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A CORRIDA E A CIÊNCIA

A CORRIDA E A CIÊNCIA
FLAVIO MPINTO

Dias atrás me questionaram sobre que valor teriam as  corridas de 100 m até a  maratona. A pessoa que indagou tinha ares de quem muito sabe, mas não preciso dizer que é sedentário e pratica vícios danosos a sua saúde e a dos outros.
Iniciei a resposta comparando a corrida com o circo da Fórmula 1,que nos deu os pneus sem câmara, os radiais, freios a disco, cintos de segurança, injeção eletrônica, motores turbo, controles de tração e outros inúmeros avanços tecnológicos.
O retorno conseguido justifica plenamente os altos investimentos naquelas máquinas caríssimas e sofisticadas.
“Mas e a corrida que retorno tem os treinos árduos e as competições?”
Respondi que os avanços, ou redescoberta das potencialidades do corpo, estão acontecendo a cada dia. á se provou que a prática desportiva aumenta consideravelmente  a vida das pessoas, mesmo aquelas com problemas congênitos. Os músculos passam a processar melhor e mais rapidamente o Oxigênio, s artérias aumentam de calibre diminuindo a pressão interna e melhorando o fluxo sanguíneo, e em conseqüência, tem-se melhor irrigação celular e órgãos funcionando melhor.
Isto os gregos já sabiam e o imortalizaram na célebre frase –“MENS SANA IN CORPORE SANO”.
Continuei a resposta chamando a sua atenção para os benefícios da corrida que transcendem ao aspecto físico, indo atingir a mente do indivíduo, e em muitos caso a alterando substancialmente a sua personalidade.
Um destes aspectos é o domínio da ansiedade.
Já imaginou estar cansado após correr 20 Km e saber que ainda restam outros 22?
Este domínio da ansiedade, que pode-lhe tirar de uma situação de Stress altamente desgastante, também ser-lhe-á útil em situações de espera e de paciência, onde tenha de controlar seus nervos e conter-se.
Disse ainda que, anos atrás no HAVAÍ, eram realizadas três provas distintas em dias seguidos:4 mil m de nataçào,180 km de ciclismo e uma maratona no 3º dia. Os vencedores, atletas diferentes em cada prova eram proclamados IRONMAN. Durante um coquetel, levantou-se um homem e disse que não aceitava o título de super-homem dado aos vencedores e que só  os consideraria de fato ,quem completasse as três provas ,uma após a outra sem intervalo. Foi chamado de louco, visto que se as distâncias aliadas as condições do mar e dos ventos na ilha dificultavam a um atleta completar uma só prova, imagine-se as três, ainda mais seguidas. Disseram ainda que era impossível, o mesmo atleta ,completar os percursos, siquer em dias seguidos.
Mesmo assim foi organizado o 1º Triatlon do HAVAÍ com nada menos de 500 loucos e quase todos completando o percurso. Hoje a prova é uma realidade, tendo os organizadores de limitar o número de inscrições por segurança.
Nos Estados Unidos é comum organizarem-se Ultra Maratonas com mais de 100 km e a mais conhecida é COAST TO COAST, de um lado a outro do país. A prova SIX DAY-O-RACE, na qual os corredores passam seis dias correndo em torno de uma pista de atletismo possue, como recorde, a distância de 765 km pertencente a um jovem de quase 50 anos.
A ciência está de olho nisto e a cada dia descobrem-se novos caminhos para aumentar a longevidade e a capacidade do Ser humano.
“Perguntei-lhe se era capaz de saltar 2,20 m em altura, correr 100 m em 10’24”, saltar 8,20 m em distância, 5,40 m com Vara em altura, lançar peso a mais de 22 m  e um dardo a mais de 80 m, correr 1500 m em 4’,400 m em 46”,110 com barreiras em 14”e lançar disco bem próximo do recorde mundial?
Pois bem, os decatletas olímpicos fazem isto e em dois dias consecutivos.
Onde está o limite do corpo humano? Chegaremos a um limite um dia?
O potencial máximo será atingido?
Veja que a ciência caminha junto com estes  “exageros” do esporte e pode-se comprovar através das performances dos atletas de laboratório, s quais tiveram todo seu treinamento prescrito a partir de informações de seu corpo, obtidas em exames complexos ( Não vamos tecer comentários sobre as substâncias que aumentam a capacidade do atleta artificialmente e são consideradas doping).
Pensar e questionar que o esporte não trás benefícios ao corpo humano
só pode partir de quem não cuida nem tem amor por aquilo que de bom grado lhe foi dado: o seu CORPO.
( originalmente escrito em 1984)
FLAVIO MPINTO
Enviado por FLAVIO MPINTO em 01/11/2006
Código do texto: T279389

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Sobre o autor
FLAVIO MPINTO
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 65 anos
530 textos (94116 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/16 18:16)
FLAVIO MPINTO