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VIVER COM ALMA

VIVER COM ALMA
Viver é uma arte. É como a arte de pintor, que às vezes retrata uma alvorada de raios luminosos e vívidos. Contudo, há telas que recebem a tinta negra, que retrata o vesperal sombrio de uma longa noite.
A vida de uma alma é como vários quadros de uma artista. Há alegria como também há tristeza. Por isso, o escritor sagrado abre o coração quando vê a sua vida pintada numa tela de tristeza e diz: “por que está abatida minha alma? Pôr que perturbas dentro de mim?”.
A vida oferece-nos oportunidades para zelar e cuidar da nossa alma, do nosso espírito. Mas como a sociedade pós-moderna, capitalista e utilitária que desconsidera a fé, a religião, o lazer, e a arte e os valores divinos, em fim; as abstrações foram esquecidas pela alma da modernidade. O mundo moderno considera a produção e o patrimônio como fim último da existência humana sob o sol, mas almas não sobrevivem apenas de patrimônio e produção.  Almas sobrevivem de arte, de lazer e vida simples, de fé, relacionamento e diversão. O entendimento da contemporaneidade sobre diversão e lazer com vida simples é extremamente consumista. A diversão, a vida com lazer é vista como status social. O que é mesmo lazer para o homem de hoje? É ser sócio do melhor clube social da cidade? È fazer uma viagem para os paraísos nordestinos, caribenhos... È ter dinheiro para freqüentar os melhores restaurantes, bares e pizzarias da localidade. Esqueceu-se do lazer simples. Não se limpa mais o jardim, a mão não pode mais tocar o solo, porque dizem que adoece, pisar o chão é coisa de maltrapilho. Não há mais prazer em podar a árvore do quintal, a velha e boa horta doméstica secou-se. Há sim, terra e água faz lama. O homem não sabe mais qual o cheiro da fragrância da flor do jardim, habituou-se ao perfume daquela famosa botica. Acostumou-se com o óxido de carbono das descargas dos automóveis, que são o “máximo”. Em matéria de lazer com vida simples o homem tornou-se analfabeto.
No relacionar com o Divino, o homem contenta-se com a religião ou confissão religiosa. Mas não alimenta, não relaciona com o Deus presente, que estar interessado no di-á-logo com o ser humano. O logos, Jesus encarnou-se, tornou-se homem com a santa intenção de estabelecer com o ser humano um relacionamento de intimidade. João o chamado apóstolo do amor, aproveitou o tempo vivido com o Mestre, pois não perdia a oportunidade de sentir o seu cheiro de gente, sempre recostava no peito do mestre, que era um homem simples, que olhava tudo que estava à sua volta e envolvia-se com gente, com os problemas das almas, sem medo de ser mal interpretado. Aproximava da mulher que étnica e politicamente era inimiga da sua gente (os judeus); ou com um cobrador de imposto, que era odiado pelos judeus, que detestava pagar tributo a César. Pois esse alfandegário era desonesto, subtraia o contribuinte. Jesus Si convida para pousar na casa de gente tão vil e odiada. O mestre olhava os pássaros, as galinhas com a sua ninhada sob as asas e via o zelo materno. Zelo que ele experimentara na sua infância quando Maria o abraçava e o levantava de um tombo. Maria foi mãe modelo. Os camelos carregados de mercadoria de um caixeiro viajante não passavam despercebidos, ou um agricultor costurando a boca do saco, manuseando a agulha com maestria. Olhava a sua gente indiferente á sua mensagem na cidade amada chamada Jerusalém visando dialogar. Jesus continua com a sua proclamação de chamamento: “vinde a mim e a vossa alma viverá”. No tempo que se chama hoje, não endureça a alma, não petrifique os pulmões, atente a simplicidade do relacionamento diário com o mestre da Galiléia.
Feliz é a alma que sabe driblar as imposições sociais externas e no meio a tudo isso brinca, ora, cultua, que vive em comunidade..., que faz terapia, não aquela dos divãs, mas a da simplicidade!
Vê-se tanta gente adoecida na alma porque procurou satisfazer-se em coisas incompatíveis com a estrutura interior do homem. Pessoas adoecidas por que desconsiderou o espírito e praticou sexo livremente, fez abortos, maculando valores Divinos. Tem travesseiros encharcados de lágrimas porque o seu dono destruiu a família por valorizar mamom (bens materiais)...
Gente a alma não foi criada para a tragédia! O espírito não é preto e branco. O interior do ser humano foi criado para ser aquarela, cheia de cores, de vida. Mas o viver desregrado acinzenta as cores da vida.
É necessário embutir lazer no trabalho do dia a dia. A maioria das pessoas que passaram da sexta década da vida, nascera em fazendas ou em pequenos ajuntamentos urbanos. Essas pessoas viam o trabalho como lazer, como terapia. Misturavam o ofício com o prazer. Nas plantações ouviam os cantos da alma. O boiadeiro, com o seu berrante soprava a nota da canção, os demais cantavam: “bora bói, bóra vaqueiiiiiiká, borava-queeee, kia, kia”. Também as lavadeiras que trabalhavam cantando. A lavadeira sempre pobre, mas sem a angústia de alma, pois o canto lavava a alma, enquanto as mãos lavavam o tecido. As rendeiras que cantavam: “ôle mulher rendeira, ôle mulher rendá, tu me ensinas fazer renda que eu te ensino a namorar”. Gente simples lavava as intempéries interiores, tecendo a alma. A bíblia diz: “quem está alegre cante louvores”. A sabedoria popular diz: “quem canta seus males espantam”.
Mas o homem da lógica e do método pergunta: para que serve tanta abstração, tanta sensibilidade? O ignorante emocional diz: Isso não enche barriga.
Maturidade emocional é obtida em meio a dores de “entranhas”. Quando surge o vazio, a solidão, como avassaladoras. Destruindo tudo que reputava como de valor. Quando surge a interrogação: “Pôr que está abatida minha alma?” Por que perturbas dentro de mim? Existem à nossa volta pessoas que tem tudo que o dinheiro pode conquistar: casa, carro, profissão, formação acadêmica, reserva financeira (pé de meia), mas “dorme” com o travesseiro encharcado de lágrima, perguntando: onde foi que eu errei? Trabalha pelas coisas, mas não investe tempo numa vida simples, que alimente a alma. Atente para isso: o homem é uma alma que vive em um corpo.
CIRLON PEREIRA
Enviado por CIRLON PEREIRA em 06/09/2006
Código do texto: T233997

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Sobre o autor
CIRLON PEREIRA
Ilhéus - Bahia - Brasil, 44 anos
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CIRLON PEREIRA