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TER X SER

Considerando-se as condições das sociedades de consumo dirigido, não se pode escapar dos promotores de tais sociedades, fato este que nos integra num circuito elaborado a nossa revelia.
A situação de dominação implícita nesse processo é evidente. O indivíduo desumaniza-se aos olhos de tais promotores e passa a ser visto como entidade econômica, consumidor potencial, cujo poder aquisitivo que o circunda permite-lhe possuir produtos aos quais se habitua e sem os quais não pode sobreviver, uma vez que está literalmente viciado no consumo de mercadorias que o dopam.
Com essa dopagem, dilui-se o discernimento, a escolha e a faculdade do livre arbítrio; deste modo, a dominação do espírito humano pretendida pelo discurso-mercadoria serve à ordem dominante, seja ela de que natureza for.
Bombardeados a todo instante por apelos ao consumo, conseqüentemente, somos consumidos pelo desejo de consumir. Persuadidos, já não fazemos uso da faculdade da razão, deixando-nos levar por meros anseios. Manipulada nossa vontade, concretizamos nossos sonhos em imagens que nos parecem tão verdadeiras!...
Possuir passa a ser sinônimo de alcançar a felicidade: artefatos e produtos proporcionam a salvação do homem, representam bem-estar e êxito. Não somos capazes de vislumbrar que sem a auréola que a publicidade lhes confere, seriam apenas bens de consumo; mas mistificados, personalizados, adquirem atributos da condição humana.
Atingindo indivíduos de toda e qualquer classe social, através dos veículos de comunicação de massa, sérias conseqüências são caudadas em nosso modo de pensar e agir tornando-nos alienados, fora de nossa própria realidade.
Atuar com discernimento e solidariedade nas situações de consumo e de trabalho cientes de nossos direitos e responsabilidades, identificando problemas e debatendo coletivamente possíveis soluções; deveriam ser propostas amplamente difundidas no intuito de mudar essa realidade que nos circunda.
É preciso, pois, perceber essa situação. Consumir não é um mal em si mesmo. O mal está em sermos usados pelo consumismo. Antes que nos esqueçamos, de que somos gente e de que precisamos de saúde mais do que de dinheiro; de carinho mais do que de sucesso; e de amizade e compreensão muito mais do que de consumir; ou, então, nos perderemos em meio à ilusão de ter e nos esqueceremos de ser.


Patrícia Ferreira Bianchini Borges
Professora da Rede Municipal de Ensino de Uberaba
Pós-graduanda em Estudos Lingüísticos: “Fundamentos para o Ensino e Pesquisa” pela UFU – MG
Licenciada em Letras pela Uniube


Patrícia Ferreira Bianchini Borges
Enviado por Patrícia Ferreira Bianchini Borges em 04/09/2006
Código do texto: T232405
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Sobre a autora
Patrícia Ferreira Bianchini Borges
Uberaba - Minas Gerais - Brasil, 45 anos
8 textos (1202 leituras)
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