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Corrupção: um processo histórico e endêmico


     Causa surpresa e indignação a manifestação de certas pessoas a respeito da corrupção no Brasil. Um dia desses, um “militar” reformado, escreveu uma furibunda nota num desses “espaços do leitor” de um jornal da Capital, protestando contra a corrupção. Parece que esses tais estiveram adormecidos por algumas décadas, ou por certo pertencem àquela "direita raivosa" que quer a volta daquela ditadura que devastou o Brasil. Eles não souberam ser governo, e muito menos oposição.

     A corrupção no Brasil, é lamentável dizer, é um processo histórico e endêmico. Nossa “descoberta” já foi uma fraude. A terra tinha dono. Depois, a exploração de nossas reservas (pau-brasil, ouro e minérios) foi outra vergonha. As “capitanias hereditárias! deram o tom da maracutaia com que foi formada nossa brasilidade. Já existia sacanagem no Segundo Império, quando Dom Pedro II pagava "mesada" (mensalão) aos deputados. A corrupção é algo devastador que caminha pari passu  com a nossa história. No tempo de Vargas falavam na "saúva", a ponto de a dupla caipira Alvarenga e Ranchinho advertir que “o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil... a pior saúva é a que mete a mão no capital... mas onde tem mais saúva é no Distrito Federal...”.

     Sabe-se que Vargas calava seus denunciantes com “cartórios” e outras mordaças. Sob os governos da ditadura pairam dúvidas quanto ao custo real da ponte Rio-Niteroi e da Transamazônica. Naquele tempo quem denunciasse era tachado de "subversivo", ia preso e perdia direitos. Covarde, a mídia calava e cantava “Este é um Brasil que vai pra frente, quá, quá,quá!”. O “avanço” foi tanto que a Transamazônica, “ciclópica obra da integração nacional” não ficou pronta até hoje. Falam as más-línguas que com o dinheiro empenhado para a ponte Rio-Niterói dava para terem construído uma via que fosse até a África.

     A “Nova República”, iniciada com Sarney em 1985 veio cheia de safadezas. Os planos econômicos, as mudanças de moeda, a URP, a OTN e outros ardis só serviram para “botar” no rabicó do povo. Um executivo de uma grande “fundação” aplicou uma enorme quantia nos bancos Marka-Sindan e Coroa-Brastel dois dias antes de essas arapucas quebrarem. O dinheiro nunca voltou e ninguém foi preso. A gente, a despeito de nossos protestos, se acostumou a ver a corrupção bem perto de nós, sem poder, praticamente fazer nada.

     Zelosa, min ha mulher costuma manifestar seu temor, no sentido de que alguém resolva me processar pela candência desses meus artigos de jornais e revistas. Eu tento acalmá-la, dizendo que eles não me processam com medo de eu provar que eles sejam corruptos mesmo. então, para não se arriscar, eles deixam por isso mesmo.

     Certa vez um empresário do ramo da construção civil, como eu não quis pactuar com uma safadeza profetizou: “O senhor vai se aposentar pobre!”. Até pode ser. Hoje tenho um apartamento, um carro e moral para chamar muito safado de ladrão. Tive amigos e colegas que, ganhando menos que eu, hoje têm vastos patrimônios. Só que na hora em se fala em “safado” muitos baixam a cabeça e desviam o olhar.

     No terreno da política tivemos outros mensalões (a CPI da “compra de votos”), outros "dinheiro em mala" (a CPI dos bancos, Proer, etc.) e casos escabrosos como o dossiê da “pasta rosa”, Sivam, manipulação do painel do Senado, etc.. Todos esses escândalos, por causa da maioria parlamentar do governo FH nunca vieram a furo. Foram criminosamente abafados.

     As coisas hoje aparecem mais porque a imprensa é mais livre e mais investigativa. A mesma mídia que hoje procura ver escândalo em todas as atividades do governo Lula, calou covardemente na ditadura, e de forma cúmplice nos givernos Sarney e FH.




Antônio Mesquita Galvão
Enviado por Antônio Mesquita Galvão em 27/09/2006
Código do texto: T250682
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Sobre o autor
Antônio Mesquita Galvão
Canoas - Rio Grande do Sul - Brasil, 74 anos
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