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O despertar do pesadelo

                                      O despertar do pesadelo

   Se formos mergulhados lentamente na lama macia e aquecida, somente quando o nível estiver a menos de 1 cm dos lábios, perceberemos que será tarde demais para executar um movimento que nos permita escapar da armadilha que entramos por acomodação.


   As principais características dos seres vivos são: paciência, bondade, esperteza, coragem, vaidade e outras dezenas. Todos nós temos a percepção da existência das mesmas. Acontece que grande parte da população não se empenha em lapidá-las e transforma-las em virtudes. Acomodam-se, abandona-as à própria sorte e permitem que sejam convertidas em defeitos. Uma boa parcela do povo cultiva a paciência ao extremo, transformando-a em indolência (“Vamos deixar como está para ver como é que fica”), assim como a bondade (“Coitado dele! Atirou em duas idosas e num bebê de 6 meses mas não precisava ser morto pela polícia pois seu revolver só tinha duas balas”).

   Sabemos que ninguém é perfeito a ponto de conseguir administrar todas elas no sentido de melhorar sua satisfação íntima (auto-estima) e coloca-las a serviço da coletividade, o que lhe traria um aumento da felicidade. Mas o pior deste contexto, é que existem elementos que preferem praticar por diversão o lado negativo das mesmas. São os desajustados, que em certos casos, provocam prejuízos a algumas pessoas em ações isoladas: pichadores, gatunos, balconistas impacientes, etc. Outros, quando atingem um cargo de administração pública, causam desgraças a uma cidade inteira (e até mesmo ao País), com suas canetadas crimonosas desprovidas de sentido lógico e ético, trazendo robustos prejuízos financeiros para as futuras gerações, e provocando uma acentuada queda de qualidade de vida, inclusive para os que AINDA possuem alguns meios menos dolorosos de sobrevivência. Não somos hipócritas a ponto de estarmos propondo a sociedade perfeita. Temos de conviver com alguns desajustados, mendigos, gatunos e espécies similares, dentro de níveis suportáveis. Até porque eles servem de parâmetro para efetuarmos comparações e valorizarmos tudo aquilo que conquistamos com esforço ao longo da vida. Só não podemos permitir que estes elementos nos conduzam por longos anos. Que em cada 100 escolhas erremos uma, é suportável. Acima desta taxa, demonstra nosso despreparo em identificar o caqui saudável no meio de uma cesta com mais 5 tomates estragados.

   E é este grupo de pessoas que está comandando os destinos de nossa nação há dezenas de anos. Muitas delas, se deixarem de ser reeleitas, apenas sobreviverão pelos proventos da “merecida” aposentadoria, pois não possuem capacidade de produzir nada desejável pela sociedade, tendo em pauta que só sabem arquitetar planos para burlar normas e subornar espíritos pobres. O paradoxo do fato, é que elas são colocadas no comando pelos que vivem sendo esfolados para manter suas (deles) mordomias e acreditam que são felizes por terem a sorte de comer as migalhas que lhes são lançadas do alto das belas sacadas dos portentosos castelos e a “liberdade” de assistir brigas de galo dentro de galpões afastados dos bairros nobres ou aos "gênios" (aqueles que pronunciam uma frase com 5 palavras) no BBB da tv.

   Existem quatro formas para aprendermos que temos o direito de fiscalizar de maneira permanente os nossos representantes públicos, acompanhar o trajeto do montante arrecadado e cobrarmos o retorno social pelos impostos que pagamos:

a) forma suave – sendo orientado na escola, desde a 1a. série, sobre nossos deveres e direitos de cidadão, lendo e desenvolvendo atividades em grupo, que nos mentalizem sobre a importância da prática da cidadania, que nos enche de orgulho de termos nascido na terra que o destino definiu. Ocorre que esta forma não interessa ser patrocinada pela elite, pois o esclarecimento dos eleitores vai ocasionar a dedetização dos imponentes palácios, com o afastamento dos gordos ratos ociosos, que serão substituídos por elementos habilitados e interessados no bem comum.
b) Forma tolerante – pleito após pleito, morando em locais desprovidos de água potável, esgotos, postos de saúde, escolas, transportes, postos de trabalho, segurança e outras necessidades básicas obrigatórias de serem fornecidas por todos aqueles que se apresentaram voluntariamente para gerenciar as altas somas arrecadadas pelo sangue e suor de famintos desnutridos. É uma maneira estressante de se obter ensinamento, que deixa feridas profundas na alma, revolta em nossos corações cansados e decepção de nossos herdeiros esperançados e decepcionados pela conduta de seus antepassados.
c) Forma de protesto – Através da desobediência civil. A comunidade unida, parando de pagar impostos, deixando de assistir a tv, deixando de comprar produtos supérfluos, sabotando marcas estrangeiras, realizando passeatas constantes por uma causa comum, realizando comícios nas portas das entidades indolentes, queimando o título de eleitor em praça pública. Tais movimentos devem ser precedidos e acompanhados da participação da imprensa, para causar incômodo aos pilantras que se rotulam de “autoridade”.
d) Forma bruta – quando as estruturas obsoletas e abandonadas pelo poder público começarem a provocar mortes em série (nos hospitais abandonados), prejuízos financeiros aos impedidos de estudarem e obterem meios de sustento para a família esfomeada, eclodirá a convulsão social descontrolada que poderá transformar nossa nação num aglomerado de esqueletos ambulantes e desprovidos de raciocínio suficiente para reconhecer a diferença entre um fio de macarrão e uma minhoca desbotada. Com esta alimentação desvitaminada não teremos como impedir que nossos herdeiros sejam escravos dos abutres que esvoaçam pelo planeta, pois não estarão em condições nem de soletrar a palavra "liberdade", quanto mais lutar por sua aplicação plena!


Haroldo P. Barboza – Matemático, Analista de computador e Poeta
Autor do livro: BRINQUE E CRESÇA FELIZ!

Nós podemos fazer a diferença na verdade do futuro.

Haroldo
Enviado por Haroldo em 23/10/2006
Código do texto: T271424
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Sobre o autor
Haroldo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 71 anos
678 textos (24814 leituras)
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