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FIZ SEXO E ENGRAVIDEI; SOU ADOLESCENTE!

O tema ainda é um complexo emaranhado de tabus que não é facilmente digerido pelas famílias de todas as classes das sociedades chamadas de civilizadas, principalmente para os latinos cristãos. A moça quando nasce preferencialmente é submetida a uma vida casta e seus pais preferem que ela fique assim até a data de seu casamento; na verdade, muitos pais nutrem mesmo o forte desejo de que suas filhas jamais conheçam o sexo, por mais que ninguém admita é este o pensamento que paira nas cabeças dos homens mais retrógrados.

Mas chega o dia em que elas menstruam e desta forma, querendo ou não, salvo por alguma anomalia motora ou cultura química, elas já podem engravidar; podem dar continuidade de suas árvores genéticas. O problema está na idade em que elas engravidam; em muitas tribos e culturas diferentes da nossa a mulher pode engravidar logo após a primeira menstruação, como forma de perpetuar logo cedo a história e os costumes de seu povo, mas em países como o Brasil, onde a mulher depende basicamente do apoio familiar até perto da idade adulta, engravidar antes dos 15 anos ainda é visto como um fenômeno estranho, curioso e preocupante!

A OMS (Organização Mundial de Saúde), órgão ligado a ONU, afirma que adolescência é um período compreendido entre os 10 e os 20 anos na vida de todo indivíduo; são os países quem determinam a idade adulta de cada pessoa e muitas vezes as questões culturais são os fatores preponderantes para sabermos se a pessoa é uma criança ou um adulto.

Muito embora a questão da menstruação esteja relacionada diretamente ao peso e a etnia, mulheres com a média de 12 anos atualmente já menstruam. A ciência pesquisou em publicou que adolescentes africanas com capacidade de gerar filhos são quase 15%, já asiáticas coreanas não chegam a 3%; isso traduz, segundo a própria OMS que a robustez corpórea entusiasma no tema gravidez.

Segundo o médico ginecologista e obstetra Cláudio Miranda, que fez especialização em reprodução humana na Espanha; mulheres adolescentes quando engravidam enfrentam quase as mesmas questões obstetrícias que as outras adultas. Uma gravidez numa idade abaixo de 18 anos não só envolvem os problemas físicos, mas também há de se pensar nas questões econômicas, emocionais, sociais, dentre tantas barreiras que surgem na vida desta pessoa. Cláudio Miranda também diz que quando comprovado a gravidez, seja numa mulher adulta ou numa adolescente, o melhor mesmo é iniciar o pré-natal e que a família proceda com o máximo de zelo, cuidado e apoio irrestrito a grávida. Nos casos de gravidez na adolescência ele ainda diz que o acompanhamento psicológico e obstetra; é fundamental para um desfecho saudável e feliz de todo o processo.

A África é de longe o Continente onde cada vez mais cedo as jovens mães são apresentadas a sociedade; na Zâmbia e Tanzânia a cada grupo de 1000 mulheres entre 15 e 19 anos, cerca de 15% ficam grávidas e têm seus filhos, enquanto no Brasil esta taxa é de menos de 1%.

O médico Cláudio Miranda também acredita que quando a sociedade de forma generalizada adota um padrão educacional levando para a escola aulas de educação sexual, não só diminuem as taxas de gravidez precoce, como também se amainam os índices de doenças sexualmente transmissíveis.

Os pais devem observar os períodos em que suas filhas fazem a transformação mecânica corporal de criança para adolescente. Muitos afirmam que há casos comprovados em que garotas com 9 anos já começaram a menstruar, da mesma forma que ainda também se observa casos de garotas com 16 anos que não sabem o que é isso. O mais importante não é simplesmente observar tal fenômeno natural da mulher, mas também deve haver o caráter de explicá-las o que aquilo significa para suas vidas e caso os pais não consigam, por razões educacionais, que um profissional de saúde seja contado e desempenhe o papel de tal aclaração.

É mais do que óbvio que uma criança de 9 anos raramente conseguirá entender completamente o que tal ato menstrual significará em sua vida, mas nós adultos devemos sim, o quanto antes, dotarmos nossos filhos para que durante a chegada desta causa fisiológica, pelo menos elas tenham uma breve noção e não se sintam amedrontadas ou desamparadas.

Em minhas antigas aulas de anatomia forense, a coisa que eu mais ficava ligado era nas questões médicas atreladas ao comportamento. Jamais escondi que meu grande desejo era de aprofundar ainda mais no mundo irreal que muitas vezes domina por completo o corpo humano, levando-nos a delírios e ilusões que somente a psiquiatria pode diagnosticar. Nesta questão irreal eu recordo das funções do hipotálamo, que é o centro das emoções e que está ligada diretamente ao ciclo menstrual. É o hipotálamo quem controla ou desenvolve as muitas sensações que chamamos de TPM e é ele também quem provoca a incrível sensação de gravidez emocional.

Uma oscilação psicológica ou um cordato distúrbio psiquiátrico poderia desenvolver uma alteração menstrual e por conseqüência um desequilíbrio pleno do ciclo feminino levando muitas vezes ao atraso da menstruação. Muitas mulheres passam a acreditar que estejam grávidas e a medicina inerte, principalmente a praticada no sistema público, muitas vezes também não detecta e esta ausência de gestação; e a paciente inicia todos os processos de uma grávida normal; algumas afirmam produzir lactose, inchaço dos seios e até o deslocamento do quadril. Médicos aconselham que nestes casos o melhor remédio é buscar ajuda de um psiquiatra para que o estado natural feminino não seja modificado, sobretudo o estado mental!

Dados brasileiros dão notícia de mais de 30 mil adolescentes grávidas por ano, a grande maioria são moças pobres e com pouco ou nenhuma instrução. Mas o problema não é genuinamente brasileiro; Estados Unidos e França travam uma verdadeira batalha a fim de diminuir as estatísticas cada vez mais crescentes. O Estado assume boa parte deste ônus, primeiro por não dotar o sistema educacional de uma matéria específica, depois porque tem que a conta do hospital raramente é cobrada dos pais; e por último, porque muitas destas crianças são abandonadas e geram uma trabalheira insustentável para outros setores da administração pública.

Se os pais ou parentes, obviamente os que possuem maior grau de discernimento lógico, advertir todos os jovens (homens e mulheres), para as conseqüências de uma gravidez na adolescência estas pessoas poderão pensar melhor antes de executarem o coito entre eles; ou ainda fazendo utilização de preservativos ou anticoncepcionais sob orientação de um médico.

Do meu ponto de vista, seja numa família abastada ou miserável, é muito melhor administrar a questão emocional e psicológica de uma garota que pratica sexo, do que reunir forças e critérios emocionais para criar uma criança que tenha sido gerada sem o mínimo de planejamento. Depois eu também acredito que adolescentes ou adultos deveriam somente ter filhos após terem uma vida pelo menos equilibrada socialmente. Os que ainda não trabalham e são sustentados pelos pais, obviamente que não podem sequer pensar em ter um filho!

Um fator que também não pode deixar de ser abordado e que é um crime aterrorizante, é quando adolescentes são engravidadas por pessoas da própria família; existem milhares de relatos em que elas afirmam terem tido relações sexuais com irmãos e até com os pais; os frutos destes nascimentos jamais poderão ter uma vida normal, da mesma forma que estas famílias jamais poderão evoluir ao ponto de servirem para qualquer exemplo. Infelizmente a maioria dos casos sequer chega ao conhecimento da autoridade, porque as vítimas não falam por medo e por vergonha.

Jovens grávidas abandonam a escola e transformam radicalmente seus comportamentos diante da família e dos amigos. Na questão profissional raramente uma mulher que tenha tido um filho com 15 anos fará faculdade e ingressará numa carreira promissora, porque redescobrem o caminho profissional muitas vezes quando seu filho já está também adolescente, mas o tempo passou tão repentinamente que seus empregos são os menos qualificados e elas ganharão salário mínimo; mas o que mais ocorre mesmo são os abandonos, que podem ser unilateral ou bilateral, como se pode observar:

A mulher engravida cedo de alguém que malmente ela conhece; na maioria dos casos esta pessoa que a engravidou não possui recursos para mantê-los, então cada pai de uma destas pessoas assume o ônus pela sua parte, criando um clima de desconforto e mal-estar entre ambas as famílias; outras vezes a cultura social familiar quer preservar uma falsa moral e os pais obrigam os jovens a casarem-se, o que normalmente termina como iniciou. Outra situação é quando a criança é entregue aos avôs para serem criadas a revelia dos cuidados dos pais.

Ainda há inúmeros casos onde abortos são praticados antes do nascimento do bebê o que constitui crime inafiançável e que pode levar (em alguns casos) os réus para a cadeia de 1 a 10 anos ou ainda à júri popular; está tipificado como Crime contra a Vida art. 121 a 128 do CP. A jovem percebe estar grávida e por não ter apoio familiar ou muitas vezes pressionado pelo pai da criança, é obrigada a se submeter a tratamentos em “açougues” com o nome de clínicas que praticam o morticínio infantil. Remédios perigosos e porções mágicas ministradas por curandeiros e charlatães também entram na vasta lista dos abortos, que no Brasil há quem diga que entre 800 e 1,2 milhões de abortos são praticados todos os anos.

Em 2008 eu mesmo fiz uma pesquisa com um grupo de 50 jovens grávidas e constatei que 70% das mulheres com menos de 20 anos que engravidaram já pensaram em aborto; 43% tentaram sem sucesso e 10% delas conseguiram. Estas 5 jovens que afirmaram terem feito aborto a mais velha tinha 17 anos e a mais nova 15; apenas uma afirmou ter engravidado por meio de violência física.

Passando para a prática a mulher jovem, ou muito jovem, aprende muito cedo que há de fato prazeres carnais muito fortes no ato sexual; da mesma forma que é muito comum, principalmente nas cidades grandes, ver duas mocinhas com menos de 16 anos se beijando na boca em praça pública, há também aquelas que assumem fielmente que aos 13 anos em média já começaram a praticar ato sexual com os mais variados parceiros e aí está a chave da questão!

Os homens querem desfrutar dos prazeres com estas moças sem o uso de preservativo e também é comum ouvirmos relatos delas quando dizem que eles pediram para introduzirem apenas parte de seus órgãos; o que se traduz em grave ignorância, pois assim também engravida. Eles também querem fazer sexo sem preservativos para afirmarem terem tido 100% de contato com estas muito jovens garotas, como se estivessem usando não fosse da mesma forma prazerosa. Por último a questão delas não conhecerem nada, vezes nada, dos métodos contraceptivos; não conhecem e não buscam antes a informação; muitas vezes não procuram auxílio nem depois e ficam a mercê da própria sorte, a mesma sorte que arrebenta e repele todas estas jovens grávidas de uma sociedade machista, medíocre e que se diz conservadora.

É hora de se cuidar meninas! É hora de orientar, senhores pais!


Carlos Henrique Mascarenhas Pires
www.irregular.com.br
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Enviado por Imperador Dom Henrique I em 10/04/2011
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