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Texto

CHACINA DE REALENGO

 

Crianças mortas. Mais meninas do que meninos. Outras crianças na UTI. Tiros certeiros na cabeça e na nuca. Um gordinho que pediu pra não morrer e foi atendido. Um policial herói. Um bandido-atirador ou um atirador bandido? Um doente Psicopata? Os especialistas que respondam.

Pais desesperados. Dores que a alma não contém em si. Futuros cidadãos que a violência viola. Viola que não entoa mais o cântico da esperança. Se-pa-ra-ção que o desespero norteia, enquanto nas ruas campeia a cantiga da perua que continua sendo uma só: insegurança nas casas, nas ruas e na escola, dá dó...

Deu-se um tiro na inocência. Matar criança é mais que morte. Sorte às avessas que as travessuras de criança não se removem. Demência de uma sociedade pré-falimentar. Clemência que aos céus não mais se invoca – país que virou mesmo CASA DE NOCA: arma vai, arma vem, prezo aos céus, peço perdão amém.

Amem suas crianças

Chamem suas lembranças

Que a lição da escola não foi tomada...

Abalou Bangu

Abalou Realengo a bala.

Cala Rio,

Cruza os braços oh Cristo Redentor.

Cala Rio, calafrio do desamor...

Na escola há quadro sem giz

Nas residências há vácuo por matiz...

Há morte escrita no quadro de giz...

Cadê o atirador?

Foi pro meio dos infernos, queira Deus!

Cadê o soldado herói?

Rogai por nós que recorremos a vós!

Não sei julgar ninguém, mas sei sentir a dor dos pais das crianças. Não vou julgar o matador como assassino, tampouco como doente psicopata. Diante de tanto "não saber", restou-me o ofício de perguntador. Afinal, PERGUNTAR NÃO OFENDE:

a)      Por que o matador só matou mais meninas do que meninos?

b)      Por que matou mais meninas quase-moças?

c)       Por que não matou o gordinho?

d)      Por que desferiu tiros certeiros na nuca e na cabeça?

e)      Ao matar mais meninas do que meninos não estaria ali uma sexualidade mal resolvida?

f)       Não matando o gordinho não estaria posta uma cumplicidade de bulling, que certamente poderia o matador ter sido vitima?

g)      O fato de ser adotado não teria nenhuma implicação. Mas sendo sua mãe psicótica não transmitia nele (o matador) forte carga genética?

h)     A carta que o matador deixou não seria reveladora da sua crise existencial, de sua psicopatologia, de sua solidão e do seu fanatismo?

i)       A morte de sua mãe de criação não teria desencadeado seu desencanto com a vida?

j)       ????????

Diante das indagações, só nos resta encontrar as respostas. Não precisamos ser imediatistas associando essa chacina às tantas outras idênticos acontecidas nos EUA. O ser doente existe independente das nações. Talvez a forma possa ser semelhante, mas isto seria apenas uma identificação social imitativa. Ninguém se transforma em matador (mesmo patológico) pelo fato de alguém assim o ter sido e divulgado pela televisão. Da mesma forma que ninguém vira “gay” porque alguém lhe chamou de “gay”... Contam as más linguas que já se nasce gostando de homem ou de mulher, mesmo sendo homem ou sendo mulher...

O momento é de reflexão. De ver se não votamos errado quando referendamos o uso das amas para nossa defesa pessoal. Afinal, o risco que corre o pau corre o machado e o que dá pra rir dá pra chorar...

 

CARLOS SENA
Enviado por CARLOS SENA em 08/04/2011
Reeditado em 08/04/2011
Código do texto: T2897078

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Sobre o autor
CARLOS SENA
Recife - Pernambuco - Brasil
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