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Meu velho, meu amigo.



O ano é o de 1982, com doze anos, aquele garoto que se preparava para entrar para a pré-adolescência, acreditava que todas as coisas aconteciam de forma fácil e ordenada. Pois, ele trazia enraizada, toda a comodidade que a sua infância lhe proporcionara. Em sua concepção, apenas o fato de desejar as coisas, já era o bastante para conquistá-las. Na verdade, ele nunca se importou se os seus pais tinham condições financeiras para o sustento de suas vontades.

Contudo, o pai sempre buscava saciar as vontades de seu caçula. Porém, nunca fez além do possível. Sempre usou do bom senso, e assim sempre manteve as rédeas curtas e os pés no chão. Bastava apenas um olhar para que seu filho, mesmo que contrariado, aceitasse e entendesse conteúdo da situação.

Adolescência e rebeldia andavam juntas. E para o novo adolescente, a imagem do pai misturava-se com a de uma pessoa ultrapassada, careta, alguém que não sabia das coisas, parada no tempo.

O ano agora é 1997, o garoto torna-se um homem. Casa-se e descobre que aquele velho careta sempre foi o seu ídolo, e o pior, descobre também que perdeu um tempo incrível tentando ser o que não era, descobriu que perdeu um tempo precioso evitando um bom relacionamento com o seu pai. Descobre que enxergar é diferente de ver, descobre que ouvir os outros é muito importante e que existe hora e lugar para falar.

Em dois anos nasce seu primeiro filho, e só assim, o garoto adolescente, sente o que seu pai sentia. Somente assim, o garoto descobre que não é mais garoto e o que significa ser pai.

Esta história confunde-se com a de muitas pessoas. Em meu caso, confesso que o meu pai foi um dos maiores presentes que Deus pôde me dar.

Hoje sei exatamente o que é ser pai. Sei o que é chorar e o que é sorrir. Descobri o que são as noites calmas e as noites de insônia. Sei o que significa saúde. Sei exatamente o que meu velho queria dizer com aquela frase “come tudo meu filho”, “assim você não cresce”. Sei que ele é o meu velho, meu amigo. Sem sombra de dúvidas este é o maior presente e também o maior desafio do homem: ser pai.

Hoje, vibro com meus pequenos, não descanso, não sossego, às vezes sou mais criança que eles. Cada nova etapa, cada obstáculo vencido, é motivo para uma nova festa, é motivo para um podium. Sou assim, sou como meu pai, faço a festa com os meus pequenos, pois aprendi isso com ele, isso esta no sangue, esta na alma.

Meu pai foi ótimo, ensinava-me com um olhar. Ensinou-me a ser correto, ensinou-me boas maneiras, deu-me oportunidades e o mais importante, sempre esteve ao meu lado. E eu sempre vou estar ao lado dos meus filhos. Porque descobri que ser pai é isso, é suor e lágrimas, é o êxtase de sentir-se copiado, saber que seus atos exemplificam, saber que para alguém você é muito importante, saber que para alguém você é um Herói.

Hoje sei o que meu pai sabia, sinto o que ele sentia, penso o que ele pensava. Hoje sei por que sempre serei o seu bebê, pois é isto que os meus filhos sempre serão para mim.

Só uma coisa me entristece, é saber que precisei crescer para reconhecer o meu grande amigo. O que me entristece, é saber que deveria ter crescido no intelecto e não apenas no tamanho físico, deveria ter aumentado a minha compreensão e não apenas minha idade. O que me entristece, é saber que deveria ter aberto meu coração há muito mais tempo e aproveitar mais a sua companhia, os seus abraços, sua sabedoria.

Hoje sei que ele o meu alicerce. Hoje sei que ele foi o meu maior fã. Sei também que agora é a hora de dizer obrigado, pois ele é á base primordial que transformou-me no homem que sou.

Amigo leitor, lembre-se que envelhecer é algo absolutamente natural, mas crescer e aprender é opcional.
 
Reginaldo Cordoa, futuro Administrador de Empresas e Apaixonado pela Vida.
09/10/2006
Reginaldo Cordoa
Enviado por Reginaldo Cordoa em 13/10/2006
Código do texto: T263498
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Sobre o autor
Reginaldo Cordoa
Matão - São Paulo - Brasil, 46 anos
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Reginaldo Cordoa