o autor
Luís Gusmão
Salvador - Bahia - Brasil, 33 anos
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Luís Gusmão