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Duas questões de pai para filho.


Um rico empresário pensava seriamente em se aposentar e deixar a administração de suas empresas e de sua fortuna sob os cuidados de seu filho, um belo jovem de 25 anos que acabara de se formar.

O rapaz também aguardava com ansiedade a chance de mostrar seu talento dirigindo as empresas do pai, já havia inclusive começado há alguns anos a trabalhar em uma delas para que pudesse se inteirar dos negócios da família.

Contudo, o pai, homem prudente, resolveu antes de consumar seu intento , testar o rapaz. Foi então que chamou o filho e disse:

- Meu filho, como sabes, quero me aposentar, curtir um pouco a vida ao lado de sua mãe, e para tanto, necessito de deixar as empresas em suas mãos, porém, antes de sacramentarmos as coisas, quero que me responda a duas simples questões.

O jovem, feliz em ver que logo assumiria o comando da situação mediante a apenas duas simples questões, eufórico pediu ao pai:

  -Então vamos lá, formule as perguntas:

E o pai começou:

1 – Meu filho, o que achas da legalização do aborto?

O jovem, com ar de vitória diante de tão simples pergunta,  respondeu de bate pronto:

 - Cada qual tem o direito de fazer o que bem entender de sua vida, julgo que legalizar o aborto equivale a dar liberdade as pessoas para escolherem seus caminhos. Ninguém é obrigado a fazer aquilo que não quer. No mais, a legalização do aborto acabaria com clínicas clandestinas e a morte de muitas mulheres que se submetem a elas.

O pai, apenas disse:

 - Certo, agora farei a segunda pergunta:

2 –O que achas da amizade?

O jovem nem bem refletiu na questão formulada e começou:

- Amizade? Não acredito em amizade sincera, as pessoas se relacionam apenas por conveniência, quando alguém lhes interessa elas se aproximam, quando este alguém já não pode mais lhe oferecer o benefício elas se afastam. Sim meu pai, aprendi com a vida que não podemos nem devemos confiar em ninguém.

Após as duas respostas, o pai olhou bem nos olhos do filho e com tristeza na voz comentou:

 - Meu filho, é uma pena que penses dessa forma, me considero um pouco culpado, deveria ter dedicado um tempo maior a tua educação; cuidei bem das empresas, no entanto, te releguei a segundo plano. Me perdoe, todavia, não poderei deixar nada sob teus cuidados.

 - Mas como?  Perguntou o jovem entre espantado e triste.Creio que minhas respostas foram todas coerentes.

 - Nada disso filho, tua resposta referente ao aborto indica que não estás preparado para absorver novas idéias, nem novos colaboradores, nem novos fornecedores, tampouco, enfrentar crises de mercado. Ao se deparar com novas iniciativas certamente você as abortaria. Ao receber novos colaboradores certamente você os sufocaria, ao entrar em contato com novos fornecedores você os espantaria, ao ver dificuldades você tentaria se safar delas em vez de enxergá-las como oportunidade de crescimento.

 - E tua resposta concernente a amizade demonstra que precisas primeiro amadurecer tua maneira de enxergar a vida e as pessoas. Um líder deve saber observar o que há de positivo em seus liderados para que possa deles colher bons frutos. Um líder deve sobretudo formar amigos, dar-lhes sustentáculo, enfim, plantar confiança para colher amizade e resultados positivos. Meu filho, não há verdadeiro sucesso sem amigos ao lado!

Com tuas respostas filho, vejo que em vez de curtir a vida com tua mãe, vou sim é dedicar-me a você, ficar mais a teu lado e passar o que a vida me ensinou nestes 65 anos.

Os pensamentos revelam o que vai na natureza íntima de cada criatura.

Se quisermos realmente saber como alguém se comportará ao assumir o poder, observemos como ela se comporta diante de assuntos do cotidiano.

Pensemos nisso!




Wellington Balbo
Enviado por Wellington Balbo em 17/10/2006
Código do texto: T266597
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Sobre o autor
Wellington Balbo
Bauru - São Paulo - Brasil, 41 anos
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Wellington Balbo