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TRAGO A PESSOA AMADA EM 3 DIAS...

De todos os anúncios milagrosos que eu já vi, separei alguns e espero que meus leitores não achincalhem, porque o caso é sério...

Pai Nascimento do BOPE tem no cartaz até o símbolo da caveira adotado pelo batalhão da PM e atende em Laranjeiras no Rio de Janeiro traz a pessoa amada em dois dias. O nome dele no cartaz que a Cidade Maravilhosa está cansada de ver é este mesmo: Pai Nascimento do BOPE.

Já o Pai Arnapio benze cobreiro, tira bicho do pé, resolve problemas com unha encravada, batiza filho de mãe solteira, resgata FGTS, cancela cartão de crédito, tira qualquer tipo de “demoneo”; ele também cura “congestã”, “afita” e hemorróida; para finalizar ele traz de volta o marido e descobre corno.

O Pai Ambrósio é mais incisivo; diz em seu cartaz tipográfico que ele cura qualquer doaneça, até “viadagem”; cura qualquer vício, encontra cães perdidos, tira unha encravada e fimose; para finalizar ele joga cartas, bingo e bilhar.

Outra figura estelionatário que atende pelo nome de Pai Gallo, em seu cartaz colado nos postes, tem sua direção de trabalhos e mandingas todos voltados, acreditem, para os auditores fiscais e tecnólogos em computação; sim ele é um macumbeiro especialista em assuntos do fisco e da computação e diz conseguir prazo com o CPC; afirma fazer trabalhos para destravar rede lenta, dentre outras aberrações.

Estes quatro casos citados são apenas alguns dos milhares que existem espalhados pelo Brasil que enganam e tiram tudo; eu disse TUDO, de quem lhes visitam e acreditam nas suas profecias maléficas e soluções estapafúrdias.

Estes pais e mães de santo, que mais parecem pais de mães satânicos, se afirmam pertencer à religião do Candomblé que é um designativo para diversos cultos, intitulados Nações em que há a reverência dos orixás. Sendo de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em inúmeros outros países espalhados pelo mundo. É uma religião monoteísta, segundo seus seguidores que dizem haver uma entidade maior e outros menores, similares aos santos católicos; mas alguns pesquisadores afirmam; que devido aos vários deuses cultuados a faz ser politeísta. A lei federal nº. 6.292 de 15 de Dezembro de 1975; resguarda os terreiros de candomblé no Brasil, contra qualquer tipo de alteração de sua formação material ou imaterial.

O grande e grave problema brasileiro no que toca a questão religiosa é que temos muito claro em termos éticos e sociais o que é e o que não é religião; os cultos nos terreiros de candomblé são de fato protegidos e não podem sofrer intervenções do Estado, salvo destoem de suas reais finalidades, como por exemplo, para proteger a saúde e a integridade das pessoas e de alguns casos, dos animais. Salvo estarem promovendo a sua cultura nos locais tidos como terreiros, a maior parte das ações que observamos nas ruas são qualificadas como charlatanismo e estelionato. Nos casos flagrados dos cartazes podemos até acreditar que há mais tipificações penais como falsidade ideológica e furto qualificado.

Adeptos sérios do Candomblé ou da Umbanda se limitam aos cultos de seus divos e no implemento de seus ritos sagrados. A questão da cura e da promessa de resolução dos problemas do corpo e da alma, isso todas as religiões prometem, mas somente as inescrupulosas cobram efetivamente por estas promissões; algumas mais explicitamente, outras mais implicitamente; a questão crucial é que fazem a cobrança em nome de Deus ou de Jesus Cristo e eu nunca vi nenhuma procuração nem de um, nem de outro autorizando tal requisição.

Eu não sei quem é mais pilantra, se quem divulga o teor que vemos nos cartazes fixados nos postes ou entregues nos semáforos; ou quem acredita e vai visitar esta gente. Eu conheço desde os casos em que asnos travestidos de pessoas procuram os pais e mães de santo para atraírem vantagens e até mesmo para dar sumiço em desafetos; no segundo caso, o de dar sumiço em pessoas, muitas vezes à verba é tão satisfatória que os estelionatários mandam mesmo que matadores dêem cabo em pessoas para fazerem as outras acreditarem que foi obra do além.

Mas não só os falsos sacerdotes das religiões afro-brasileiras que praticam este tipo de crime; os cristãos também sabem muito bem o que é isso, que o digam os católicos mais antigos. Houve um tempo em que a Santa Sé mandava cobrar pela remissão dos pecados e o preço era, ou todo o patrimônio ou a morte; numa época em que a própria igreja era o Estado e que não dava sequer o direito da escolha. Para a sorte do mundo os Papas acordaram e começaram a enxergar que o inferno estava se implantando em Roma e resolveram abrandar as indulgências. Hoje em dia os católicos cobram o dízimo e as ofertas a título de manutenção dos templos, o que é justo e probo...

E o que dizer dos outros tentáculos da ideologia cristã que vive como abutres e detonam tudo das pobres pessoas acéfalas? No Brasil o mais famoso apostolado satânico protegido por Lei atende pelo nome de Igreja Universal do Reino de Deus que tem a frente de seus negócios milionários o falaz travestido de pastor Edir Macedo Bezerra, que se auto-rotula como Bispo.

Esqueça tudo que já falaram ou tudo que você já leu sobre a igreja de Edir Macedo; ao invés de acreditar apenas nos relatos intermináveis de quem já perdeu tudo em busca de riquezas ofertadas pela IURD por procuração de Jesus Cristo; vá até um templo deles e não precisa ser aquele mais suntuoso; permaneça do início de um culto até seu final e observe o que é prometido e quanto pode te custar. Os caras falam de resolver todos os seus problemas e para tal, sempre por camuflagem, fazem você doar desde tudo que possua até uma migalha que ainda lhe reste. Eu tenho gravações onde esta gente criminosa e desordeira pede até para que seus fieis façam empréstimos em financeiras, pois Deus lhes devolverão, pelo menos, mil vezes mais. Esta é a fé que eles querem que suas ovelhas tenham num Deus que somente eles cultuam e que afirmam ser o mesmo da Bíblia Sagrada.

Edir Macedo é um dos mais ferrenhos opositores das religiões afro-brasileiras e todos imaginam que é uma espécie de aversão ideológica ou doutrinária ao culto dos orixás; mas estão enganados os que pensam isso. Macedo detesta o candomblé e a umbanda, porque aqueles que buscam as curas de um falso pai de santo possuem o mesmo tipo de raciocínio de quem vai à igreja dele, ou seja, nenhum! As pessoas que acreditam que Pai fulano de tal resolve um problema de hemorróida ou de impotência sexual com o acendimento de velas que custam R$ 120,00 cada; são as mesmas que acreditam no óleo santo de Israel vendido nos templos da IURD; ele próprio deixou claro em seu livro “Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?” que lhe rendeu vários processos na justiça brasileira; basta que alguém que saiba interpretar um texto simples leia as asneiras do bispo publicadas neste livro para saber claramente do que estou escrevendo.

Não é difícil encontrar lixos teológicos em massa na televisão brasileira, principalmente ligados ao forte apelo de doação financeira como correntes de pastores, óleos santos, objetos santificados, textos sagrados ou seções de exorcismo; da mesma forma que os apelos imbecis divulgados pelos sacerdotes de umbanda e candomblé; no meu ponto de vista uns não diferem em nada do outros e todos pertencem ao mesmo conjunto vazio de explicações místicas. Todos nós, do mais rico ao mais pobre, temos problemas a resolver; estes problemas são classificados de acordo com nossa classe social ou nosso ciclo educacional; mas são os mais pobres e menos dotados de inserção educacional os mais prejudicados e mais vulneráveis ante as garras desta gente “escrota”, pois não sabem muitas vezes discernir entre o que é preto e o que é branco; e quando menos imaginarem, estará ainda pior do que no dia que conheceram este tipo de religião.

Edir Macedo já tem mais de 50 mil templos espalhados por 172 países, mas é no Brasil principalmente que ele consegue as mais intoleráveis proezas; o mesmo pode ser dito dos templos falsos de candomblé e umbanda; eles estão em cada parte do mundo e praticando as mesmas atrocidades que sabemos, mas é no Brasil que o carro corre solto e sem governo, porque aqui tudo pode e ninguém é punido por este tipo de prática; mais uma vez deduzimos que ninguém é punido, porque os únicos extorquidos em nome de Deus são os mais pobres; no dia em que a esposa de um Senador (exceto a do Senador Marcelo Crivela) se queixar ou a esposa de um deputado alfabetizado perder a grana do mês, aí eles farão um escarcéu...

Marco Túlio Cícero, advogado romano da época dos Césares disse: “Duas ainda são as maneiras com as quais se pode fazer injustiça: a violência e a fraude; a fraude é própria da raposa e a violência do leão; ambas são contrarias a natureza humana, mas a fraude desperta maior repulsão". O crime de estelionato ou da fraude está tão ligado a igreja que vem dela os termos “Conto do Vigário” e o outro termo como “vigarista”. Sabe-se que os padres antigos pediam aos escravos para roubarem ouro e entregá-los a Santa Sé em troca de um pagamento robusto, o que na verdade jamais acontecia. Os homens envolvem o nome de “Deus” para tirar proveito dos sem cérebro há séculos e ninguém nunca fez nada...

Aos que restar alguma vergonha na cara e por ventura forem numa destas arapucas para deixar a única grana da comida do mês e se sentir lesado, seja no pai de santo ou na igreja, basta procurar o Ministério Público para formalizar denúncia; se 1000 pessoas por mês fizessem denúncias na polícia e na justiça contra esta gente, talvez eles fossem mais criativos na hora de lesarem estas pessoas...

Na obra “O auto da compadecida” de Ariano Suassuna de 1955, o personagem cangaceiro Major Severino, achaca dois sacerdotes de uma pequena igreja do interior e os flagra com uma fortuna escondida; de posse da grana da igreja ele diz: - Este negócio de reza está prosperando! Do jeito que a coisa anda eu vou largar o cangaço para fundar uma igreja, porque não há riscos!

É por isso que eu sempre digo: - Viva a pátria amada Brasil; terra que tudo que se planta dá com fartura, principalmente se for uma lavoura de falcatruas; haverá com certeza uma colheita de iniqüidades...


Carlos Henrique Mascarenhas Pires
www.irregular.com.br
Imperador Dom Henrique I
Enviado por Imperador Dom Henrique I em 04/04/2011
Código do texto: T2889967

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