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QUAIS AS CAUSAS DO SUICÍDIO?

Prólogo:

Dados da Organização Mundial de Saúde dão conta de que um milhão de pessoas se suicida por ano, o que dá 16 para cada 100.000 habitantes no mundo, ou um suicídio a cada 40 segundos! Espantado com esses dados caro leitor? Hoje as guerras, homicídios e acidentes automobilísticos somados não se igualam ao número de suicídios no planeta Terra.

Resolvi escrever e publicar este texto em atenção a uma admiradora incondicional e mãe dos meus filhos, refiro-me à tiazinha Fátima. Na ocasião ela me perguntava se eu poderia escrever sobre as causas do suicídio. Ora, não sou especialista no assunto, mas entendi essa solicitação como um desafio a ser vencido.

Creio e todos sabem que não é conveniente a um autodidata, leigo, bronco, talvez demasiado pragmático, falar ou escrever sobre o suicídio. Leitores mais leigos e visionários do que este projeto de escritor de meia-tigela tendem a urdir um entendimento equivocado sobre o interesse de quem não é especialista comentar sobre um assunto tão nefasto e delicado.

Afirmo que NUNCA TIVE interesse em pensar, ler ou escrever sobre as causas do suicídio. Todavia, para atender a uma solicitação de alguém muito especial (desde 1967 quando a conheci ela contava apenas 13 anos de idade e eu 17 anos) e com vistas a esclarecer pessoas outras interessadas nesse assunto, escrevo sem a pretensão de querer ser o dono da verdade e/ou tampouco fazer apologia a tão radical atitude.

Entendo que não se poderá responder com exatidão as causas que levam uma pessoa a tirar a própria vida. Tentarei explicar, como entendo ser tão trágico esse momento.

Desequilíbrio emocional, problemas socioeconômicos, solidão, doenças crônicas, insanidade mental, relação afetiva (amorosa) caótica, enfim, não há causa única que explique um ato radical contra a vida.

A depressão, que hoje já é considerada um caso de saúde pública em muitos países, quase sempre está por trás dos casos de suicídio.

Soma-se o fato de que ficou muito difícil viver nesse mundo, uma vez que o sonho de felicidade fica mais distante a cada dia, cada vez mais somos forçados a uma rotina que nos transforma de seres humanos em autômatos de uma sociedade que não tem e nem faz mais questão de possuir algum pudor fraterno e de solidariedade entre as pessoas.

Crianças, animais, mulheres, idosos e a natureza são desrespeitados e vilipendiados a cada instante com a conivência da sociedade e descaso das autoridades como um todo. Tudo está resumido nas duas grandes regras sagradas de vivência e convivência dessa sociedade: consumo e aparência.

Pessoas querem, a qualquer custo, consumir sem poder ou sem se esforçar para isso e manter uma aparência tão volátil quanto sua fragilidade emocional ou amor-próprio.

O certo é que no exato momento da radical decisão de dar cabo da própria vida vem um arrependimento que nem sempre se torna eficaz a ponto de evitar as consequências nefastas do fatídico ato tresloucado. Não sou juiz! Não julgo para não ser julgado.

Compreendo, entretanto, que a autoestima do suicidário está muito abaixo do que se deseja para a plena felicidade preestabelecida pelo criador e arquiteto do universo. Essa crença fortalece minhas convicções e me faz suportar vicissitudes há pouco tempo (10 de dezembro de 2010) vivenciadas com excesso de dor lancinante.

Resta-me considerar esse sofrimento pungente, que eu não quis e tampouco desejo para ninguém, um segredo de família para não dividir com outros a dor surda que não ouve meu pranto silente e inconsolável.

Os religiosos dizem que a falta de Deus ou sentimento religioso mais forte é a maior causa dessa grande desgraça (suicídio). Não sei! Queria saber o verdadeiro motivo, mas não sei.

Como tantos outros curiosos que já ousaram escrever sobre esse polêmico assunto traço ilações, faço investigações e conjeturas baseadas em dados estatísticos os quais são passíveis de erros e inexatas conclusões.

CONCLUSÃO:

Podemos citar as causas que levam ao suicídio de uma pessoa:

1. Desequilíbrio emocional;
2. Problemas socioeconômicos;
3. Solidão;
4. Doenças crônicas;
5. Insanidade mental;
6. Relação afetiva (amorosa) caótica;
7. Depressão.

Claro que poderão existir outros fatores, mas entendo serem estas as principais causas do cometimento do suicídio.

"A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todas nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Entretanto, por que 'não se tem esse direito? Por que não é livre o homem de pôr termo aos seus sofrimentos? Ao Espiritismo estava reservado demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram que o suicídio não é uma falta somente por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para certos Indivíduos, mas também um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, antes o contrário é o que se dá, como no-lo ensinam, não a teoria, porém os fatos que ele nos põe sob as vistas." Allan Kardec ("O Livro dos Espíritos", comentário à resposta da questão 957).

No dia 12 de maio de 1979 o jornal "O Globo" reuniu alguns profissionais para debater o suicídio e suas razões. A reportagem intitulada "Suicídio - uma doença social de multas causas" merece ser lida porque é matéria que nos permite inúmeras reflexões.

Nela podemos observar que no Rio de Janeiro os telefones do Centro de Valorização da Vida – CVV recebem cerca de 100 ligações por dia e que em São Paulo há 30 tentativas de suicídio por dia, das quais três são fatais.

Estatística sobre o Rio de Janeiro não é mencionada. Estes números chamam a atenção de qualquer pessoa, principalmente daquelas que ouviram Allan Kardec solicitar esclarecimentos sobre quais são, em geral, as consequências do suicídio sobre o estado do Espírito na questão n° 957 de "O Livro dos Espíritos".

Observamos lá que as consequências do suicídio são muito diversas, mas que uma consequência à qual o suicida não pode fugir é o desapontamento.

Na reportagem de "O Globo" o médico Fernando Marques dos Reis ensina que há vários suicídios históricos na política de Roma, lembrando o de Marco Júnio Bruto (em latim: Marcus Junius Brutus - Suicidou-se em 42 a.C., após a derrota na Batalha de Filipos), como está no "Júlio César", de Shakespeare, e chegam até nós com Camillo Castelo Branco, Santos Dumont e Getúlio Vargas.

Mas o grande interesse do tema recorda o médico, está em que o suicida é, antes de tudo, o deprimido, e, como diz o Dr. Paul Lüth, estudioso de história da Medicina, "a depressão é a doença da época".

A Organização Mundial de Saúde estima em 150 milhões os deprimidos do mundo. Merece registro, como é comentado em "O Globo", que entre os mais acometidos, nesse capítulo das depressões, se acham os pastores e os psiquiatras, entre os quais as cifras de suicídio são oito vezes maiores do que no resto da população. Estas cifras parecem indicar que, em termos bem realistas, "ninguém salva ninguém e que as religiões salvadoras não se salvaram sequer".

QUE FAZER QUANDO ALGUÉM PENSA EM SUICÍDIO?

Alexandrina Meleiro, médica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, sugere três atitudes:

1- A primeira coisa é vencer o tabu de falar sobre morte e suicídio com a pessoa que está com essa idéia na cabeça. Enfrente o tema. Não tente disfarçar a situação. Cerca de 70% das pessoas que se mataram comunicaram antes de alguma forma suas intenções e ninguém deu ouvido.

Preste muita atenção no que ela tem a dizer. A pessoa precisa perceber que tem um fator de proteção em sua vida, ou seja: família, amigos, alguém de confiança que esteja disposto a ouvir.

2- Tente mostrar para ela que, por pior que seja a situação, sempre existe um plano B. Muitas pessoas se suicidam porque perderam muito dinheiro, ou romperam algum relacionamento onde eram dependentes afetivamente, por serem jogadores patogênicos, por gravidez na adolescência etc. Mas sempre existe uma saída para qualquer um desses becos.

3- Se a situação for muito grave, você deve levá-la a um profissional para que ele avalie o diagnóstico. Se for o caso de dar remédios, de internar, de indicar uma psicoterapia.

Em resumo, creio que jamais saberemos ao certo o que leva uma pessoa aparentemente normal tirar a própria vida. A história, quem lê sabe disso, está repleta de exemplos onde figuras respeitadíssimas na arte, na cultura, na literatura, na política etc., resolveram dar término as suas vidas.

Enquanto não tivermos respostas definitivas para a pergunta que dá título a este artigo, fiquemos com a frase do autodidata, gênio (Eita! Beleza de superego gritante...) emblemático das contradições e poeta dicotômico nem sempre lúcido Wilson Henrique que diz: “Quer ser feliz? Morra jovem o mais tarde que puder”.

Referencias Bibliográficas

1. Kardec, A. O Livro dos Espíritos, 54a ed. FEB, RJ, 1981.
2. Suicídio - uma doença social de muitas causas. O Globo, 12-5-1979.
Wilson Muniz Pereira
Enviado por Wilson Muniz Pereira em 06/01/2011
Reeditado em 07/01/2011
Código do texto: T2712670
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Sobre o autor
Wilson Muniz Pereira
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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