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O engodo

O engodo

   De um modo geral o ser humano fica deslumbrado com painéis ornamentados que exibem luzes coloridas piscando alternadamente produzindo movimentos. As populações de baixa qualidade cultural, mais ainda. Enquanto estão extasiadas pelas figuras exibidas e pelos sons ritmados emitidos, nem de longe percebem a lógica do funcionamento de tais artefatos. Por isto as máquinas “caça-níqueis” e bingos eletrônicos conseguem atrair milhares de curiosos diariamente e tomar-lhes dinheiro sem apontar-lhes uma arma (ladrões grosseiros) nem um carnê de impostos (ladrões refinados).

   Dentro deste princípio, as urnas eletrônicas conseguem hipnotizar milhões de eleitores fascinados, que deixam de ter preocupação com sua integridade e não se importam com a falta de transparência do sistema. Qualquer um que seja “eleito” serve para gerenciar este caos que nos agrada.

   É por isto que a democracia corre risco.

   No livro-documento “Fraudes e defesas do voto eletrônico” elaborado pelo competente Engenheiro Amílcar Brunazo e pela Advogada Maria Aparecida Cortiz, aumentamos nossa percepção sobre este processo que deveria ser o mais importante da sociedade, mas que no momento do pleito apenas serve para oficializar a permanência no poder dos elementos designados pela elite que define e controla o evento.

   Para quem faz parte da “Seita do santo baite” (Amílcar), isto é, freqüenta o círculo de pessoas inocentes que acreditam que a informática faz mágica e esquece que o computador apenas executa com alta velocidade e precisão as tarefas que programamos para ele, recomendamos a leitura lenta da obra citada. Aqui resumiremos a seguir sem maiores detalhes, algumas formas de burlar o processo de escolha dos dirigentes públicos. É bom lembrar que sistemas bancários, 100 vezes mais seguros, são burlados regularmente. Imaginem um mero PC para armazenar votos!

   Em qualquer ramo de atividade da sociedade sempre existe pelo menos um grupo interessado em detectar os pontos frágeis do processo e burlar suas normas para obter vantagens de forma ilícita pois ter de trabalhar para auferir rendimentos não é o seu forte. Para que tal aconteça, sempre precisam existir três tipos de agentes:
a) elemento interessado em pagar pela burla;
b) elemento embutido no processo que se deixa tentar pela propina;
c) elemento fiscalizador despreparado.

   No caso específico da votação eletrônica para cargos públicos, algumas formas de burlar e comprometer o resultado são:
Cadastro de eleitores desatualizado – nomes falsos incluídos, nomes de falecidos mantidos ativos. A falta de foto facilita esta ação.
Urnas clonadas – troca de urnas oficiais pelas que possuem programas adulterados.
Voto de cabresto virtual – fazer crer ao sem instrução que o sujeito que o obriga a votar em um elemento definido pode descobrir seu voto através do número de seu título eleitoral. E não devemos descartar esta possibilidade!
Engravidar urnas – faltando 15 minutos para encerrar a votação (horário morto), dois mesários subornados votam pelas pessoas que não compareceram ao local.
Eleitor anulado – quem demora mais de um minuto para votar, pode ser descartado pelo mesário através de uma senha apropriada.
Candidato não relacionado – em algumas urnas, um candidato pode ser “esquecido” (o fiscal não percebe) da relação de concorrentes e seu número passa a ser nulo para o sistema.
Programa adulterado – dependendo do grau de conhecimento do programador, ele camufla os comandos “maliciosos” que só são percebidos por fiscais de igual nível (raro) e integralmente atentos (difícil).
Voto cantado – quando uma urna dá defeito e os votos obtidos até o momento precisam ser transportados para urna substituta por digitação preliminar.
Banco de dados – após encerramento do pleito, alterar valores totalizados de seções onde os boletins de urna não foram recolhidos pelos fiscais um minuto depois do encerramento do pleito. Nesta área o peso de fraude é grande.

   Para cada tipo de fraude citada acima, existe uma defesa que atenua o mal entre 80 e 90%. A maior delas é a impressão dos votos (a mais simples e barata) para permitir uma recontagem estatística após o pleito. Mas o TSE (que normatiza, se fiscaliza e se julga) insiste em negar tal ajuste.

   Não sabemos se por má fé ou por receio de que isto venha mostrar a fragilidade de um sistema precipitadamente implantado aqui. Ou ainda o despreparo de quem não sabe nem gerenciar seu ambiente. Quanto mais um sistema nacional. A empresa canadense Diebold, fornecedora de 80% de nossas urnas, não consegue vende-las em seu país, nos EUA e na Europa.

   Só no Brasil e no Paraguai. Curiosamente, de onde compramos artigos falsificados com ares de espertalhões.

   Assim sendo, quem está satisfeito com a perpetuação das famílias de ratazanas no poder, perca seu domingo e encha-se de orgulho para participar desta farsa cínica chamada de festa cívica (cozinheiros, garçons e lavadores de pratos também são participantes de banquetes) e solidificar a “democracia” que nos gerencia. Quem assim agir, estará dando seu aval para tornar corriqueiros os “mensalões, cuecões e sanguessugueiros”.

   No entanto, se sua indignação finalmente despertou e lhe deixou com nojo deste quadro que lhe consome 40% de seus ganhos para pagar impostos que sustentam as mordomias injustas das parasitas da nação, vá lá mesmo zangado e nos ajude a realizar um “anulaço” gigantesco (mais poderoso que o “panelaço” argentino). Vamos enviar um recado inesquecível e preocupante aos mariscos que estão cimentados em nossas costas (nossas mesmo).

   Será um belo ensaio para que possamos compreender que somos capazes de efetivamente participar de qualquer cruzada a favor da recuperação de nossa dignidade e pela preservação de nossa pátria para nossos herdeiros diretos.
Haroldo
Enviado por Haroldo em 19/09/2006
Código do texto: T244293
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Sobre o autor
Haroldo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 71 anos
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