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PENSANDO EM POLÍTICA.

Política, em tempos outros (não é preciso ser um Norberto Bobbio para descobrirmos), significa (va) “tudo o que se refere à esfera social, pública e cidadã”. Hoje, o que é profundamente lamentável, a mesma parece se arrastar cinicamente por entre um emaranhado de jogadas marketeiras (amadoras ou não).

Iniciamos um novo milênio tremendamente assustados: como isso foi possível? Se de um lado os vieses reducionistas das esquerdas lançaram alguns a frustrações existenciais; por outro, o liberalismo cosmético, metido a esperto, surgido no vácuo (alcunhado de “neoliberalismo”) também, nem de longe, preenche a exigência mais profunda do homem, ou seja, a construção de uma vida digna para todos.

Os conflitos sociais se mostram cada vez mais acentuados – não que sejamos só um amontoado dessas relações (sociais). O fato é que essa concepção vaga de cidadania própria do liberalismo (tudo é mercado) redunda, queiramos ou não, numa espécie tresloucada de reducionismo.

O resultado inconteste dessas ideologias perversas, catastróficas, é óbvio: “redefinição da política como campo da manipulação publicitária da consciência dos indivíduos”. Ouso mesmo cunhar (é indiscutível que atravessamos um estádio melindroso de crise semântica) o neologismo “markelítica”, entendida essa como a artezinha das transações simbólico-linguísticas onde os fatos pouco importam, pois o sujeito pode contar com um “marqueteiro” de plantão capaz de manipulá-los procurando interpretações adequadas ao que se tenha como fim (ganhar uma eleição, denegrir a imagem de um adversário ou esconder as intenções privadas de outros). Vale aqui um alerta: o marketing genuíno não tem espaço na “markelítica”. Ora, esta corrompe aquele transformando-se numa malária social.

Num primeiro momento, nos sentimos absolutamente incapazes de reverter o quadro geral (“é, política é isso aí ou coisa ainda pior”, vociferam alguns). Todavia, é mister avançarmos com denodo redobrado na construção utópico-prática de modelos políticos salutares. Precisamos acionar nossos telescópios éticos para que melhor divisemos o óbvio, o próximo mesmo.

Portanto, mais uma vez brincando seriamente com as palavras, lembrou-me outro neologismo – “POLÉTICA” – que se opõe à “markelítica”, cuja significação (“POLÉTICA”) consiste na Arte de trabalhar o que Buarque chama de “desejos legitimados”. A “POLÉTICA”, amigo, é a retomada do “fazer político” voltado para o social, para o público, para a cidadania plena.



                                                             


Ary Carlos Moura Cardoso
Enviado por Ary Carlos Moura Cardoso em 18/09/2006
Código do texto: T243040
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Sobre o autor
Ary Carlos Moura Cardoso
Palmas - Tocantins - Brasil
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