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Como anda a humanidade!

     

Até parece nome de filme, mas se você parar para analisar, perceberá que a humanidade está numa frenética correria para chegar a um primeiro lugar, não importando se outros sejam pisados, pisoteados ou eliminados. Eis o resultado da ambição sem controle e da ânsia ao poder.

Quer em qualquer situação, sempre haverá aqueles que se julgam melhores e maiores frente aos demais, mesmo andando na contramão.

No feriado de 15 de novembro assisti um abuso digno de roteiro de filme, mas não para mostrar o poder que as pessoas acreditam ter, mas sobre o abuso que certas pessoas impõem as demais.

Um senhor de uns 50 anos, caminhava pela Av. Imperatriz Leopoldina, como seu Dálmata, cachorro dócil, pelo canteiro central e pelo lado direito, como manda o Código Nacional de Trânsito no Brasil: circulação sempre pelo lado direito da via.

A sua frente, em sentido oposto, um jovem de uns 30 anos, de perfil atlético, cabelo curto, corria pela contramão desta suposta ciclo-via e ao aproximar do senhor, não desviou e o acertou com o cotovelo direito no seu flanco direito. Este parou e indagou o motivo e o jovem, enlouquecido, disse que na próxima vez iria dar um tiro no senhor. Já o senhor, retrucando disse que chamaria a Brigada Militar; este, riu, dizendo que o prenderia por estar transitando com um cachorro sem focinheira, ou seja, identificou-se pelo poder, pois deveria ser um brigadiano, como se diz aqui no estado.

É triste assistir isto em pleno século 21. Um jovem de perfil atlético,  supostamente de uma nobre corporação (BM), além de não saber que se deve transitar pelo lado direito, que se deve dar a preferência às pessoas mais velhas, ameaçar uma pessoa, dizendo que vai dar um tiro e prendê-lo por conduzir um cachorro dócil como os da raça Dálmata.

Por outro lado, acredito que ele não deva pertencer à Brigada Militar, porque além de rígida, exige um determinado perfil para seus brigadianos, os quais, mesmo em alta tensão, devam saber se controlar. Se pertencer, fico mais triste ainda, porque podemos perder a confiança. Basta uma maça podre que o cesto seja comprometido.

O mesmo acontece na vida comercial das pessoas. As empresas ávidas para conquistar mercado, proporcionam ofertas aos clientes. Os vendedores, comprando a idéia, colocam em todos os segmentos e pontos de vendas, estes produtos, proporcionando a riqueza ao empreendedor, dono deste negócio. Este, crescendo, fica deslumbrado pelo poder que tem nas mãos e esquece da ética e da moral, passando a pisar nos clientes internos, o seu patrimônio. Sem eles, a empresa, mesmo com o melhor dos capitais, não teria como sobreviver.

Nem todas as empresas agem assim, na contramão da direção, tal qual o jovem acima, que poderia – digamos assim – estar passando por dificuldades pessoais e ao invés de descarregar na sua corrida, aproveitou o senhor que caminhava.

Recordo do meu começo em vendas como representante comercial, porque tive de abrir uma empresa de representação – uma firma como se dizia na época. Hoje pago impostos como se fosse uma grande empresa, tal qual a ganância dos governantes que administram o município, o estado e o país. Fico triste porque a humanidade caminha para um fim sem volta. Jamais vi ditador se redimir e pagar espontaneamente pelos seus erros e abusos. Foram sim julgados, mas o sofrimento do povo jamais poderá ser suprimido e a indenização monetária não cobre ao sofrimento moral sofrido. Nada apaga a dor a não ser, com novas ações que possam, ao que sofreu, sentir a mudança e este passar melhores momentos.

Em vendas, um erro junto a um cliente – interno ou externo – estraga uma posição de mercado, uma conquista e uma vida. Pela empresa, trocasse o nome, quer do produto, quer dela mesma e os clientes que não percebem a maquiagem, continuam comprando; pelos clientes internos, somente resta uma única opção, a qual nem sempre pode ser adotada devido à situação em que se encontram frente às responsabilidades comerciais e familiares: pedir demissão.

Felizmente o mercado está começando a cobrar maiores ações por parte daqueles que fabricam e comercializam, exigindo, além de produtos que não comprometam a própria vida, atitudes sociais que possam melhorar a vida da sociedade em si. Não confundir aqui com àqueles que ao dizer que pagam em dia seus impostos, estejam agindo na ética. Isto é obrigação; ética é outra coisa, outra situação.

Portanto, reveja se sua empresa não está andando na contramão e corrija imediatamente, porque basta uma atitude como a acima para ficar fora no mercado. Se fosse filmado o ocorrido, certamente que este jovem perderia o seu emprego, deixando sua família a ver navios. Oxalá isto não aconteça, pois todos podem mudar.

Oscar Schild, um vendedor, gerente de vendas e escritor.
http://www.grandesvendedores.com.br



Oscar Schild
Enviado por Oscar Schild em 16/11/2006
Reeditado em 17/11/2006
Código do texto: T292950

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Sobre o autor
Oscar Schild
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 60 anos
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