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Cansaço excessivo também é doença




Agência Estado


00:02 18/09


Parece até redundância falar em cansaço numa cidade como São Paulo. Mas vem aumentando os casos de fadiga crônica, em que a pessoa perde o ânimo até para curtir as horas de lazer e, mesmo quando dorme, já acorda cansada. Lapsos de memória, falta de concentração e dores no corpo são alguns dos sintomas.





Leia abaixo o texto


Como todo mal moderno, a doença começa com aquela palavra que já virou lugar-comum: estresse. Ele causa problemas físicos que afetam a mente e podem desencadear depressão e quadros clínicos graves. Os outros vilões são o sedentarismo, a sobrecarga de informação e um nível de toxicidade sem precedentes, tanto pelo ar poluído, ondas de celular e computador, como por alimentos.

Quem sofre do mal costuma ter uma febre baixa no final da tarde e aumento dos gânglios. Para o cardiologista e médico ortomolecular Marcos Natividade, o que define a síndrome da fadiga crônica é a diminuição em 50% das atividades por, no mínimo, seis meses. "É uma disfunção no sistema imunológico, as defesas ficam fragilizadas porque o organismo está intoxicado." Por meio do exame da gota de sangue, descobre-se os nutrientes que estão faltando, para serem repostos, tanto pela alimentação como por suplementos vitamínicos.

O estresse recorrente causa uma equação corrosiva no intestino. Aumentam os gases, e algumas bactérias "ruins" da flora intestinal começam a proliferar. Com isso, ficam prejudicadas tanto a capacidade de absorção dos nutrientes como a digestão. "Para piorar, os alimentos de hoje estão contaminados por adubos e agrotóxicos", fala Natividade. Esse quadro é agravado em mulheres que têm episódios recorrentes de candidíase, corrimento causado pela Candida Albis. "São fungos que tiram a energia da mulher." Se o quadro da fadiga crônica persiste, a falta de selênio pode levar ainda a alterações na tireóide.

"O grande aporte de tóxicos está ultrapassando a capacidade do corpo de eliminá-los", comenta o psiquiatra e médico ortomolecular Cyro Masci. "O consumo de açúcar é um dos grandes culpados. O refinado tem alto nível glicêmico e traz picos na sensação de euforia, mas que desce logo, fazendo a pessoa precisar de mais açúcar. Esse ioiô acaba desregulando o mecanismo de limpeza do organismo." Atenção: atualmente, em média, o pâncreas tem que liberar todos os dias a mesma quantidade de açúcar que nossos ancestrais consumiam por toda a vida!

UMA QUESTÃO DE ENERGIA

Certamente, há um componente psicológico que faz a diferença entre desenvolver a doença ou não. Para Masci, envolve o conceito de otimismo e pessimismo. "Uma das causas é o modo de se relacionar com o mundo. O otimista acredita que tem dentro de si a capacidade de mudar as situações, enquanto o pessimista acha que ela vem de fora." Essa ótica pessimista acelera a instalação do estresse permanente e a conseqüente fadiga crônica. "Precisamos parar para respirar, para comer, para dormir, para conversar", recomenda Masci. Na Europa, está se desenvolvendo, inclusive, um movimento chamado de "slow food", ou seja, o prazer de comer devagar e bem.

TRATAMENTO - Na medicina convencional, é muito comum que o caso seja tratado com antidepressivos. Já na ortomolecular, prescreve-se uma dieta com mais nutrientes, assim como mais exercício físico e uma nova postura no cotidiano. Além disso, são indicados suplementos vitamínicos específicos para cada caso. O tratamento costuma durar de seis a nove meses, mas, para ser efetivo, as mudanças na rotina devem ser permanentes.

Uma linha alternativa, a bionergopatia (que trata desequilíbrios energéticos), vê o problema de forma diferente. O terapeuta e pesquisador independente Geraldo Medeiros Jr. criou essa corrente há 20 anos. "Quando o estresse é contínuo, cria-se um vício. A carga elétrica é aumentada, e o oxigênio do corpo é reduzido: o primeiro órgão afetado é o fígado. Nesse estado, ele deixa passarem bactérias e toxinas."

Com o tempo, esses organismos invasores chegam ao timo, a glândula acima do coração que é responsável pelo sistema imunológico. Além de doenças, a pessoa passa a ter lapsos de memória e falta de concentração, pois uma das bactérias atinge o sistema neurológico. Em seu livro "Me Sinto Doente... E Ninguém Sabe o que Eu Tenho" (Editora Medeiros), Medeiros esclarece sobre o potencial energético e dá diversas dicas sobre vida equilibrada.

O tratamento com a bioenergopatia também envolve uma dieta mais saudável. Só que há ainda a parte energética: o paciente se submete a ondas de um aparelho de baixa corrente. "Isso elimina as toxinas."

TODOS SÃO VULNERÁVEIS

Por incrível que pareça, a síndrome da fadiga crônica atinge muita gente jovem, e até crianças. "Eu dormia mais de 12 horas, mas acordava cansada. No fim de semana, não queria ver ninguém, só pensava em dormir mais", lembra a corretora de imóveis Karina Lima, de 27 anos, que começou a ser afetada pelo problema há dois anos. Depois de fazer um tratamento com bionergopatia, ela recuperou o ânimo.

A situação do estagiário em Finanças, Eduardo Baldasso, de 25 anos, foi parecida. Há dois anos, ele passou por um período especialmente estressante quando teve de conciliar o trabalho em período integral com a produção de uma monografia para a faculdade. "Quando saía com os amigos, não conseguia aproveitar", conta. Ele fez terapia por algum tempo, e se recuperou com a reeducação proposta pela bioenergopatia.

Já o caso da consultora de imóveis Cleide Tozatto, de 54 anos, foi mais grave. Por 12 anos, ela teve não só um cansaço permanente, como até síndrome do pânico. "Eu sentia um perigo iminente, procurava um pronto socorro, fazia os exames e eles não acusavam nada", lembra. "Tinha medo de dormir, e isso gerava um cansaço permanente."

Para ela, a crise gerou perplexidade. Chegou até a pensar em vender o seu próprio apartamento para ir morar com os pais. Tentou os remédios tarja preta e vários outros tratamentos até encontrar a bioenergopatia. "Só então percebi que podia ser diferente. Voltei a ter desejos e interesses."

PREVINA-SE

- Caminhe, pelo menos, 30 minutos por dia, isso faz o metabolismo funcionar melhor.

- O ideal é ingerir dois litros de água por dia, quantidade que promove uma boa desintoxicação do organismo.

- De cinco a dez vezes por dia, respire de forma profunda e lenta. Isso não só acalma como também muda o PH do corpo.

- Esforce-se para comer alimentos com baixo índice glicêmico, ou seja, aqueles que demoram mais para se converter em glicose no sangue. Isso vai evitar picos que acabam alterando o sistema imunológico.

- Reserve um tempo para cultivar os próprios interesses, desligando-se completamente dos problemas relacionados ao trabalho.

- Evite usar produtos de limpeza e cosméticos que contenham álcool isopropílico, pois o corpo acaba absorvendo esse elemento tóxico.

Hedi Diniz
Enviado por Hedi Diniz em 05/10/2006
Código do texto: T256916
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Sobre a autora
Hedi Diniz
São Paulo - São Paulo - Brasil, 58 anos
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Hedi Diniz