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Plágio de Olavo Bilac fica em 35º lugar

A informação que se segue foi passada pelo escritor sorocabano Douglas Lara que, após conversa com a amiga e poetisa Antônia Canavezi, sobre a apropriação de textos na Internet, ou plágio, leu em um jornal de Jundiaí a notícia de um estudante que se inscreveu em um concurso literário promovido pela Associação Preservação da Memória da Companhia Paulista de Ferrovia daquela cidade com o poema “O Pássaro Cativo”, de Olavo Bilac - jornalista carioca nascido em 1865 e membro-fundador da Academia Brasileira de Letras.
A indignação, entretanto, não se resumiu à facilidade oferecida a qualquer um de copiar textos de autores clássicos (ou não, necessariamente) da Internet, com o fim de apresentá-los como de autoria própria. Além de o fato de o texto ter passado despercebido pelos organizadores do concurso e o mesmo ter alcançado uma pontuação tão baixa (35ª posição), o “incidente” fez com que o concurso não venha mais ocorrer. “A primeira edição do concurso foi decepcionante. Ficamos frustrados e não vamos mais realizar uma próxima edição no ano que vem em função do que ocorreu, mas não desmerecemos os outros classificados. Infelizmente, só percebemos que era um poema de Olavo Bilac quando a revista já estava impressa”, lamenta o presidente da Associação promotora, Eusébio Pereira dos Santos.
Em trecho da notícia enviada por Lara, lê-se: “Um dos participantes do concurso escreveu ao Jornal de Jundiaí para relatar o equívoco cometido pela organização. (...) ‘Com tristeza verificou-se uma falha imperdoável com a publicação e classificação de uma concorrente plagiando o poeta Olavo Bilac. (...) Espero que, numa próxima vez, tomem o cuidado necessário e não deixem acontecer fatos semelhantes, pois a iniciativa de promover o concurso é causa nobre e muito útil para as pessoas que a isso se dedicam’, comenta Antônio Arruda, cujo poema não foi classificado”.
“Tal situação é assustadora, porque num mundo onde as idéias não são valorizadas e um concurso de poetas e escritores nada mais é do que uma mera comparação daquilo que cada um escreve e que pode ser o ponto inicial de uma carreira brilhante, ou não, temos que, pelo menos, ficar indignados e tornar público o que aconteceu em nossa região”, desabafou Douglas Lara.

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O POEMA PLAGIADO

“O Pássaro Cativo”

Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:
Por que é que, tendo tudo, há-de ficar
O passarinho mudo,
Arrepiado e triste, sem cantar?

É que, criança, os pássaros não falam.
Só gorgeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:

"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro
Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi . . .
Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas . . .
Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!
Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!
Por que me prendes? Solta-me, covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade . . .
Quero voar! voar! . . ."

Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.
E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão, tremendo, lhe abriria
A porta da prisão . . .

Olavo Bilac (Do livro “Poesias Infantis”, Editora Francisco Alves, 1929, Rio de Janeiro)


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OBS.:
O presente texto foi publicado originalmente na edição de 07 de novembro de 2006 (terça-feira) do jornal Diário de Sorocaba e tem uma cópia na categoria "Textos Jurídicos" deste site, publicado por meu amigo Douglas Lara, no endereço: http://www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=285747,
Furlan
Enviado por Furlan em 10/11/2006
Reeditado em 10/11/2006
Código do texto: T287744
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Sobre o autor
Furlan
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 42 anos
1 textos (43 leituras)
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