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11 de Setembro: 5 e/ou 33 anos depois?


Nesta segunda-feira 11 de setembro de 2006 será relembrado o atentado terrorista acontecido no World Trade Center. Naquela ocasião 2.749 pessoas perderam sua vida. Realmente, o mundo nunca mais foi o mesmo. Porém há duas particularidades que gostaria de assinalar com respeito a esta data. Primeiramente, a respeito da magnitude que este evento ganhou e que outros não ganharam. E segundo sobre o aumento do terrorismo ainda hoje.

O que ocorreu em 11 de setembro de 1973, ou seja, há 33 anos atrás é tão importante para a história mundial que infelizmente foi esquecido _ talvez devido interesse dos que controlam a história mundial que deve ser contada.

 Há 33 anos atrás um outro atentado terrorista ocorreu, não na Wall Street, mas em Santiago, no Chile. Este atentado terrorista também envolveu aviões, mas eles eram das forças armadas chilenas. Estes aviões bombardearam o palácio de La Moneda, sede do governo chileno. Mas como não viemos a conhecer este fato? Por um único motivo. Sabe quem estava apoiando este terrorismo? O governo estadunidense. Por qual motivo? Muito simples. Em plena Guerra Fria, numa época em que a América Latina vivia o período das ditaduras, o povo chileno teve a “ousadia” de eleger um governo declaradamente socialista com Salvador Allende. O governo estadunidense via sua hegemonia na América Latina perder mais um espaço _ Cuba já era socialista nesta época _ num período histórico muito complicado. O que aconteceu foi que o governo dos Estados Unidos financiou um golpe de Estado utilizando o exército chileno, liderado pelo general Augusto Pinochet _ este, muitos já ouviram falar, mas só não sabem o que ele fez. As tropas golpistas bombardearam o palácio do governo com seu presidente dentro. Tomaram o poder no Chile constituindo a ditadura mais sangrenta da América Latina. Por que não sabemos disso? Quem faz a história são os dominantes e estes atos de barbarismo precisam ficar esquecidos para que os Estados Unidos possam ter sua “moral incorruptível”.

Cinicamente, os Estados Unidos lutam contra o terrorismo no mundo (provaram do seu próprio remédio e não gostaram). A sua luta contra o terrorismo é um outro terrorismo, pois incentiva o anti-semitismo, o racismo, a intolerância religiosa, a morte de milhares de civis inocentes no Afeganistão e no Iraque, a destruição de cidades inteiras, a falta de liberdade, mesmo em seu território _ logo a liberdade que eles tanto prezavam _ e o abuso de “presos políticos”. O terrorismo estadunidense é tão destrutivo que faz com que seus cidadãos sejam contra as ações de combate ao terrorismo no Oriente Médio realizadas pelo seu próprio governo. Se pensarmos direito os terroristas do Oriente Médio foram mais bem sucedidos do que eles próprios poderiam imaginar. O atentado no World Trade Center deixou a maior potência econômica e militar do mundo com medo. Os Estados Unidos são uma nação apavorada dentro de seu próprio território nacional e com isso todos são suspeitos até que provem o contrário.

O mundo sofre devido o medo dos estadunidenses, mas o mundo vai homenagear as vítimas do 11 de setembro de 2001 sem se lembrar do 11 de setembro de 1973 e daquelas pessoas que sofrem o seu 11 de setembro a qualquer dia do ano, que sofrem com o terrorismo diário de não ter o que comer, da violência, do racismo, da intolerância e de perder a quem ama.
Não pensem que não me compadeço pelas 2.749 pessoas mortas naquela ocasião, mas eu não me conformo em fazer desta uma data pelo sofrimento de um país e não pelo sofrimento de milhões e talvez de bilhões de pessoas que agüentam caladas o terrorismo que a maior nação neoliberal do planeta nos impõe a cada dia e que a mídia não dá importância e infelizmente nós mesmos não damos importância. Toda ação contra a vida humana deve ser totalmente execrada de nossa história, seja uma ação direta ou não.

10/09/2006
Denilson Almeida
Enviado por Denilson Almeida em 11/09/2006
Código do texto: T238008
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Sobre o autor
Denilson Almeida
Itaboraí - Rio de Janeiro - Brasil, 33 anos
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