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FILME ESCOLA DA VIDA: UMA REFLEXÃO SOBRE A ESCOLHA DE TENDÊNCIAS PARA O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM

FILME ESCOLA DA VIDA: UMA REFLEXÃO SOBRE A ESCOLHA DE TENDÊNCIAS PARA O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM

Débora Cunha Xavier Maretto – UFES
Leandro Freitas Menezes – UFES
Luceny Rocha Lopez – UFES
Sabrina Wanzeler Garcia – UFES

Resumo: Este trabalho vida apresentar uma reflexão sobre o filme Escola da vida, com o objetivo de nortear o educador na metodologia e na postura que deve assumir diante das situações escolares e também da pós-modernidade. Com essa análise e com a leitura de outros autores, chegou-se a conclusão que o educador deve ser um indivíduo crítico e reflexivo no desempenho das práticas escolares, pois só, assim, poderá vencer o dogmatismo tradicional e os problemas que envolvem a educação dos alunos.
Palavras Chave: Filme Escola da vida; tendências pedagógicas; reflexão

Introdução
A escola é o ambiente em que o indivíduo tem a oportunidade de desenvolver o processo de socialização, atingindo sua identidade e autonomia. Isso contribuirá para que ele reconheça o outro nas suas diferenças, ou seja, “[...] é no exercício da vivência entre os seres diferentes que se aprendem normas, sem as quais não sobrevive a sociedade” (FERREIRA; AGUIAR, 2008, p. 130). Entretanto, a escola não está voltada apenas para a socialização, mas também para agregação de conhecimentos acumulados ao longo dos anos, além de ser criada uma escola de acordo com os moldes daquela sociedade, de um determinado tempo, atendendo ao seu interesse.
E com as transformações que vem sofrendo o mundo contemporâneo, em especial a educação, deve-se levar em conta a necessidade de refletir sobre o que traçar em relação aos saberes e às capacidades necessárias para a formação do cidadão. “Assim sendo, ela necessita de pressupostos teóricos, de conceitos que fundamentem e orientem os seus caminhos. A sociedade na qual ela está deve possuir alguns valores norteadores de sua prática” (LUCKESI, 1990, p. 31).
A partir dessas contribuições e levando em conta que a aprendizagem é tema de importância primordial para qualquer sociedade que vise ao desenvolvimento total e integrado do cidadão, este artigo tem como objetivo refletir sobre a concepção e a prática pedagógica utilizada em sala de aula. Para isso, propõe-se analisar o filme “Escola da Vida”, que traz elementos pertinentes à educação, pois faz ampla referência às diferentes metodologias de ensino utilizadas pelos professores. Nesse sentido, observa-se que nos momentos atuais, ou pós-moderno, como dizem, essa tarefa é árdua para professores e outros profissionais da educação, assim, qual modelo seguir? O filme sugere uma tendência como se verá, mas qual tendência seria realmente a mais adequada visto que não se tem um modelo atualmente? Dessa maneira, partindo da análise do filme em questão, o propósito deste artigo é reconhecer a importância de mudanças metodológicas, quando a aprendizagem, interesse e motivação nas aulas são falhos.

1. Contextualizando o Filme Escola da vida
A construção da prática educativa que norteia nossa caminhada como educadores, deve estar embasada nas teorias pedagógicas, sabendo que elas não são “receitas prontas”, mas sim, elementos norteadores que propiciarão ao cotidiano escolar, identificar, compreender, associar e contextualizar o saber do nosso educando. Dessa forma, de acordo com Libâneo (1990), deve-se aproveitar o conhecimento significativo que o nosso aluno já tem, assessorando-o na aquisição de novos e, com isso, legitimando os saberes. Sendo assim, apresenta-se o filme Escola da Vida, que se passa na escola Fallbrook Middle School, e é narrada pelo aluno e filho do professor Matt. Nesse filme observam-se dois professores, o Senhor D, professor de História e o Matt, professor de Biologia. Esses dois professores trabalham com métodos pedagógicos completamente antagônicos: O Senhor D utiliza a tendência Liberal Renovadora Progressiva e o professor Matt utiliza a Pedagogia Liberal Tradicional.
Observando a metodologia desses dois professores, ver-se-á que a maneira como o Senhor D trabalha acabou mudando “a cara” da escola, pois em suas aulas de História os temas geradores são extraídos do cotidiano dos alunos, usando a ideia de Freinet : “o homem cria a cultura na medida em que se integrando nas condições de seu contexto de vida, reflete sobre ela e dá respostas aos desafios que encontra”. Nesse sentido, esse conceito torna o professor um mediador entre conteúdos e aluno. Na mesma proporção em que o “Sr. D” alcança sucesso em seu trabalho, o professor Matt fracassa ao ministras suas aulas de biologia, pois foca no conhecimento dedutivo, em que eram apresentadas informações para serem armazenadas pelos alunos, e isso era feito com muita autoridade e disciplina, sendo Matt, como o professor, a garantia desse conhecimento.
Porém, foi entre o sucesso e o fracasso experienciado por esses dois profissionais da educação, a grande surpresa desse filme foi a mudança ocorrida na prática educativa de todos os professores, inclusive do professor Matt o qual passa por uma “metamorfose” metodológica. Essa mudança, evidenciada em todo o grupo escolar tem muita semelhança com a afirmação de Paulo Freire (1977, p.27, 28): “só se aprende aquele que se apropria do aprendido, transformando-o em aprendido, sendo capaz de aplicá-lo em situações concretas”. Tais palavras do autor, direcionadas ao episódio do filme, mostram a possibilidade de mudança de perspectiva metodológica diante das situações vivenciadas em sala de aula.

2. Uma Abordagem dos Conteúdos do Filme
Como se pôde observar, o filme Escola da vida é permeado de elementos pertinentes ao ramo da educação, fazendo alusão aos métodos e comportamentos encontrados nas instituições escolares, pois faz ampla referência à pelo menos duas tendências pedagógicas de ensino utilizadas pelos professores. Por exemplo, vê-se em primeiro lugar a tendência Tradicional defendida pelo dogmático professor Matt, tradicional em suas concepções e tendências pedagógicas. Fundamentado nessa tendência, Matt, insisti na ideia de repassar seus conhecimentos, vendo os alunos que são adolescentes como se fossem adultos em miniatura e, além disso, o educador desconsidera o aprendizado trazido por seus educandos do cotidiano. Dessa forma, fica evidente que na ministração das aulas, Matt tenta transmitir a ideia de que somente ele é portador do conhecimento e, em conseqüência, disso os alunos não podem colaborar com o processo cognitivo.
Em segundo lugar, vê-se, em contraposição à visão anterior, a tendência Liberal Renovadora Progressiva defendida pelo professor Senhor D. Esse profissional valoriza as ideias de Piaget (1977), de Vygotsky (1926) e de Wallon (1925), embora a tendência citada esteja ligada aos ideais de Piaget, os quais concebem o conhecimento como resultado da ação que se passa entre o sujeito e o objeto, evidenciando que o conhecimento não está no sujeito como queriam os inatistas, nem no objeto, como diziam os empiristas, mas resulta da interação entre ambos. Com isso, a atitude do Senhor D, contrária a pedagogia tradicional, é de procurar expandir o conhecimento dos alunos partindo do que eles já estão em contato e dando a oportunidade da participação dos alunos.
Fazendo uma reflexão sobre essas duas tendências pedagógicas apresentadas, nota-se que o professor Matt nos leva a fazer um paralelo com o sistema educacional deste país, onde os interesses próprios estão em suma relevância e a necessidade de reforma na ideologia do educador está em segundo plano. Sendo assim, é com o método do Senhor D que se enxerga a possibilidade de reforma e de tomada de posição em relação ao tradicionalismo dogmático, pois o filme sugere essa atitude por parte daquele que o assiste, além de inspirar meios para que os professores tornem o ensino mais produtivo e embasado. O que o educando aprende não deve ter impacto somente no instante em que está estudando e abordando determinado assunto, mas deve ser parte fundamental de construção de seu caráter e de seu futuro.
Em fim, o filme propõe mudanças de metodologias quando a aprendizagem, interesse e motivações nas aulas são falhos, recorrendo assim a recursos práticos do cotidiano escolar, para aulas mais dinâmicas. Para isso, o professor deve reconhecer e canalizar como fator produtivo das aulas, a gama de conhecimentos que cada aluno trás consigo, fomentando nos educandos o desejo de ampliar seus conhecimentos (a interdisciplinaridade); e também reconhecer que os mesmos são produtores e construtores de saberes.
3. Uma Análise Reflexiva Acerca da Postura Pedagógica da Escola da Escola e do Professor Diante das Situações Cotidianas
Qual modelo de educação a escola deve seguir atualmente? A pós-modernidade trouxe essa crise de paradigmas que apresenta diversas propostas pedagógicas, porém essa indagação inicial ainda persiste. Tal instabilidade compromete a instituição escolar, os professores e os alunos. Dessa forma, se se analisar, por exemplo, a papel da escola, nas inúmeras tendências existentes, ver-se-á que cada uma conceitua algo a respeito. No entanto, uma das funções reais da escola a que todas as tendências dever concordar é que a função da escola é socializar o educando, em outras palavras, é prepará-lo para ter consciência de si e ter acesso a todas as instâncias sociais. Entretanto, a escola, atualmente, não tem cumprido esse papel satisfatoriamente (PÉREZ GÓMES, 1998). Nesse sentido, vale ressaltar os papéis de professor/aluno. Qual postura o professor deve assumir diante do fato denominado de “de crise escolar” em que fracassam tanto os alunos que abandonam a escola quanto de alunos que permanecem nela. De quem será a culpa disso? Quais as causas disso, uma vez que as consequências já estão visíveis? Nessa situação, nota-se certa falta de credibilidade quanto ao trabalho do professor, todavia, ao ser investigadas as razões do fracasso escolar, muitos educadores preferem responsabilizar a polêmica figura do “aluno-problema”, que é visto como alguém com supostos problemas psicopedagógicos, com distúrbios cognitivos e indisciplinado, como argumenta Aquino (1998). Embora os educadores levantem várias hipóteses para justifica o fracasso escolar pelo “aluno-problema”, como por exemplo: a escola do passado disciplinava melhor; o aluno sofre desajustes por causa da má convivência familiar; o aluno é desinteressado porque é atraído pelas tecnologias. Dessas hipóteses, o autor mostra que nenhuma tem fundamento. Por causa disso, ele levanta sua hipótese pessoal dizendo que essa visão é antiética excludente e discriminatória, porque seria como ver a clientela (os aluno) como o problema para o exercício da profissão. Além disso, não se pode tomar a disciplina como pré-requisito para o processo educacional, uma vez que os alunos não são indisciplinados em todas as matérias, mas em algumas. Na verdade, em uma ação ética da escola e do profissional, a indisciplina é vista como algo salutar e, vendo-a dessa forma, o “aluno-problema” não existe e o que passa a existir é tão somente uma “situação-problema” a ser superada e suplantada. Nesse mesmo sentido, o professor deve se colocar no lugar do aluno e, questionar-se: Para que escola? Qual a relevância e o sentido do estudo, do conhecimento? No quê isso me transforma? E qual é meu ganho, de fato, com isso? Tais indagações devem funcionar como um diálogo entre professor/aluno; é um mergulhar no cotidiano de sala de aula para se fazer uma nova leitura sobre os problemas que se apresentam e suas possíveis soluções. Diante disso, Aquino (1998) diz que são ideias simples como essa que fazem a diferença na vida de um profissional de educação, porque elas fazem com que ele deixe de lado os pensamentos discriminatórios e endurecidos e as crenças arraigadas do tradicionalismo. E além, disso contribuem para que o educador possa escolher adequadamente o método pedagógico para aplicar em seu cotidiano escolar.  E assim, tenha condições de elaborar meios mais práticos para que o aluno saiba a aplicação do que aprende e saiba para que e por que está aprendendo. Esses são métodos de ensino eficientes que cumprem uma função social: educar para a vida.

Considerações Finais
Com as discussões apresentadas acima, conclui-se dizendo que o diante da falta de um modelo de educação e das situações vivenciadas pelo professor, existe a necessidade de que ele seja mais crítico e mais reflexivo a fim de saber escolher os métodos de trabalho que possam assistir com eficiência aos alunos e ao mesmo tempo contribuir com suas atividades.

Referências
• AQUINO, J. G. A indisciplina e a escola atual. Ver. Fac. Educ. v.24 n.2, São Paulo, Jul./dez. 1998. Disponível em: http://www.scielo.br/php=sei_arttext&pid=S0102-255519998000200011&1... Acessado em: 13/02/2006.
• ESCOLA da vida. Direção: Willian Dear. Canadá/ EUA: California Home Vídeo, c2005. 1DVD.
• FERREIRA, Naura Syria Carapeto, AGUIAR, Márcia Angela da S. Gestão da Educação: impasses, perspectivas e compromissos.  6. ed. São Paulo: Cortez, 2008, p. 129-145.
• LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1990, p. 01-184.
• GADOTTI, Moacir. Pensamento Pedagógico Brasileiro. São Paulo: Ática l988

• LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da Escola Pública. São Paulo: Loyola, 1990
• PÉREZ, Gomes. "As funções sociais da escola: Da reprodução à reconstrução crítica do conhecimento e da experiência". In: SACRISTÁN, J. Gimeno e PÉREZ, Gomes. Compreender e transformar a escola. 4a ed., Porto Alegre: Artmed, 1998, pp. 13-25.
• FREIRE, Paulo.  Extensão e comunicação?  Tradução de Rosisca Darcy de Oliveira. 9ªedição, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.
LeandroFreitasMenezes
Enviado por LeandroFreitasMenezes em 15/03/2011
Reeditado em 25/03/2011
Código do texto: T2849126
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Sobre o autor
LeandroFreitasMenezes
Colatina - Espírito Santo - Brasil, 40 anos
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