Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Cova rasa

Que a cova seja digna.

   Praticamente não há mais o que se fazer em relação à provável fraude montada para as eleições. Mesmo um grupo coeso não terá meios de impugnar o processo. Ainda mais que o órgão (TSE) que define as regras do evento é quem julga as interpelações daqueles que sentem-se prejudicados por alguma conduta falha dentro do processo! O cenário será mantido em estado de espera até que o fato esteja consumado e os jornais anunciem que a “democracia”(?) deu mais um passo à frente (rumo ao abismo?). Somente um milagre que pudesse detonar simultaneamente os explosivos contidos dentro de nossa indignação com esta caminhada em direção à moradia final poderia estancar o sangue que escorre de nossa dignidade pisoteada. O caixão é o Brasil. O cadáver é a nossa sociedade. E se Jesus tiver de voltar, não será aqui. Estão precisando dele com urgência lá no Oriente Médio.
   Acontece que nossa sociedade está em estado terminal. Perdeu a capacidade de reação espontânea. Os mais velhos (acima de 45 anos) naturalmente se acomodam alegando que têm uma família para cuidar e não podem participar de aventuras sem um final claramente definido. Com sua experiência, vão conduzindo a vida apertando um furo do cinto a cada semestre. Cortam o lazer, alimentos de maior poder nutritivo, deixam de cuidar dos dentes, trocam o carro atual por um menos equipado, deixam de participar de cursos que possam melhorar seus conhecimentos profissionais e reduzem os presentes de Natal. Passam a comprar jornal somente aos domingos. Prolongam o tempo de vida das roupas em uso. A cada mês sorteiam qual prestação ficará em atraso. Ao receber o décimo terceiro não poderão realizar o sonho alimentado com a família. Quitarão suas dívidas pois são honestos e não desejam ser confundidos com os políticos profissionais. Pelo menos isto.
   Os jovens (entre 20 e 44 anos) com poder de perceber o negro manto que já nos envolve, estão angustiados pela quebra da unidade familiar, estão confusos com as atrocidades praticadas impunemente pelas autoridades (contrariando o aprendizado escolar que afirma que as leis são iguais para todos), estão dando topadas no escuro tentando encontrar a porta do primeiro sub-emprego e mal possuem resistência para combater as drogas que corrompem o caráter da mocidade. O pouco de entusiasmo que possuem pela força da idade, desperdiçam em brigas nos estádios de futebol e bailes noturnos.
   A maior parte da população, sem cultura suficiente para perceber que é manobrada, esbraveja para acompanhar o líder comunitário, o radialista de boa penetração ou as vozes dos artistas das novelas que paulatinamente efetuam a lavagem cerebral que destrói os valores familiares que nossos avós tentam preservar numa luta inglória. Vibram de prazer quando um sujeito que balbucia 5 palavras no “Big bobo Brasil” é chamado de “gênio” pelo Pedro Bilal.
   A grandiosidade do nosso território também não contribui para um movimento unitário organizado numa cruzada cívica para exigir lisura do pleito. Se isto fosse possível, já se teria detonado movimentos no sentido de evitar que os administradores vendessem nossas empresas estratégicas e aprovassem leis em benefício dos estrangeiros que emprestam dinheiro a juros extorsivos, indecentes e impagáveis. Já se teria realizado um levante contra as medidas que massacram nosso povo e condenam os menos afortunados a morrerem de fome ou de doenças que já foram debeladas há mais de 100 anos em países do 6o. mundo. O único meio de congregar a sociedade numa direção única em defesa de seus símbolos é a mídia coordenada pela tv, com apoio do rádio e dos jornais. Ocorre que estes veículos estão nas mãos dos que patrocinam a estadia permanente dos abutres que preparam a cova profunda onde seremos jogados quando terminarem de sugar nosso já ralo sangue. Poucos jornalistas de credibilidade se arriscam a alfinetar o sistema eletrônico de votação. As entidades religiosas estão às voltas com seus pedófilos expostos para desacreditar as palavras dos que ainda honram a vocação. As entidades civis, perdendo adeptos a cada dia, mal suportam pagar as despesas mensais para se manterem ativas e então, se sujeitam a não protestar para não terem seus títulos dormindo nos cartórios de execução. As forças militares estão exauridas por falta de alimentação de seus soldados, que procuram sobreviver desviando armas para quadrilhas da periferia onde residem em precárias condições. A família está destroçada em função da ação criminosa das falsas ongs que defendem direitos humanos e pela tv que exibe com repetição progressiva os atos que deitam por terra os valores morais que poderiam manter elevado o orgulho de termos nascido nesta terra abençoada.
   Basicamente não temos mais com quem absorver conselhos de conduta para limpar o caminho do futuro de nossos herdeiros. Já nos acomodamos e apenas torcemos que eles consigam prosseguir com poucos ferimentos na alma. Nossa última arma é o título de eleitor, que não sabemos usar. Nossa última bala é o voto NULO, que não sabemos perceber seu alto poder num momento de desespero. Nem temos certeza se eles os contabilizarão e exibirão o montante acumulado se o mesmo for motivo de vergonha para o país, demonstrando a insatisfação do povo com o elenco de pilantras que se rotulam de salvadores da pátria.
Haroldo
Enviado por Haroldo em 26/08/2006
Código do texto: T225988
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Haroldo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 71 anos
678 textos (24814 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 09:08)
Haroldo