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Palestrante Etosha ou Lüderitz?

O espírito entrou nos ossos secos, e viveram e se pôs em pé, um exército sobremodo numeroso. (Ezequiel 37:10)

Um palestrante poderá ter mil facetas, exceler em verborragia, sendo possível justificar a busca de resultados pelas mais ousadas atitudes. Falar da nobre princesa Sherazade, evocar uma plêiade dos melhores contos infantis, assim como fazer uso dos nomes de grandes vultos da história da humanidade para ancorar exemplos ideais.

Estamos nos preparando para mais um período de fim de ano. A indústria e o lojista,  pela enésima vez estão contratando um monte de empregados temporários, que após o volume de vendas do período passar, serão ejetados como aparelhos de barba descartáveis que, após sua quantidade de uso, dificilmente suas lâminas voltarão a fazer tchã, tchã, tchã.

Basicamente, o último trimestre do ano, configura as empresas com investimentos voltados à contratação de mão de obra adicional, campanhas publicitárias, promoções, estoque e logística. Sem dúvida e sombra nenhuma, metas espantosas são ultrapassadas nessa ocasião, proporcionadas pelos esforços de marketing do lojista, somados ao arsenal consumista que a mídia induz. A resposta é o coercitivo “de acordo” de todo o mercado, com o turbinamento de todas as vendas.

É tudo aparentemente encantador, lembrando porém a história de Etosha. Conhece?

Ponto turístico dos mais extraordinários da África, encontra-se na Namíbia. Um deserto, depois de 8 longos meses de seca capaz de superar a descrita no livro de Graciliano Ramos (Vidas Secas), recebe benditas chuvas. Que gostoso agora, o vale seco de Etosha se transforma num formidável lago de 80 km de largura e dá início a um assombroso e inenarrável ciclo de vida. Lindos animais de variados tamanhos e espécie, eclodem do nada, atraídos por este agora, extasiante local!

Eu poderia perfeitamente me sobrevestir de “Palestrante Etosha” incentivando-o ao provimento de estoque, empregado, promoção, campanha e publicidade. Porque não aproveitar esta grande oportunidade do ano para preparar um estratagema mantenedor das conquistas adquiridas, incrementando novas, através do último trimestre do ano? Você vai bradar:

-- Esse cara quer ensinar o padre a rezar a missa. Não agüento mais blá, blá, blá...

Não serei o cruel e insensível “Palestrante Etosha” simplesmente realizando palestras, seminários ou workshops, contendo no cardápio a perene mesmice mercadológica. Afinal, o que sua empresa fará nos outros meses do ano? Se eu disser que seus vendedores poderão chupar dedo, sem dúvida sua resposta será de que até a chupeta já se encontra em desuso.

Você está cheio dessa conversa: a inelasticidade de demanda, provocada pela banda cambial, provoca alteração nos índices das bolsas de valores, elevando a taxa de juros a um patamar imprevisível, volatilizando mesmo, as transações comerciais... Né um saco?

Em vez de desancar seus propósitos, tergiversando sobre a desesperança que rima com “enrolança”, prefiro falar do “Palestrante  Lüderitz”. Você deixa?

A estrada que leva para Lüderitz, cidade também da Namíbia, tem vidro moído no acostamento e uma polícia rodoviária 24 horas por dia, para impedir o motorista de parar. Sabe por quê? O caminho é cheio de diamantes no chão. É só pegar. Ah se os Irmãos Metralha soubessem disso...

O “Palestrante Etosha”, prega o aproveitamento da oportunidade, as próprias vendas sazonais, tendo como norte, o evidente incremento que as ações de marketing ajudarão à empresa a auferir.

Não é assim que pensa o ‘Palestrante Lüderitz”. Para este, os negócios, são como a estrada para  Lüderitz: estão disponíveis dia e noite, sendo todavia necessário uma metodologia para a devida realização. Trata-se de algo mais científico do que empírico. Quem não tiver preparo, é melhor esquecer, agarrando-se à teoria do “Palestrante Etosha”, satisfazendo-se com razoáveis lucros de fim de ano. Vale lembrar que além das despesas com comemorações e presentes, existe o ônus do “XIII Salário”. Tem receita e Despesa. É de bom alvitre fazer a conta, certo?

O “Palestrante  Lüderitz” ensina a dinâmica comercial. Na estrada de  Lüderitz, é proibido parar Agora estou lembrando: quando li o livro “Cem dias entre Céu e Mar” do navegador Amyr Klink. Partiu de Lüderitz, para atravessar o oceano Atlântico em barco a remo. Na travessia, não podia parar em nenhuma ilha que encontrasse no meio do caminho, sob pena de adernar seu pequeno barco. Deve ter-se inspirado na estrada que leva a  Lüderitz, pois foi deste local que sua embarcação iniciou a histórica e à época, inédita viagem da África para o Brasil, no valoroso barco Paraty. Seu negócio não pode se transformar em cacto. Ações precisam ser empreendidas para direcionar o motor comercial de sua loja rumo a conquistas perenes. Não existe a menor condição de seu estabelecimento ficar inoperante, esperando as benfazejas chuvas de Etosha.

Aceita um bom macete? Conheça a Namíbia, (Presidente Lula gostou demais), vá até Etosha e siga para Lüderitz. Não sendo possível fazer esta sensacional viagem, contrate o profissional mais indicado para treinar sua empresa. Antes porém, descubra:
-- Qual é sua preferência?
-- Palestrante Etosha ou Lüderitz?
Gilberto Landim
Enviado por Gilberto Landim em 18/09/2006
Código do texto: T242951
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Sobre o autor
Gilberto Landim
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 68 anos
527 textos (25521 leituras)
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