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A importancia da leitura no processo de aprendizagem nas séries inicíais

A IMPORTANCIA DA LEITURA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM NAS
SÉRIES INICIAIS

                                                                GONÇALVES, Michelle Cristianne de Souza


RESUMO

A questão relativa a leitura e ao gosto de ler, vêm sendo discutida há muito tempo. São muitas e diferentes circunstâncias da vida, e todas as formas de ler são relevantes. A função primordial da escola é ensinar a ler, ampliar o domínio dos níveis de leitura e de escrita, porque quem não sabe ler, consequentemente não saberá escrever. Principalmente pelo fato dos alunos não possuírem o gosto pela leitura é que essa tarefa fica ainda mais difícil. O ensino da leitura e do hábito de ler é fundamental para dar solução a problemas relacionados ao baixo aproveitamento escolar, ao fracasso geral dos alunos. Para se desenvolver desde cedo o gosto pela leitura é preciso haver a participação e a presença contínua do professor, que deverá atuar como mediador e ser, antes de tudo, um leitor. Foi elaborada pesquisa bibliográfica, dando fundamentação teórica de vários autores, dentre eles, Alves (2004), Coelho (1981), Freire (2000), Freire (2003), Lajoro (2000), Micheletti (2000), Kleiman (2002), Tiba (1998), Zilberman (1998). Essa pesquisa leva os docentes a refletirem sobre o ato de ensinar aprendendo.
                                                       
Palavras-chave: Leitura, Ensino aprendizagem, Hábito de ler

1 INTRODUÇÃO

          A leitura deve ser uma atividade diária na Educação Infantil. Incentivar o desenvolvimento de comportamentos leitores antes mesmo de a turma aprender formalmente a ler. Como a maioria das crianças de creche e pré-escola não são alfabetizada, a leitura deve ser feita pelo professor, incentivando os alunos a folhear as páginas, observar as imagens e os textos.
         
          Entretanto, existem dois modelos básicos de leitura para estimular o processo de aprendizagem: o contato pessoal da criança com o livro, como foi explicado acima. E a roda de leitura, em que o professor lê para toda a turma. Nesse caso, é preciso sempre planejar a atividade, escolha do texto e às formas de interação.

         Assim sendo, o hábito de ler pode aproximar as crianças do mundo letrado. A leitura alimentará o imaginário e o aluno incorporará essa experiência, à brincadeira, ao desenho e às histórias, que todos os pequenos gostam de ouvir ou contar. Dessa forma o processo de aprendizagem será estimulado naturalmente.
     
       
2 A LEITURA NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM

          A leitura não é mais considerada mera decifração de sinais, letras, palavras. Ela vai além do que está escrito no papel ou em qualquer outro veículo de comunicação. O ato de ler deve ser desenvolvido desde a infância, alimentado durante a adolescência e mantido pelo resto da vida. Essa prática se consolida a partir do momento em que a literatura toma os leitores pelas mãos, e os levam a conhecer o mundo da imaginação.

          Quem não lê, só vê uma parte das coisas do mundo. Muitas vezes, no meio de uma conversa, ouvimos falar de uma pessoa ou de uma história que o amigo conhece através da leitura, quem não leu fica de fora sem saber o que dizer. Percebe-se a importância de saber não só o que esta a nossa volta, mas também o que está dentro dos livros. Ler consiste em se fazer a leitura do mundo (Freire, 1987). Segundo Micheletti (2000, p. 68), O processo de leitura e de aprendizagem é composto por etapas:

 A primeira seria a decodificação de sinais e é apenas o primeiro momento do processo, quando acontece a decifração dos sinais gráficos. A segunda seria a atribuição de significações, pela qual o indivíduo apreende uma significação de superfície e promove uma desmontagem do texto para atingir o significado do discurso. A terceira etapa seria a ativação de todo o conhecimento de mundo que o indivíduo possui, colocando em ação suas experiências e vivências, as quais estabelecem um elo com o texto, a quarta seria a reconstrução de si mesmo. O leitor refaz o texto, agora acrescido das suas experiências, surgindo assim um texto significativo para ele. E, por fim, a quinta etapa, a imersão do indivíduo no universo das palavras e a ampliação de seu conhecimento.

          Entretanto, incentivar a leitura e o gosto pela mesma é papel do professor em conjunto com os pais. O professor tem que ter a consciência que não será apenas pelo livro didático que ele terá sucesso nessa proposta de ensino, mas sim por meio de vários gêneros textuais trabalhados em sala de aula. Os pais devem reforçar o incentivo da leitura em casa, pois é um exercício que beneficia o aprendizado na escola.
         
          Sendo que, a leitura é o fenômeno que respalda o ensino da literatura e, ao mesmo tempo, o ultrapassa, porque engloba outras atividades pedagógicas. Zilberman (1998, p. 36) tece seu comentário dizendo que:

De modo que a literatura, enquanto evento cultural e social depende do modo de como a leitura é encarada pelos professores, por extensão, pelos livros didáticos que encaminham a questão; pois de uma maneira ou de outra, eles se encarregam de orientar a ação docente em sala de aula.
         
          Uma sociedade que sabe se expressar, sabe dizer o que quer, é menos manobrável. Já no plano familiar, verifica- se a troca social de informações pelo uso de televisão, vitrine de moda e conceitos de filmes. A falta do hábito pela leitura e do provável problema que pode desencadear é uma questão que Zilberman (1998, p.65) defendendo que:

um trabalho diversificado e criativo com a leitura tem sido cada vez mais necessário na escola atual, tendo em vista as crescentes transformações e exigências da nossa sociedade e do mercado de trabalho, quanto à capacidade de ler e interpretar textos. O aluno tem que tomar gosto pela leitura.
         
          Ler para as crianças é igualmente importante para elas se familiarizarem com o hábito da escuta. Os temas, é óbvio, devem estar de acordo com os interesses mais genuínos da idade, como afazeres cotidianos, bichos etc. KLEIMAN (2002). A formação de leitores é uma tarefa para a vida toda. Ler não é um simples fato biológico, apesar de envolver visão, neurônios e outros aspectos fisiológicos, é um ato eminentemente cultural é também produção de significados. Rubem Alves (2004, p.49) faz uma comparação entre leitura e virtude gastronômica dizendo que:

Ler requer uma educação da sensibilidade, uma arte de discriminar os gostos. O chef prova os pratos que prepara antes de servi-los. O leitor cuidadoso, de forma semelhante “prova” um pequeno canapé do livro, antes de se entregar à leitura.
     
          Por isso a leitura deve ser compreendida e valorizada como um gesto e gosto individual, onde o leitor possa antecipar mundos que ainda não existem. Ter a sensação de que o livro é um amigo, um companheiro. Ler é a maneira mais gostosa de fazer perguntas, o jeito mais simples de viajar pelo tempo, o caminho mais seguro para aprender, a forma mais intima de rir e alimentar o espírito. Para Zilberman (1988, p.35),
     
Pensar a questão da formação do leitor não significa, portanto, constatar tão-somente uma crise de leitura; o tema envolve uma tomada de posição relativamente ao significado do ato de ler. Associa-se a ele um elenco de contradições, originário, de um lado, da organização específica da sociedade brasileira, de outra, do conjunto da sociedade burguesa e capitalista.
     
          A Escola não pode contentar-se com uma leitura mecânica, a Escola pode e precisa comprometer-se com uma leitura abrangente, crítica, inventiva. Só assim estará ensinando seus alunos a usar a leitura e os livros para viver melhor. Não só na vida escolar deles, mas também na vida fora da escola. Afinal a Escola e o professor são responsáveis pela iniciação de seus alunos nos caminhos da leitura, para que assim seja lapidado o seu senso crítico como indivíduo ativo na sociedade em que vivem. Freire (2003, p.11) argumenta que:
 
Compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica, implica a percepção das relações entre o texto e o contexto.
         
          Na escola, o texto não deve ser trabalhado como pretexto para se ensinar gramática ou valores morais, mas sim como um aprendizado em si mesmo, levando o aluno ao prazer da leitura. A leitura é uma atividade essencial a qualquer área do conhecimento. Está intimamente ligada ao sucesso do ser que aprende.  Através do hábito da leitura, o aluno pode tomar consciência das suas necessidades (auto educar-se), promovendo a sua transformação e a do mundo.

          O livro pode ser considerado como precioso recurso de ensino, no entanto, não é tão popular como o giz, o quadro negro, o lápis e o caderno. É grande o número de livros editados, com inúmeros títulos diferentes que poderiam, se bem utilizados, concorrer para a melhoria da qualidade do ensino.
     
          O significado mais íntimo e profundo da leitura será diferente para cada aluno e também desigual para cada um em diferentes momentos da vida. Mas é através de várias leituras e da compreensão do texto que o aluno passa a compreender o mundo e entendê-lo melhor. Saber o que está entre linhas é o que vai fazer a grande diferença na hora desse aluno ser crítico e dar sua opinião. Para Kleiman (2002, p.42) a duas maneiras dos alunos compreenderem o texto, sendo elas:

Duas atividades relevantes para a compreensão de texto escrito, a saber, o estabelecimento de objetivos e a formulação de hipóteses, são de natureza metacognitiva, isto é, são atividades que pressupõem reflexão e controle consciente sobre o próprio conhecimento, sobre o próprio fazer sobre a própria capacidade.

          Pais e professores que lêem livros para as crianças estão contribuindo para terem futuros leitores, com um caminho infinito de descobertas e de compreensão do mundo. Existem vários gêneros para desenvolver o gosto pela leitura do aluno, assim como contos, livros de poesias, clássicos da literatura reduzido o número de páginas, o qual não perde seu encanto e nem a poesia da história. O importante é a conscientização de que, ao ler para uma criança, além do prazer que esta leitura em si proporciona, estaremos contribuindo para educar-lhe o ouvido e a sensibilidade.
         
          Esse papel de intermediário pode afastar da prática docente o artesanato que a leitura exige. O que se reserva aos professores de hoje, a partir inclusive de sua formação profissional, é a divulgação de livros, decifração de significados, a intermediação e o patrocínio do consumo de textos impressos. E só muito incidentalmente, e como que por acréscimo, a iniciação de jovens na leitura, talvez porque, em nossa tradição cultural, a leitura, como prática coletiva, só exista muito esgarçadamente.
         
          A discussão sobre leitura, principalmente sobre a leitura numa sociedade que pretende democratizar-se, começa dizendo que os profissionais mais diretamente responsáveis pela iniciação na leitura devem ser bons leitores. Um professor precisa gostar de ler, precisa ler muito, precisa envolver-se com o que lê. E a gravidade aumenta quando se sabe que, para muito além do conhecimento mecânico de metodologias e técnicas de desenvolvimento da leitura, a formação de um leitor exige familiaridade com grande número de textos.

          É preciso, pois, que haja espaço para leitura nos cursos destinados aos profissionais de leitura. Em alguns cursos, a ênfase fica geralmente por conta da prescrição de títulos e do treinamento em atividades como fazer cartazes, recortar figuras, dramatizar textos, fazer jograis. Atividades interessantes e que podem realmente tornar mais agradáveis o tempo de escola, mas que são inócuas quanto ao papel que representam na interação leitor livro, que é, afinal, aquilo em que a leitura consiste.
         
          É importante frisar também que a prática de leitura patrocinada pela escola, precisa ocorrer num espaço de maior liberdade possível. A leitura só se torna livre quando se respeita, ao menos em momentos iniciais do aprendizado, o prazer ou a aversão de cada leitor em relação a cada livro. Lajoro (2000, p.68) tece seu comentário dizendo que:

quando não se obriga toda uma classe à leitura de um mesmo livro, com a justificativa de que tal livro é apropriado para a faixa etária daqueles alunos, ou que se trata de um tema que interessa àquele tipo de criança. A relação entre livro e faixa etária, interesses e habilidades de leitura é bem mais relativa do que fazem crer pedagogias e marketin.
       
          Ou seja, ler e ouvir histórias ou outro gênero não é e não deve ser apresentado ao aluno apenas como um lazer, um passatempo, mas também como, um recurso valioso e agradável para a predisposição à aprendizagem e para sua complementação, pois ao longo da leitura o leitor possui um grau de previsibilidade sobre o encaminhamento que será dado ao texto, fundamentado tanto em seu conhecimento de texto e de mundo como nas informações fornecidas pelo texto que está sendo lido. Coelho (1981, p.22) defende que:

Toda leitura que, consciente ou inconscientemente, se faça em sintonia com a essencialidade do texto lido resultará na formação de determinada consciência de mundo no espírito do leitor, assim o leitor descobrirá qual a relação do lido e seu mundo.
         

           A experiência do leitor, os objetivos da leitura e a complexidade do texto em questão serão determinantes para a rapidez com que essas atividades sejam realizadas e para o próprio resultado da atividade. O professor tem o dever de enfatizar para o aluno que o leitor não deve extrair do texto um único significado, aquele que acredita ser o do autor. Para Alves (2004 p.37) o que importa é que:

à aprendizagem nesse caso não é o próprio texto, mas o conteúdo por ele veiculado, pois o mundo parece ser feito apenas de coisas que se vê nele. Mas há outras que não vemos, embora existam. São as coisas que lemos, elas estão escondidas no meio das letras. É preciso ler para que elas apareçam diretamente em nossas cabeças.

          Assim sendo, quem não procura se informar através da leitura, só vê uma parte das coisas do País, do mundo. E é aquela parte que a elite escolheu para apresentar à grande massa, à população. Ignorar o saber é não buscar nos livros a solução para vários problemas. Quando descobre o saber, a pessoa começa levantar suas próprias hipóteses, então o novo saber encaixa-se ali e dispara a integração dos outros conhecimentos. (TIBA,1998).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ensinar a ler e a ter o hábito da leitura não é uma tarefa fácil para o professor, mas sim um desafio indispensável para todas as escolas e áreas/disciplinas. Uma vez que ler é o meio básico para o desenvolvimento do processo de aprendizagem e da capacidade de aprender. Constituir competências para a formação do estudante, responsabilidade maior da escola.
 
Então dar condições ao estudante para que se aproprie do conhecimento historicamente construído e se insira nessa construção como um produtor de conhecimentos, é compromisso da Escola. Ensinar a ler para que se torne capaz dessa apropriação, pois o conhecimento acumulado está, em grande parte, escrito em livros.

Portanto, quando o professor conduz o aluno ao domínio da leitura e da interpretação, esse aluno não está apenas transpondo a língua que já fala para um outro código, mas está aprendendo uma outra língua, a língua escrita. Isto porque a língua falada não é a mesma que escrevemos. Havendo, assim, aprendizagem específica que deve ser considerada por todos os docentes, valorizando a humanização e o nivelamento dos direitos em nossa sociedade. Leitura e o hábito de ler pode ser o caminho para resolver grandes partes dos problemas mais freqüentes em salas de aula.  Com o empenho e dedicação dos professores os alunos tornaram hábito o ato de ler.

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Entre a Ciência e a Sapiência: O Dilema da Educação. Ed. Loyola-Ipiranga. São Paulo. Ed. 11, 2004.
COELHO, Nelly Novaes. A Leitura infantil: História-análise.São Paulo-SP. Quirón, Ed.1981.
FREIRE, Paulo. A Importância do Ato de Ler: em Três Artigos que se Completam. 45. ed. São Paulo: Cortez, 2003.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 17. ed. Rio Janeiro: Paz e Terra, 1987.
LAJOLO, Marisa. Do mundo da Leitura para a Leitura do Mundo. 4ª Ed. – São Paulo: Ática, 2000.
MICHELETTI, Guaraciaba. A Leitura como Construção do Texto e Construção do Real. In Leitura e Construção do Real. São Paulo: Cortez, 2000. v.4.
KLEIMAN, Ângela. Textos e Leitor: Aspectos Cognitivos da leitura. 8ª ed.Campinas-SP: Pontes, 2002.
TIBA, Içami. Ensinar Aprendendo: Como superar os desafios do relacionamento professor aluno em tempos de globalização. São Paulo: Gente, 1998.
ZILBERMAN, Regina. A Leitura e o Ensino da Literatura. São Paulo-SP; Contexto, 1998.
Michelle Gonçalves
Enviado por Michelle Gonçalves em 27/11/2010
Código do texto: T2639853

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Michelle Gonçalves
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