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                                                 De mãos atadas 

     Uma das coisas que mais me preocupa e que está ligado a familiares de dependentes químicos é a impotência diante um ente dependente. Sempre encontro algumas respostas, algumas orientações a dar quando sou abordado por usuários que querem ajuda, por familiares que pedem ajuda e que nos coloca a intenção do ente em se trata. No entanto, fico sem ação quando ocorre ser procurado por familiares que esperam de mim uma solução definitiva, como se eu pudesse dar uma resposta objetiva que solucionasse o problema. 

     Esta minha angustia ocorre quando pergunto ao familiar o que pensa o ente dependente sobre o assunto, e a família diz que ele não aceita. É difícil, porque me vejo obrigado há dizer que pouco se pode fazer a não ser esperar e procurar ajuda para si próprio. 

     É difícil querer ajudar alguém se este não “quer”, e como faze-lo esta inversão? É extremamente difícil, na verdade uma pessoa que se encontra dependente a cabeça está totalmente alienada, dificilmente algo pode reverter esta situação, isto é obrigar o dependente quimico procurar ajuda. 

     É importante  dizer que em determinados momentos o dependente até demostra alguma vontade de querer parar, no entanto a ingressar num programa de tratamento da dependência não está no “querer” tão somente. O querer é apenas um “detalhe” (coloco entre aspas querer em detalhe, por ser um detalhe extremamente importante). Pois, se querer não fosse um detalhe certamente não haveria mais fumante no mundo. Todo fumante quer e deseja parar como cigarro, no entanto querer não é poder.
 
     Outro fato fundamental à  ser colocado é que, uma pessoa dentro da dependência com o consumo de drogas constrói um estilo de vida, cria-se uma filosofia de vida, e este estilo, esta filosofia o leva a determinados comportamentos que passam a fazer parte de seu existencial, então, mesmo com todas as conseqüências biológicas, psicológicas por todo caos social que o envolve, isto não é o suficiente para parar com o uso, pois, ele constrói uma identidade e não quer, não consegue abrir mão ou mesmo não se deu conta ainda. 

     A partir do momento que esta identidade tenha sido construída durante o consumo de drogas passa-se a fazer parte de sua existência, de seu psiquismo. 

     Tudo isto são fatores que impedem a pessoa procurar ajuda, pois parar com as drogas significa abrir mão de toda esta estrutura psíquica construída, não abrir mão disto é uma rejeição natural do ser humano, até porque varias atitudes, comportamentos são inconscientes.

     O ser humano tem dificuldade às mudança, tem medo, é egoísta, orgulhoso, medroso.  Mudar de pensamento é sinônimo de fraqueza, de renuncia e isto é complicado de trabalhar na pessoa, pois muitos destes fatores são inconscientes, por isso que disse manifestar pedido de ajuda é um detalhe entre aspas. 

     Diante desta complexidade que é a dependência química, o que resta a dizer ao familiar é: procurar auto ajuda, para estar preparado para o momento certo; ter uma conscientização das característica da dependência química; conhecer os efeitos dela tanto no organismo quanto  no psíquico. 

     Só podemos ajudar alguém quando o conhecemos bem, neste sentido para ajudar um ente dependente, primeiramente é necessário um estado de sobriedade; conhecer bem este ente; saber quais são as características da dependência química; como proceder no sentido de estimular a pessoa a procurar ajuda o restante esta nas mãos do dependente. 

     Cada homem é um ser único, é personalizada e esta personalização esta ligada a seu fenótipo, cultura, educação... É dentro deste contexto que ele interage com a droga, com o seu interior e exterior. São estes detalhes que a família deve estar atenta. É dentro deste contexto que a família vai poder ser uma força importante para encaminhar o ente num tratamento. O êxito estará também condicionado ao conhecimento que a família tem sobre este assunto, droga-adição.

Ataíde Lemos
Enviado por Ataíde Lemos em 11/06/2005
Reeditado em 28/04/2006
Código do texto: T23873
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Sobre o autor
Ataíde Lemos
Ouro Fino - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
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