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A GUERRA DOS CARAPIRÁS

Ainda é madrugada, porém todos estão a posto no campo de batalha. O dia é acordado por eles, todos dias. De lanças na mão, eles esperam pacientemente pelo começo da refrega, posicionados entre os inúmeros montes coloridos que restaram da batalha do dia anterior. Milhares de olhos os espreitam tímidos e ansiosos, são aliados alados, contudo, na hora da luta irão se engalfinhar sem nenhum resquício de medo ante tal exercito que, apesar de minoritário, é melhor preparado para a escaramuça que se aproxima.
Ao abrir dos portões, adentram no campo de batalha o adversário, são gigantes, seres pesados, mas velozes, que todos os dias vem a esse campo despojar suas conquista adquiridas em outros campos e salvaguardá-las neste, onde se travará uma guerra quase que infinita com o exercito de carapirás. Todos os carapirás saem da espreita e passam a sitiar os gigantes que pacientemente despejam seus objetos ao campo, os quais são tomados de assalto pelo exercito invasor, que ferozmente passa a rasgar, quebrar, triturar, esmiuçar tais objetos e, quando encontram algo que os interessa, guardam-no imediatamente em embornais para que não fique exposto a cobiça dos demais. É incrível a luta que se trava. Não há, a principio, reação dos gigantes ante as investidas dos carapirás. Isso deve-se ao tamanho dos despojos de batalhas que os gigantes trazem para guardar, creio que a indisciplina dos atacantes que vão a campo sem um líder, apesar de tê-lo, é que leva à reação dos gigantes que, no fervor da disputa, começa a enterrar seus despojos.
O dia vai dormir, e com ele, o exercito de carapiràs, fadigados, doloridos e, principalmente feridos em suas dignidades por não ter vencido os inúmeros gigantes que durante as batalhas diárias vão e voltam carregados de riquezas numa provocação constante, já que estes tesouros poderiam ser mais bem guardados, longe de qualquer cobiça, terrestre ou aérea. Senti a mesma coisa que Manoel Bandeira ao ver tal cena, pena que não pude descrever a cena como ele.



Carapirá¹ – ave que ocorre no litoral e interior da América do Sul.
Carapira² - nome atribuído aos catadores da lixeira pública de Macapá.
KAIKUXI
Enviado por KAIKUXI em 09/06/2005
Código do texto: T23466
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Sobre o autor
KAIKUXI
Macapá - Amapá - Brasil
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