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                       Amazônia Azul: O Mar Que Nos Pertence.


           Desde épocas mais remotas, o mar é usado não apenas como via de transporte, mas também como fonte de recursos biológicos e econômicos. Há algumas décadas, devido ao desenvolvimento da tecnologia marinha, a comunidade cientifica internacional se deu conta, de que o mar dispõe de recursos naturais de importância capital para a humanidade. Com isso, torna-se cada vez mais cobiçado o espaço marinho e mais ameaçado quem o possui. É o caso do Brasil, referente, à Amazônia Azul, que é inimaginavelmente rica, tendo grande interesse nacional e internacional.
            A Amazônia Azul é uma área formada pela soma da Z.E.E. (Zona Econômica Exclusiva) e da P.C. (Plataforma Continental), estabelecida pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que permite que todos os bens econômicos ao longo desta faixa, sejam explorados. Através de sondagens sísmicas e geológicas, durante um período aproximado de dez anos, de 1987 a 1996, quatro navios de pesquisa coletaram dados oceanográficos, que permitiram descobrir exatamente até onde iria essa maravilha submersa, e ainda hoje, sua existência é desconhecida pela maioria da população, não estando presente, sequer, em livros didáticos. Essa descoberta foi algo que necessitou de esforços, investimentos e estudos, e ainda continua desconhecida e descuidada. È como um trabalhador que estuda, poupa, investe e se esforça ao máximo, para conseguir adquirir um bem; seja um carro, um imóvel ou qualquer outra coisa, e depois que conseguiu, não sabe o que fazer ou não tem recursos para mantê-lo. Será que vão ser necessários mais 10 ou 20 anos para novas conquistas e evoluções do Brasil em relação à Amazônia Azul?
            Enquanto outros países buscam regiões para explorar, temos nossa própria “Atlântida”, uma cidade submersa, equivalente ao estado de São Paulo, extremamente rica e esperando para ser explorada. Já foram reconhecidos cerca de 150 minerais em quantidade, de grande importância para o desenvolvimento do Brasil, nos aspectos econômico, ambiental e científico. Pelo direito do mar, o país que não realize a captura dos recursos vivos marinhos em níveis sustentáveis em suas águas, é obrigado a autorizar que outras nações o façam. Vale lembrar que em 1963 o Brasil teve um conflito com a França, que ficou conhecido como a "Guerra da Lagosta", já que os franceses vieram buscar recursos vivos na plataforma brasileira. Tomando este fato como exemplo, é conveniente apressar as medidas a serem tomadas, para que este direito não venha a ser posto em prática novamente, por outros países, devido a incapacidade e/ou desinteresse do Brasil, em administrar um bem tão precioso.
            Toda riqueza acaba por tornar-se objeto de cobiça, impondo ao detentor, o ônus da proteção. Existem interesses internacionais sobre ela, o que não existe hoje em dia, é a viabilidade econômica de exploração. Quanto a isso, há a necessidade de investimentos em tecnologias que permitam o uso destas riquezas, criando um cenário novo e favorável. É trabalhando no presente que se criam oportunidades futuras de progresso, pois o inexplorável de hoje poderá se tornar considerável filão de riquezas amanhã.
            Na Amazônia Verde, as fronteiras que o Brasil faz com seus vizinhos são fisicamente demarcáveis, já na Amazônia Azul, os limites das águas jurisdicionais são linhas imaginárias. O que as definem é a existência de navios patrulhando-as ou realizando ações de presença. Cabem, então, investimentos para aumentar a patrulha nesta área e “engrossar” cada vez mais a espessura desta linha imaginária, para que ela possa ser “vista” e respeitada pelos estrangeiros. Um forma de preservar: é fazer-se presente.
De grande importância também é dar ampla divulgação ao seu conceito, trabalhando inclusive em conjunto com ONG’s ligadas ao meio ambiente e ao MEC para inserir este tema em livros didáticos do ensino fundamental, médio e nas universidades. Outro ponto importante é o incentivo, criação, divulgação e ampliação de cursos técnicos e superiores que habilitam jovens para áreas da geologia, oceanografia, engenharia, química, etc.
            Se a Marinha Brasileira não estiver capacitada para patrulhar e defender seu território, ele vai ser ocupado por embarcações estrangeiras de pesquisa e exploração, podendo ter o mesmo rumo negro da Amazônia Verde. Tem de haver uma ação nacional para a consolidação e manutenção, para isso é forçoso se ter um programa completo de mentalidade marítima, com objetivos de fortalecer o direito do mar que nos pertence, estimulando a responsabilidade, preservação e o interesse por parte de toda a população, por esta imensidão azul, repleta de tesouros naturais, mostrando que o Brasil é merecedor do que tem, e que todos estão cientes, informados e pré-dispostos a lutar e preservar seus direitos. O Almirante Paulo de Castro Moreira da Silva dizia: “Não basta proclamar que as riquezas são nossas; é preciso transformá-las em bens e defendê-las da cobiça alheia”. Temos que aprender a “nadar”, pois o mar é um território que nos pertence e ainda pode continuar a nos pertencer, porém é conveniente agir e gerar novos hábitos - nem que seja, o de comer lagosta com feijoada – evitando, que outras nações enriqueçam, às custas de nossa ignorância, e que, a Amazônia Azul, se torne: “Amazon Blue”.


 
Infeto
Enviado por Infeto em 05/03/2011
Reeditado em 18/02/2014
Código do texto: T2831008
Classificação de conteúdo: seguro

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Infeto
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