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CAPITU CULPADA? TALVEZ? ACHO QUE SIM!

       CAPITU CULPADA? TALVEZ? ACHO QUE SIM!

               Como desde épocas remotas houve indignação de leitoras indignadas através de cartas, manifestações prosseguiram forçando jornais ao debate, vós chegou aqui uma nova resolução disso e estamos aqui para reabrir a discussão que literatos, estudiosos, filólogos, professores, leitores, entre outros leigos ou pós-graduados acadêmicos não conseguiram descriptografar de modo que lançaremos aqui como parte do júri de acusação novas versões sobre este caso que intriga a todos sem restrição de idade, credo, raça, sexo, enfim todos ainda não decifraram o mistério, mas estamos aqui para julgar Capitu, pois há muito desconfiamos de sua fidelidade e queremos por a prova disso através de argumentos que explicitem, corrobem, insertem-se neste contexto da maneira mais transparente possível e com o máximo de lisura.

 MOTIVOS DE ACUSAÇÃO: Como vimos em Enigma de Capitu livro bastante contrário ao próprio Machado de Assis o mesmo cria uma teoria de impregnação fisiológica que dá a entender que o filho de Dona Capitoliana(Capitu) seja  parecido com Escobar amigo de Bento Santiago, assim nos faz crer que o engajamento com que Bento Santiago alimentará a obsessão de ter sido traído por ambos transpõe um pouco dessa faceta apesar de muito pouco esclarecer, mas delongas temos em vista que outros argumentos irão injuntar a interpretar nossos embasamentos, ou seja, apresentamos aqui também outra “porta” para comprovar a infidelidade de Capitu, a defesa de Helen Caldwell que tenta reabilitar Capitu tem pouca clareza tendo em vista que  diz que o bastião das mulheres de classe média é conservadorista e que essa permissividade que leva a desagregação familiar seja escudo para um comportamento seguro, porém ela poderia estar fora do expediente se encontrando com Escobar ninguém com um relatório Kinsey pode dizer que a mulher tenha comportamento sexual distinto, pois não a examina como um exame ginecológico, enfim é pouco caso seguir estas palavras, léxicos que ao meu ver pouco adicionam a resolução da traição ou não de Capitu, nos autos constam bastantes evidências, momentâneas, às vezes, que provas de fidelidade ficam a strictus sensus a mulher como “propriedade do marido” é uma assertiva muito incorreta, mas Bento não estava com seu ciúme controlando, isto é, sendo dono dela ele apenas estava mostrando, explicitando, exteriorizando o quão afeto trazia por sua cônjuge, aliás, ângulos especiais de Bentinho trazem a tona o modo como desenrolar imensas acepções adicionará valores ou julgamentos corretos durante uma narrativa que o foco está dentro e fora da ficção pelo menos ao nosso ver, é de se conotar de agora em diante que podemos chamar Capitu de adultera somente por ter Bentinho pouco usado do artifício de exceder seus sentimentos, sua ilusão foi trajada por um tempo atemporal do texto, Ou melhor, não teve tempo como dizem a defesa de ter disposto razões para possessividade ao contrário ele é vitima da dissimulação de outros e não seria ele o dissimulador desta estória.
   Acusam Bentinho de ser comandante de um jogo de cartas marcadas, mas este fato é uma intriga da oposição que corroba pareceres falsos sobre os verdadeiros perversos da estória Capitu e seu amante Escobar, não houve obscuridade na narração de Bentinho e sim obscenidade por parte dos dois anteriores tanto que aqui e agora não usamos outros personagens externos, pois testemunhas serão pouco úteis aqui tamanha é a claridade que temos do amor de ambos e o Realismo Machadiano avulta tudo isso, Bentinho coitado, esse personagem sem culpa alguma, quem diz que ele matou e exilou Capitu é mentiroso, pois ela não pareceu cruel ao final da estória ela sim foi cruel e exagerada sem parecer aos olhos de Bentinho, ela se exilou na Suíça com o peso da consciência que a carregará de forma já exacerbada, talvez por isso tenha morrido de desgosto nas frias, gélidas e distantes terras daquele país, meus senhores e senhoras que aqui se encontram Bentinho nunca foi doentio como Mouro de Veneza e sim ele a grande vitima cai, morre, mórbido por dentro de um libelo aonde não foi passivo, mas também nunca fostes violento e assim concluímos com inúmeras certezas e sem quaisquer pudores de moral que apesar da traição ele sempre se manteve tácito quanto aos olhos oblíquos de Capitu que em longas noites mostravam uma certa incorrência de luxurias que só Bentinho não perceberá tomado por uma paixão ingênua, que acreditava e muito em auspícios discorridos por uma “pseudo companheira fiel”, traçamos aqui o paralelo que tudo isto não basta, temos em vista as lágrimas de Capitu no enterro de Escobar como lágrimas muito intimas e que comprovam que as mesmas nunca seriam lacrimejadas se fossem para o enterro de Bentinho no máximo a leviana Dona Capitoliana estaria chorando “Lágrimas de Crocodilo”, ai temos a prova de que ela era dúbia em oposição a Bentinho que sempre exultou-se no papel de bom marido e bom pai, as ambigüidades abrem circunstâncias perenes para o que podemos chamar interesses dualistas de visão que trarão a tona a inocência de Capitu, mas como toda mentira tem perna curta usaremos como provas menos cabais em relação as anteriores o fato dela ter utilizado das confissões de Bentinho como coisas emotivas de ciúmes coisa não correta, pois por mais casual que seja estas revelações ou acontecimentos subjetivos ele nunca iria expor seu sofrimento dessa maneira, ou seja, de forma totalmente falha e sim como ele tanto a amava procuraria uma forma de proceder em defesa dela mesmo que a mesma o traísse com meio mundo, Bentinho é santo, Capitu é meretriz, e dizemos isso com o maior fervor possível já que como vou me adiantar aos demais que irão defendê-la com o argumento que a mesma foi culpada por ser tomada por deformações nestas confissões partimos em defesa do cliente de forma a expor que isso seria uma afronta a própria consciência de Bentinho que não iria carregar pelo menos mais um peso na mesma já que não agüentaria suportar tal dor, suas faculdades mentais normais deixariam no maluco e sem razão para nem se defender, isto não é montagem de Bentinho ao contrário dos homens machistas ele era uma espécie de defensor do movimento favorável à equiparação e emancipação dos direitos civis e políticos da mulher aos homens tanto que uma de suas bases, pilares e diretrizes para esse conhecimento está na extensa leitura de Bentinho por uma expoente desse movimento Nísia Floresta ato que poucos conheciam espero até que a defesa de Capitu conheça tais, aliás, a bibliografia que Bentinho seguia era por exemplo de Comte criador do Positivismo e um dos mais racionais literários da defesa dessa emancipação, e agora pergunto Bentinho iria matar ou exilar Capitu? Hein? Alguém responde?
       Capitu é tão culpada quanto as dançarinas de cabaré, pois suja o nome das mulheres que buscavam nesta época como em anteriores e até mesmo contemporâneas firmação na sociedade, ela faz com que se classifiquem as mulheres de forma vulgar, fútil ao extremo formando um panegírico em torno das mulheres brasileiras, como você classificaria isso?
      Todos estão boquiabertos com esta análise que Bentinho teria um poder que não garante ter sido sincero em todos os momentos, mas quanto a Capitu uma mulher desse gênio o que se pode esperar? Ela é pior do que tudo, aliás, Bentinho mesmo incorresse em algum crime seria por excesso de adultério e falta de respeito desta dama mascarada por um caráter que nem Freud pode explicar, é uma proposta lúdica ver, acompanhar e entrar neste caso pelo menos para eles defensores, pois os mesmos brincam com a moralidade da sociedade usam uma política e filosofia que não explicam porque Capitu se sentirá tão culpada durante o enterro de Escobar e porque então o filho de Capitu se assemelhará tanto psicologicamente e fisicamente a Escobar e isto me faz crer no decorrer da estória Ezequiel seja uma cópia de Escobar como uma reencarnação do mesmo, porque isto?
Edemilson Reis
Enviado por Edemilson Reis em 12/10/2006
Código do texto: T262335
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Sobre o autor
Edemilson Reis
Vespasiano - Minas Gerais - Brasil, 27 anos
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Edemilson Reis