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UMA HISTÓRIA REAL

Quem foi que disse que só corremos perigo nas grandes cidades?
Estava eu aqui, exatamente em frente a minha tela, quando meu telefone toca e como os amigos ligam nas mais variadas horas, eu atendi.
Do outro lado da linha uma voz sussurrando e quase irreconhecível dizia:
Mãe me ajuda. Chama meu pai, eles vão me matar.
Eu já em total desespero já fui logo perguntando o que está havendo Leandro, pois meus outros dois filhos moram comigo e estavam aqui, então na minha cabeça apavorada tinha que ser o Leandro.
Daí pra frente não falei mais com o suposto Leandro e sim com alguém que queria negociar a vida do meu filho ou como ele mesmo disse encheria a cabeça dele de balas.
Com o telefone convencional conversando com ele, tentava com o celular falar com o meu filho e não conseguia o que me dava mais certeza de que estavam com ele.
Mas no meio da negociação começaram a me fazer perguntas que o Leandro saberia resposta e fui ficando mais lúcida, pedi para que eles ligassem para o pai do Leo  e lógico que o Leandro teria esse número, mas fui eu quem passei e em momento algum deixavam que eu desligasse o meu telefone.
Com o celular eu tentava ligar para a policia em vão, ninguém atendia.
Em certo momento perguntaram se eu tinha celular e confirmei e passei o número, agora eles me tinham presa com os dois telefones, pior, me usaram para fazer uma ligação para uma outra suposta vitima e dela pegar dois números de cartão de celular pré-pago no valor de vinte e cinco reais cada um e repassar pra eles, sei que eram eles, pois escutava várias vozes.
Diziam que meu marido já estava indo ao encontro deles pra resgatar o Leandro e em certo momento  me disseram já terem libertado o Leandro e que eu ligasse pra ele, já que até então o celular dele estava com eles para que caso eu tentasse entrar em contato eles o matassem, tentei várias vezes e continuou não atendendo.
O pai do Leandro já na rua, passa pela casa dele e vê a moto estacionada e acaba por descobrir que ele estava era dormindo enquanto nós nos descabelávamos, acordei meus outros filhos e os coloquei pra ligarem para meio mundo dos celulares deles.
Enfim, sei que a narrativa pode parecer até sem nexo, mais é assim que estou sem nexo.
Quanto vale a vida humana?
Alguns cartões de celular?
Sei que fui vitima de um trote ou um falso seqüestro e me pergunto, aonde vamos parar?
Será que o telefone passará a ser uma arma na mão de pessoas mal intencionadas?
E como sabiam o meu número, simples acaso?
De uma coisa tenho certeza, minha vida não será a mesma a partir de hoje.
LoucaporPoesia
Enviado por LoucaporPoesia em 07/11/2006
Código do texto: T284316

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Sobre a autora
LoucaporPoesia
Casimiro de Abreu - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
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