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Os interiores da minha vida

Ver foto: http://letrasporletras.zip.net/arch2005-10-23_2005-10-29.html

(Por Cintia Gushiken, em pessoa)

O tempo passa e precisamos acordar! Os dias geralmente são curtos e nos vemos exaustos, acabados, mortos a cada final do dia, assim, passam-se as segundas, as terças, as quartas, as quintas, os sábados e os tristes domingos que antecedem as raivosas segundas novamente. Por causa disso esquecemos simplesmente... de viver! E para os poetas, pessoas sensíveis, por excelência, esta rotina atrapalha com muita frequência a produção literária. O mundo mudou tanto e se transforma tão rápido que tudo explica que é natural nos tornarmos saudosistas, sentir saudades da infância, da vida de menino, que corria pelos sítios pensando ser pássaro voante.

Sim, os sítios, os interiores da vida. Bem, eu vim do interior, interior de São Paulo e eu tinha um quintal enorme para brincar, fazer travessuras e colher umas laranjas para se fazer sucos na hora. No quintal, lá de casa haviam três pés de jacas, um de abacate, outro de goiaba e muitos limoeiros, laranjeiras e um pé de tamarindo que teve ter hoje uns 80 anos. E eu subia nestes pés, geralmente enormes que me fazem lembrar daquele pequeno trecho em que diz Fernando Pessoa..."sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura".

Os interiores daqui do Rio Grande do Norte eu não conheço mas ei de querer ir um dia a esses lugares, todos os interiores devem ser mágicos e ter lá suas histórias, suas passagens, seus modos e tantas saudades sentidas pelos filhos que vem morar na capital. Chegou os festejos de São José e muitas cidades comemoram a esperança das chuvas sertanejas. Sinto  conhecer o sertão apenas por livros.

Os sertões dos livros, são ricos e universais. Guimarães Rosa uma fez foi perguntado sobre a maestria com que escrevia, como construía a metalingüagem, a metafísica e ele respondeu que viveu no interior de Minas Gerais, ouvindo deste cedo os mais velhos contarem histórias, contos populares, lendas da região, porque o sertanejo costuma contar muitas histórias, narrá-las e ele, Guimarães Rosa, ao invés de contá-las ele fazia o contrário, ele as escrevia mas usando seu estilo. Aí se construía contos, lendas, misticismo, metafísica, metalingüagem, regionalismo, cor local e a voz universal.
Guimarães, diz que ao invés de consultar os doutores de universidades ele preferia ouvir os velhos sertanejos nos dias de angústia.

E eu prefiro o mesmo, a vida do sertanejo é mágica, típica de imagens ideais para fotografias, aqueles rostos sofridos que viram muito o chegar das chuvas, as mãos calejadas, as histórias que viraram lendas nas regiões. Eu hoje acordei sentindo saudades do que eu ainda não conheci, saudades do meu interior que hoje ficou lá atrás, mas que ainda hoje ele insiste em vir comigo, assim como os vaga-lumes correndo pelo escuro daquelas matas...

Cintia Gus
Enviado por Cintia Gus em 22/09/2006
Código do texto: T246815
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Sobre a autora
Cintia Gus
Tupã - São Paulo - Brasil
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Cintia Gus