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ESTRELAS DO MAR


Conta uma lenda, de um autor desconhecido, que havia um menino que todos os dias passeava pela praia. Entretanto, seu passeio tinha um fim solidário e nobre, pois ele devolvia ao oceano, inúmeras estrelas do mar que estavam morrendo na praia, trazidas pelas ondas. O menino sentia pena de ver as estrelas expostas ao sol, morrendo aos poucos e mesmo que não pudesse ouvisse o grito de socorro das mesmas, sensibilizava-se com aquela situação e com isso, impedia que muitas delas continuassem morrendo. Certamente, sentia-se gratificado em poder cooperar para a preservação da espécie.

 O garoto era sempre observado por uma senhora que também caminhava pela orla da praia, mas que nada fazia em prol das estrelas do mar, pois seu passeio tinha um fim eminentemente estético. Recomendação médica. A curiosa senhora perguntou ao garoto: de que adiantavam devolver as estrelas ao mar, se muitas delas continuariam morrendo? O menino, apesar da pouca idade, com sabedoria lhe respondeu: é verdade muitas delas continuarão morrendo, mas pelo menos, para aquelas que consegui devolver ao mar e salvar, meu gesto fez a diferença. Ou seja, a diferença entre a vida e a morte, entre a ação e a imissão.

           Cabe a pergunta: em qual posição nos colocamos? Somos como o menino que devolve as estrelas para o mar ou como à senhora que olha só para si mesma e que nada faz? Com certeza mais e mais estrelas continuarão morrendo, mais e mais crianças continuarão com fome e frio, mais e mais pessoas continuaram deprimidas e sozinhas pela falta de um telefonema ou de um gesto amigo, mas se agirmos como o menino modificaremos paulatinamente o quadro, se agirmos como a senhora multiplicaremos a dor e o sofrimento alheios.

         Claro que muitas igrejas tem feito a sua parte, diminuindo o sofrimento das pessoas, com palavras e gestos de caridade, recuperando jovens drogados e levando o evangelho para milhares de detentos, com o fim de resgatar uma a uma das ovelhas ao rebanho. Outras instituições não governamentais também têm devolvido as “estrelas” ao mar, como o “Criança Esperança”, o “ TeleTom” e outros projetos sociais, como a “Campanha do Agasalho” e o “Natal sem Fome”, mas certo é, que sem a nossa cooperação, uma a uma, individualmente considerada, com doações espontâneas não será possível a renovação e a construção de um país melhor. O esforço de um não excluí a ajuda do outro, pois precisamos de um verdadeiro “exercito de meninos do bem” que caminham pela praia e pelas ruas da vida, salvando estrelas e preservando vidas, o maior de todos os bens.

       O certo é que cada prato de comida que ofertamos a quem nos pede, cada agasalho doado, uma oração entoada, um telefonema dado a um amigo  ou mesmo a uma tia velha que mora sosinha, pode significar a diferença entre um dia sem fome, nem frio ou mesmo um dia mais feliz, pois alguém se importou com a solidão do outro. É preciso que dia a dia, passo a passo, possamos preencher as nossas ausências, a nossa distância, o nosso individualismo que cega nossos olhos e petrifica nossas almas.

      Pequenos gestos fazem uma grande diferença. A diferença entre a vida e a morte, entre o choro e o sorriso, entre o frio e o aquecimento. Vamos olhar mais para as estrelas do mar, nossas crianças, velhos e enfermos, pobres e iletrados e a todos aqueles que sofrem com a dor da incompreensão e da intolerância, que já vitimou tantas pessoas. Assim, não desprezemos o nosso potencial, a nossa capacidade de ajudar o próximo, pois a moderna poesia social é a solidariedade, palavra da moda.

                                         





pássaro poeta
Enviado por pássaro poeta em 27/08/2006
Código do texto: T226344

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Sobre o autor
pássaro poeta
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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