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ARTES VISUAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Segundo RCNEI (1998, p. 89) “...as artes visuais devem ser concebidas como uma linguagem que tem estrutura e características próprias...” As crianças devem ser envolvidas num ambiente cuja aprendizagem envolva o fazer artístico, a apreciação e a reflexão. Para isso, as aulas de artes não devem ser apenas coadjuvantes de um conhecimento de outra área, a fim de reforçar os conteúdos estudados. Em conversa informal com uma das professoras da pré-escola, perguntei como ela insere a arte em seu planejamento. A professora descreveu o seguinte: “Era aula sobre as estações do ano. Fiz as explicações sobre  elas e mostrei figuras. Depois cada criança recebeu uma folha de ofício para desenhar a estação que mais gostou.” (sic)
A arte tem conteúdos próprios que podem ser absorvidos por crianças de qualquer idade. As professoras desse segmento da Educação Básica necessitam apropriar-se desse conhecimento.  As aulas de artes visuais na educação infantil poderiam ir além de meras representações das atividades propostas. A criança de creche e pré-escola pode ser estimulada constantemente nos aspectos imaginativos, perceptivos, intuitivos e cognitivos a fim de desenvolver suas competências criativas. É no fazer artístico que a criança desenvolve sua imaginação criadora, sua expressão, sua sensibilidade e sua capacidade estética. Nos primeiros anos de vida, a criança ainda não representa nos seus rabiscos o que ver ao seu redor, mas o movimento repetitivo e mecânico, podem  ampliar o conhecimento de seu próprio corpo, do mundo e do próprio desenho.
Os outros dois aspectos para o desenvolvimento do conhecimento de artes visuais (apreciação e reflexão) são pouco utilizados nas escolas de E.I. A apreciação de imagens pode se dar a partir de perguntas que instiguem a imaginação, a observação e o interesse das crianças por essas imagens. Nada impede que as crianças sejam apresentadas a obras das diversas épocas da história da arte mundial e conheçam seus autores (RNCEI, 1998). Embora a atenção da criança pequena seja mais curta, é possível manter o interesse dela na observação e apreciação de uma obra de arte. A criatividade da professora é que vai aumentar ou limitar seu interesse.
A criança pode e deve receber desde cedo a educação para olhar, que a possibilite refletir sobre a obra, quem a fez e porque a fez. Isso se chama fruição. A reflexão, o conhecimento, a emoção, aliados a sensação e ao prazer gerado pelo contato com as produções artísticas são conceitos necessários para a aprendizagem em artes visuais.
Para que isso aconteça é aconselhável que a professora escolha a maior diversidade possível de artistas e obras, e que sejam significativos para as crianças. Por exemplo: artistas como Tarsila do Amaral e Aldemir Martins que utilizavam em suas pinturas elementos do cotidiano como animais, crianças, brincadeiras infantis e objetos da cultura regional com cores e formas exuberantes e atraentes. Contudo, é possível que as crianças tenham acesso também a obras de artistas abstracionistas ou renascentistas. “Nesses casos, há que se observar o sentido narrativo que elas atribuem a essas imagens e considerá-lo como parte do processo de construção da leitura de imagens.” (RCNEI, 1998)
Karla Barreto
Enviado por Karla Barreto em 11/08/2010
Código do texto: T2432393

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Sobre a autora
Karla Barreto
Fortaleza - Ceará - Brasil, 42 anos
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