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A queda do avião da Gol

A recente queda do avião da Gol, que causou a morte de mais de 150 pessoas, comoveu o país e traz novamente à análise a questão das mortes coletivas.

            Afinal o que determina reunir pessoas de diferentes idades, origens e outras distinções, no mesmo momento, em determinado lugar, num acidente que lhes ocasiona a morte? Interessante porque, em muitos casos, nem todos morrem; em outros, como no caso em referência, todos perderam a vida. Que critérios determinam essas diferenças?

            É ingenuidade classificar isso como acaso, sorte ou azar. Em casos assim é preciso enxergar além das aparências.

            Alguns questionamentos podem surgir: a) a morte dói? b) a separação da alma e do corpo é dolorosa? c) aqueles que morreram num mesmo acidente encontram-se e se vêem imediatamente? d) qual a sensação imediata ao recobrar-se a consciência no novo estado? e) e esta consciência é recobrada imediatamente ao acidente? f) por quê Deus permite tais tragédias? g) os desdobramentos de um acidente são idênticos para os envolvidos?

            Não se assuste o leitor. Essas e outras questões podem ser levantadas e geram um bom debate para entender o assunto. E cada uma delas é, por si só, fonte de inúmeros outros desdobramentos, impossíveis de serem tratados neste pequeno espaço. Por isso é bom estimular ao estudo completo do tema, que não se esgota...

            Numa análise prévia, consideremos que nós, os seres humanos, não somos esse corpo que usamos, estamos nele temporariamente. A morte biológica do corpo não significa a extinção do ser essencial, que continua a viver em outra dimensão, tão ou mais real quanto essa que experimentamos.

            Possíveis sensações, angústias, dores, reencontros, retomada da consciência e desdobramentos seqüenciais são inerentes à condição moral e espiritual de cada envolvido. Não há como definir de maneira generalizada, pois a reação individual é distinta para cada caso. Os corpos que usamos são apenas trajes que abandonamos quando perdem a utilidade.

            Por que Deus permite tais acontecimentos? Podemos dizer, em síntese, que tais flagelos são provas que fornecem ao homem a ocasião de exercitar sua inteligência, de mostrar sua paciência e sua resignação à vontade de Deus, e o orientam  para demonstrar seus sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se não se está dominado pelo egoísmo. E, normalmente, reúnem seres que se submetem a provas e expiações inerentes à própria evolução individual e coletiva.

            A Doutrina Espírita tem extensa contribuição a oferecer no entendimento da questão, onde se compreende a justiça, bondade e misericórdia de Deus para com seus filhos, que somos todos nós. Para tanto, porém, é preciso estudar e até compreender o sentido das palavras provas e expiações.

            Recomendamos, pois o estudo das questões 163 a 165, 737 a 741 de O Livro dos Espíritos. O conhecimento refletido da imortalidade, da reencarnação e da comunicabilidade dos espíritos  trarão o consolo que conforta e a consciência que tais tragédias não são fatos isolados, mas desdobramentos necessários que entenderemos mais perfeitamente no futuro que nos aguarda.

            Remetemos o leitor, todavia, ao capítulo 18, intitulado Resgates Coletivos, da obra Ação e Reação (ditada pelo Espírito André Luiz na psicografia de Chico Xavier), que trata justamente de um acidente aéreo com muitas vítimas. Trazendo valiosas informações sobre as diferentes situações espirituais dos envolvidos, tanto no aspecto de libertação da situação difícil do desencarne violento quanto à questão das possíveis causas no passado, o capítulo – assim como todo o livro – é rico de informações e de motivações para amplo entendimento da questão.

            Além de abordar aspectos abrangentes, inclusive quanto à vinculação com familiares e demais pessoas reunidas num mesmo acidente, o capítulo todo traz expressiva característica de esperança para as conquistas evolutivas dos espíritos, que, aliás, diga-se de passagem, somos todos nós na busca incessante do aprimoramento moral.

            Seria difícil selecionar trechos para transcrever no espaço de um simples comentário. O capítulo todo é muito valioso e um estudo atento de seus parágrafos trará esclarecimentos de vulto ao leitor interessado. Fica, pois, nossa sugestão de consulta ao citado livro.

            O fato maior, contudo, que prevalece, é a misericórdia de Deus para com todos nós, espíritos em processo de aprendizado.

            Diante desses fatos, alarguemos nossa compreensão para entender que existem razões ocultas ao nosso limitado conhecimento. Nos bastidores de cada vida estão as razões que determinam acontecimentos que, embora pareçam trágicos aos nossos olhos, significam libertação para espíritos que buscam a própria reabilitação. Os fatos contemplados e vividos  nem sempre trazem a realidade que os motiva...

            Estudemos para compreender. Sem julgamentos, sem temor, sem revoltar-se, mas, especialmente direcionando nossas vibrações de amor e fé a esses irmãos que quitam-se perante a própria consciência.

Orson
Enviado por Orson em 16/10/2006
Código do texto: T265786
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Sobre o autor
Orson
Matão - São Paulo - Brasil, 56 anos
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