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MARCAS DE JESUS CRISTO EM TODOS OS DIAS

Fala-se tanto em final dos tempos, épocas apocalípticas, mas qual será na verdade a apoteose deste tão esperado fim? Que homem vivente tem, de fato, a revelação das sagradas escrituras?

Foi-nos dado conhecer o que há entre o céu e a terra? Haveria onipotência e onipresença em decifrar de Deus os Seus mistérios, roubando-Lhe a natureza doadora universal, escravizando-Lhe ao homem? Quando fez o mundo, batizando a terra com beleza gratuita e original, assinou Seu nome na grande tela existencial e deu à humanidade como presente para ser cuidado, jamais explicado.

Não seria como aquele que falando - se, deixa de existir? Não é assim que acontece com o silêncio? E Deus não é para ser ouvido minimamente no compasso dos corações, muito mais sentido, percebido e demonstrado, do que meramente apalavrado?

A religiosidade é tão implacável, quando retira ou anestesia dentro de nós a experiência de Jesus Cristo vivo todos os dias ... A tão histórica e universal morte na cruz como código símbolo de salvação, não seria a demonstração egoísta de se fazer de Deus um depositário das responsabilidades humanas?
Como se o compromisso individual fosse atribuído à outrem e processado de fora para dentro?

Se DEUS é apenas um, todos os seus filhos que somos nós, de todas as raças e credos, somos pertencentes à uma mesma genealogia. E por que então se encarrega a religião de fincar bandeiras separatistas? E por que se lança o homem a crucificar em si mesmo o Filho morto?

Seriam as culturas do sofrimento, do medo, da culpa, do poder, que cegam a humanidade a tal ponto, de assassinar por dia o caráter perfeito e vivo, pronto a ser cotidiano, como : bondade, fraternidade, fé, amor, paz, serenidade, perdão, compaixão , igualdade, entre outros atributos de civilizações harmoniosas?

Cada um é uma civilização em si mesmo e por isso tem a responsabilidade do cuidado individual, da auto estima, para que se qualifique no amor ao próximo, a expressão genuína dos relacionamentos humanos.

Como se constrói uma nação sadia, se a cidade – família, tantas vezes já é feita de atributos devastadores: egoísmos, individualismos, impaciências, intolerâncias, falsidades, julgamentos, maldades, inverdades, desmantelos, imposições, avarezas , atrocidades, abandonos, irresponsabilidades, fachadas, disputas, mortes em vida, autenticidades comprometidas, materialismos instalados?

Certamente falarão que a discussão é muito mais ampla e as intelectualidades defenderão teses, teorias, filosofias, doutrinas, mapearão enigmas indecifráveis, mas a verdade permanece, JESUS CRISTO VIVO TODOS OS DIAS: algo que não separa, junta; não exclui, inclui; não discrimina, abençoa; não vinga, perdoa; não revida , compreende ; não abandona , acolhe ; não julga , aponta ; não desampara, encaminha ; não intimida , encoraja; não fere, cuida; não representa, existe; não engana, é feito de verdade; não camufla, mostra; não rejeita, ama ...

Clube hipocrisia, é esse o time dos que abrem as bocas às alturas à proclamar o nome de Deus, a dizer nos púlpitos, nos altares e nas sinagogas sobre o pecado e o arrependimento e ao apagar-se as luzes dos templos, serem os exemplos vivos das trevas ?

Quanto tempo e energia para o bem e o bom se perde, enquanto se estabelece este campeonato entre cristãos e judeus, católicos e evangélicos, quantos muros de “Cisjordâneas” precisam ainda ser derrubados, escolhidos aqui como simbólicos de tantas e tantas divisões desnecessárias, sem contudo, mencionar as outras questões, do grande quebra cabeças partido que se transformou a humanidade ...

Um dia, eu estava caminhando e encontrei um menino de rua brincando na calçada, enquanto esperava o sinal fechar para lavar com água e sabão os vidros dos carros que paravam. O garoto bem pretinho, de nariz escorrendo, dentes brancos combinando com os olhos arregalados, descalço, sorrindo com um jeito franco e puro me perguntou, enquanto eu passava por ali, a pé:

- Tia, qual é a religião de Deus? E eu respondi:

- A mesma que faz com que você sorria esse riso lindo e eu pense que é para mim ... Sentei embaixo da árvore acima da calçada e assim que o sinal abriu, ele veio e sentou – se ao meu lado, ali conversamos e nos fizemos amigos, na verdade, irmãos.

Até hoje nos encontramos, ajudando – nos quando precisamos de algo que conforte nossos corações. O nome de batismo ele não sabia, porque não havia certidão, mas o chamavam por Emmanuel. Procurou - me em ocasiões difíceis ou especiais: quando sua mãe adoeceu seriamente e não havia como comprar um tal remédio caro; quando o pai, de bêbado, morreu sobre o asfalto, coincidentemente próximo à minha casa ...

Quando ficou com muita fome, num dia em que as gorjetas das
lavagens dos vidros, não renderam nem um real; quando
meu filho pequeno teve uma febre alta e ele me encontrou ao acaso,
no mesmo sinal com o menino ... vendo meu semblante de preocupação, consolou - me; quando era dia dos pais e ele trouxe um presente para o meu filho mais velho, que tornara – se também seu amigo, um porta retratos feito de papelão, por ele mesmo, com sua foto e de seu pai, abraçados na pracinha, próximo ao local do acidente fatal; quando precisava escrever uma declaração para o colégio, mas a família toda era semi analfabeta; quando era meu aniversário e ele chegou sorrindo com uma flor comprada no florista, que tinha embrulho de celofane e etiqueta da loja, todo prosa , de roupinha limpa e banho tomado, veio comer um pedaço de bolo comigo e me abraçar ...

Eu também o procurei algumas vezes, afora as coincidências dos acasos, especialmente quando precisava de um sinal de Deus e ia buscar naquele sorriso invariável e constante, sob sol ou chuva, sempre presente e contente. Aproveitava a água para limpar meus olhos contaminados pelas impurezas espalhadas ao mundo, encontrando resposta no meu Menino Jesus, eleito e vivo de todos os dias...

O que me mostrara com clareza qual era a religião de Deus, sendo
ele mesmo a própria revelação, muito além ou aquém das escrituras
que separam o velho do novo testamento.

No vermelho Deus mostrava o perigo, era hora de parar e respeitar os outros que cruzavam à nossa frente. No verde Deus dava o sinal de seguir em frente, mas ao olhar em volta, perceber que a presença de seu Filho reside muitas vezes na improvável pregação, na grandeza do humilde, reconhecido pelo amor que carrega, num contraponto com a soberba coletiva de teóricos sacerdotes engravatados.


De Gênesis a Apocalipse conhecemos apenas um só Deus, que é gratuita e indistintamente de todos, mas quantos e quantos disputam o poder, detendo – o todas as Verdades como suas, subestimando, assim , a Inteligência Divina e Soberana?Quantas torres ainda explodirão, implodindo vidas humanas? Quantos inocentes ainda serão massacrados e esquartejados, enquanto chefes de estado se encavernam em insólitos e indignos esconderijos? Quantos comportamentos individuais, familiares e sociais ainda precisam ser restaurados, caindo -lhe os panos das máscaras convenientes?

A religião de Deus não tem nome, pois como o silêncio, se pronunciada, já não existe.

E jamais, Ele deixaria de ser ... Disto é feita a crença, de onde extraímos a plenitude de Sua presença.
Márcia Beatriz Prema
Enviado por Márcia Beatriz Prema em 09/09/2006
Reeditado em 09/09/2006
Código do texto: T236003

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Sobre a autora
Márcia Beatriz Prema
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Márcia Beatriz Prema