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A língua solta



Mal posso esperar o dia amanhecer e enviar os memorandos que fiz a diversos setores da empresa que trabalho, esperando a reação daqueles, que ao recebê-los, farão. Alguns – a minoria – tratarão de corrigir os problemas, evitando outros, mas a maioria irá criar um ambiente desfavorável ao autor destes memorandos, porque, incapacitados de mudar ou, inabilitados a mudarem, optam em maldizer-me perante todos e, sem dar chance à defesa, sou crucificado.

Parece dantesco, mas é a realidade de muitos ambientes de trabalho, onde poucos fazem tudo, enquanto muitos ensaiam aos olhos dos diretores, o nada, que para estes, é o todo.

Quantas vezes somos discriminados sem a oportunidade da defesa, mas se nos afastarmos da empresa ou no desejo de irmos embora e ir embora significa ir para a concorrência, criam obstáculos ou, choram as pitangas dizendo para ficarmos?

Tenho o hábito de censurar os vendedores que reclamam na frente dos clientes porque não quero que eles criem obstáculos aos clientes perante a empresa; prefiro que o reclamante seja eu já que os gerencio. Um cliente esquece do gerente, mas jamais esquecerá do vendedor que o atende, mesmo que ele troque de empresa, de representada.

E o que tem o título com vendas?

Simples! Se eu não tivesse uma língua solta, como poderia ser um gerente de vendas, comandando uma equipe que penetra nos ínfimos rincões deste Brasil?

Hoje, percebendo que um determinado cliente estava propenso a não comprar, mas reclamar da conjuntura funcional e estrutural do estado, resolvi dar uma de professor de estratégia de vendas e ajudá-lo a perceber que o mercado é que dita as ações, quando ele, como vendedor, deveria se aproveitar disso e criar situações que levassem seus clientes a comprarem mais.

Soltei a língua e falei até que o vendedor que me acompanha, chutasse meu pé, acordando-me do sonho que criava, no qual falava sem parar a uma platéia ávida para aprender e mudar a conduta.

Comecei dizendo que um cliente ao adentrar em uma loja trás consigo 50% de oportunidade de fechamento de uma venda, bastando compreendê-lo (empatia) e adicionar os 50% restantes. Finalizei dizendo que se souberem os gostos e defeitos dos clientes, seria possível dominá-los e a dona do negócio disse ao vendedor que eu deveria voltar lá, mais vezes, mesmo que tenha a língua solta.

Tenho muito que aprender, mas o que já aprendi dá para mudar o rumo de muitas empresas, mas o detalhe é que estes donos destas empresas não querem mudar. Mudança significa quebra de paragdimas e isto custa caro – pessoal e empresarial.

Por outro lado, a língua solta quer dizer não ter papas na língua. Falar pelos cotovelos; espraiar na gramática e nas palavras, cutucando todos os envolvidos na ânsia de vê-los – parar e pensar –, mudando as ações e consequentemente, satisfazendo os clientes.

Tenho inimigos e terei muitos mais, porque não aceito que digam a um cliente que ele deve providenciar na solução quando – ele ao pagar pelo produto –, achou que teria a solução.

O código de defesa do consumidor (CDC ) é bem claro em seus artigos, mas por que ainda insistem em não aceitá-lo? Digo aceitar porque tanto o fornecedor como o consumidor não conhecem o que rege as 26 páginas do mesmo.

A língua solta poderá me trazer problemas e um deles pode ser a perda do emprego. Temo por um lado devido aos compromissos assumidos perante a sociedade e a família; por outro lado, creio que devem existir empresas e administradores preocupados com o bem-estar de seus clientes e quem sabe queiram um cinqüentão em suas fileiras, mas tenha certeza meu amigo que a língua continua solta, porque poucos sabem o que é realmente vender, quer da pré até a pós-venda.

Oscar Schild, vendedor, gerente de vendas e escritor.
http://www.grandesvendedores.com.br





Oscar Schild
Enviado por Oscar Schild em 22/09/2006
Código do texto: T246335

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Sobre o autor
Oscar Schild
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 60 anos
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