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VOCAÇÃO: DOM DE DEUS, RESPOSTA PESSOAL


No domingo do Bom Pastor, que é o primeiro domingo de mês de maio, somos convidados à rezarmos pelas vocações, por todas as vocações.
Faz-se necessário uma distinção entre vocação e profissão. A profissão é um ofício, emprego, ocupação, atividade física. Engloba na maior parte a força humana, e dependendo do encargo, o uso intelectual direcionado para uma atividade. A profissão pode ser adquirida e aperfeiçoada por elementos puramente humanos, por meio de atividades específicas.
A vocação é um dom gratuito de Deus. Para nós cristãos em especial, a vocação é um chamado de Deus por meio do qual eu participo da ação de Deus neste mundo. Sou um agente na construção do Reino de Deus. A vocação é iniciativa de Deus, mas a resposta é pessoal. É um dom gratuito de Deus. Ele não obriga, nem força a aceitar. Uma vez aceitada a proposta Ele também nos fornece meios que nos capacitam para darmos uma resposta melhor, mais coerente com o seu projeto.
Todas as vocações são um dom de Deus. Todas elas são importantes e estão em constante harmonia. Se uma “forma” de vocação, como por exemplo a família, não for bem vivida pelos cônjuges, as outras vocações também  entrarão em crise. Portanto, é preciso olhar com bastante atenção e seriedade àquilo que Deus quer, àquilo que Deus nos propõe como projeto de vida.
Um exemplo simples que pode ajudar a entender melhor a distinção entre vocação e profissão. Um religioso por exemplo: Recebe de Deus o chamado para segui-lo de forma mais radical e pessoal; isso é vocação. Agora ele vai buscar os meios para responder melhor a esta vocação, seja pelo estudo, pela formação, pela oração. O ser religioso não é profissão. Exige uma transformação interior e não apenas uma adaptação aos costumes, trabalhos. Agora um religioso pode ter como profissão, como ser professor, onde ele desenvolve suas características, habilidades profissionais. A forma como ele reza, medita a Palavra de Deus não vai modificar o ser professor, mas é essencial para ser religioso. É claro que esses meios ajudam a desempenhar com mais amor a sua profissão. Assim acontece com outras vocações. O pai, por exemplo, é diferente frente aos seus filhos do que na frente de seus empregados. Suas atividades são outras, seu jeito de se relacionar também é outro.
Porém, mesmo que sejam distintas elas tem que andar junta, mas sem confundir as coisas. Desenvolver uma profissão com dedicação, amor, respeito é um jeito de demonstrar que a pessoa é feliz na sua vocação.
A vocação exige uma entrega total e não parcial. É uma atitude radical onde eu tenho que deixar algumas coisa. Muitas pessoas não são felizes na sua vocação porque não conseguem deixar coisas passadas e se agarrar ao essencial. Um religioso sem os votos de castidade, pobreza e obediência não pode viver sua vocação na radicalidade. O religioso sabe que tem de deixar algumas coisas não por serem más em si, mas porque não lhe fazem bem na caminhada que está fazendo. Um pai de família sabe que deve abandonar algumas coisas para se dedicar a esposa, aos filhos, ao lar. Ele sabe que depois do trabalho vai para casa pois lá lhe esperam a esposa e os filhos e não deveria ir a um bar, a não ser que vá com sua família. Isso não impede que de vez em quando ele tome um sorvete sozinho. Apenas um simples exemplo para exemplificar melhor o ser pai.
Percebemos que tem pessoas que aceitam o chamado de Deus e assumem com radicalidade sua proposta. Em um dos Novintercas, uma noviça partilhava que uma de suas irmãs assumiu a causa dos pobres com tal radicalidade que vive com eles e, engajada, quer ajudar-lhes a superarem esta situação. Ela já fora ameaçada de morte por quem não aceita o seu trabalho, porém ela não se intimidou e continua trabalhando e disse ainda que vai até as últimas conseqüências nessa luta.
Assumir nossa vocação, Dom de Deus, é, muitas vezes, ir contra a maré. A sociedade prega, em muitos casos, valores anticristãos e contra a pessoa humana. Assumir a causa do Reino de Deus é lutar contra estes contravalores, mostrando que o Projeto de Deus é vida para todos.
Cada um responde pela sua vocação, pois ela é chamado pessoal, intransferível e único. Ou aceito, ou não aceito, não há meio termo. Aceitar o Plano de Deus, seja na Vida Religiosa (VR), na família, ou de outra forma, é aceitar seus valores e lutar por eles até as últimas conseqüências. Ninguém melhor do que Jesus Cristo fez isso? Ele assumiu o projeto do Pai e foi fiel até o fim. Sabia que tinha a liberdade de escolha, mas sabia também que o Pai confiava plenamente nele.
Somos convidados a rezarmos sempre pelas vocações, sobretudo para termos santas vocações, como pedia nosso Fundador São João Calábria. Pessoas que se dispõem à assumirem a causa do Reino com garra, disponibilidade, empenho, coragem. Volto a frisar: vocações santas, seja para a família, para o sacerdócio, para a VR, para ser Leigo(a) Consagrado(a). Infelizmente somos educados a não escutarmos a voz de Deus, mas apenas a voz do mundo (da mídia, dos sistemas). Deus nos deixa livres para escolhermos entre o sim e o não. Mas somos livres quando aceitamos o projeto de Deus em nossas vidas, pois tudo confiamos a Ele e agimos com a certeza de que Ele nos guia. Ele respeita nossa opção. Se todos os cristãos aceitassem o Plano de Deus o mundo seria diferente, pois os conselhos trazidos nos Evangelhos são a favor da vida, da pessoa humana.
Um outro aspecto que quero acenar é quanto a preparação e os meios para vivermos melhor a resposta da vocação. Vemos tantas separações em casamentos por “N” motivos, mas um deles, talvez o principal, é a falta de preparação para o mesmo. A maioria pensa que para casar não precisa se preparar, mas não é bem assim. A convivência com o outro exige renúncias, decisões e é preciso estar preparado para isso, do contrário o casamento se destrói em pouco tempo. Outra vocação que nem todos levam a sério a preparação é o sacerdócio e a VR. Aí depois de alguns anos vêm as desistências. A falta de motivação, interesse faz com que muitas pessoas pouco se importam com os anos de formação, aí quando professam ou são ordenados falam: “se eu tivesse me preparado melhor!” Aí é tarde, tem que pensar assim antes.
Precisamos vibrar pela nossa vocação. Vibrar em primeiro lugar pelo dom da vida. Louvar a Deus pelo chamado, por termos sido escolhidos. Vibrar pela vocação é viver com alegria apesar das possíveis dificuldades. É preciso confiar em Deus que é maior que qualquer dificuldades e Ele pode nos libertar delas.
Com vocação não se brinca, ou então não seremos felizes por aceitar o chamado de Deus.

Hermes José Novakoski
Farroupilha, 2006

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Hermes José Novakoski
Enviado por Hermes José Novakoski em 11/11/2006
Código do texto: T288280
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Sobre o autor
Hermes José Novakoski
Marituba - Pará - Brasil, 35 anos
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