A ETERNA DEFESA AMERICANA DO LIBERALISMO ECONÔMICO

Fidel Castro constantemente defende sua revolução cubana, seria uma revolução constante e eterna, mais paradoxal que pareça, os Estados Unidos também vivem a defesa de sua revolução, também constante e eterna, a revolução liberal.

Foi nesse país que as ideias de Adam Smith, David Ricardo e tutti quanti, encontraram as condições perfeitas para sua implantação, pois os ideais do liberalismo estariam no cerne da formação dos Estados Unidos, com isso toda uma estrutura jurídica, econômica e social proporcionaram as bases para a floração liberal.

A ganancia sórdida pelo lucro e o individualismo não encontraram freios nessa terra, referendada pela demagogia da livre iniciativa, mobilidade social e nas defesas da propriedade privada, evidentemente “sonhos” implantados artificialmente em sua população.

Em contraste ao “sonho americano”, a Europa vivia seu tolo nacionalismo, atrelando conquistas comerciais com disputas territoriais de um lado, fazendo sua revolução bolchevique do outro, no meio uma Guerra Mundial, ou seja, o liberalismo do mercado livre e da mão invisivel sumira ( inclusive na Inglaterra, mas admito, existem contestações ).

Entretanto, com o fim da Primeira Guerra, os Estados Unidos que haviam entrado somente no final, emergem como potencia e credor de boa parte do mundo, apesar do nacionalismo acirrado de Italia e Alemanha e a Russia vivendo o começo de seu socialismo real, o ideal do mercado livre sobrevive nas terras do Tio San.

Diante a ambição desenfreada dessa recém potencia, levada aos maiores abusos do sistema capitalista, com um Estado inteiro a mercê de tubarões criminosos revestidos de investidores, teve como consequência a maior bolha do mercado especulativo, dando inicio ao crack de 29, com isso, estava desacreditado o tabu do mercado livre e sua mão invisível, o mundo mergulhou na maior crise econômica, afetando toda cadeia produtiva e gerando massas e mais massas de desempregados. O liberalismo não conseguiu vencer as contradições existentes no capitalismo, pior, colocou-o numa fase de cíclicas crises temporais, fruto de diversos desajustes, entre eles as grandes demandas de produtos, créditos cada vez mais fáceis ( com altos juros ) colocando mais dinheiro pra circular do que a população poderia produzir, portanto, desacelerando o consumo e diminuindo as fornalhas da maquina capitalista, qualquer criança do ensino Fundamental saberia que a grande crise seria mesmo inevitável.

Solução encontrada por Rosevelt: maiores gastos do governo com infra/estruturas, contratações as pencas pelo o Estado como mobilização social e econômica, mais interferência do Estado nos mercados e na economia, desistem temporariamente da maior regra de Smith: a não intrveção nos mercados. Entretanto, na Europa as amarras das pendencias de guerra não resolvidas e o pavor pelo comunismo, jogaram as populações de Italia e Alemanha nos braços do totalitarismo fascista e nazista, culminando posteriormente na Segunda Guerra Mundial.

Com o fim da segunda guerra e os regimes nazi/fascistas desacreditados, o gigante americano agora reerguido sai vitorioso, não bastasse, através do inocente útil John M. Keynes, empurram guela abaixo do mundo o acordo de Breton Wood e logo depois o plano Marshall na Europa ocidental, ou seja, saíram desse processo todo como maior credor do mundo e com sua moeda internacionalizada, o dolar. Contudo, a Europa ocidental influenciada pelas politicas de incentivos do New Deal de Rosevelt, constroem reformas politicas, econômicas, sociais e trabalhistas necessárias para exterminar quaisquer possibilidades autoritárias de novo e, manter uma distancia segura do mercado livre sem regulamentação, os europeus abraçam o “bem estar” das sociais democracias.

O mundo envolvido na Guerra Fria entre EUA e URSS teve uma consequência ( uma “das” é claro ), pois, os efeitos ilusórios das reformas sociais e trabalhistas serviriam apenas de propaganda do bloco capitalista diante a “sedução” do socialismo, mostraria ao mundo o quão “justo” poderia ser o sistema de capital, diante esse ambiente demagogo, o liberalismo econômico parecia superado. Porém, com a recuperação das principais economias do mundo, a alta competitividade entres os países industrializados, aliados a subsídios estatais, mais os custos das reformas sociais, deriam sinais de exaustão no final dos anos 60, por trás da fachada falsa do capitalismo reformado, havia o desiquilíbrio das contas e o fétido e verdadeiro teor do capitalismo: o lucro e sua necessidade eterna de expansão.

O cenário tenebroso piorou com a oferta de dolares, ou melhor, os eurodolares ingleses principalmente, e, sob as ameaças do banco central inglês de descontar seu peso em ouro no tesouro americano, desnudou toda a estrutura desse corroído e propagandesco sistema econômico pós guerra, as incertezas sobre o EUA de honrar suas dividas, em outras palavras, os Estados Unidos estavam falido, não tinham mais condições de pagar as contas do suicida “progresso do capitalismo justo”, era o fim da paridade dolar/ouro, do acordo de Breton Wood, do capitalismo reformado, das sociais democracias.

A estacada final no mundo cor de rosa do pós guerra veio com a tomada de territórios palestinos por israelenses, com apoio ocidental, pois contrariados, querendo mais dolares por barril de petróleo, os arabes usaram a palestina e os palestinos como causa nobre, diminuiriam a oferta do produto, jogando os preços pra cima e gerando a famosa crise do petróleo, perderam todos.

Nesse período, anos 70, o Japão recuperado e altamente industrializado descobre as benesses das exportações por encomendas a preços baixos ( toyotismo ) e os conglomerados de multinacionais japonesas crescem, fabricavam cópias boas e baratas, quase nenhum custo trabalhista, aliado a uma moeda programada para ser desvalorizada perante o dolar, com isso enche o mercado com suas manufaturas.

É A DEIXA PARA O RETORNO DO LIBERALISMO, agora com uma roupagem de globalização e um novo nome para o velho canalha: o neoliberalismo. Os Estados Unidos retomam sua condição econômica primária e opressora.

Daí por diante, ou década de 80 em diante, o neoliberalismo será a força da produção, governos conservadores de Reagan ( EUA ) e Tcatcher ( Inglaterra ) confiscaram e extinguiram direitos trabalhistas, cortaram impostos e privatizaram estatais, diminuíram postos de serviços em países com direitos garantidos, exploraram mão de obra quase escrava do sudeste asiático, tudo para para validarem o projeto liberal. Com a extinção da União Soviética e queda do Muro de Berlin ( anos 90 ), só acentua a nova ordem econômica, pois, agora os capitalistas não possuem mais o medo do socialismo e podem e fazem a exploração sem qualquer tipo de freio moral ou digno ( o fantasma comunista morrera ), o neoliberalismo agora formalizado ideologicamente com o novo tratado ( Consenso de Washington ). Através do FMI e OMC o novo sistema coloca de joelhos nações do terceiro mundo, impondo uma década ( de 90 ) de privatizações a troco de bananas, impõem regras e apertos fiscais – o senhor leitor não acredita mesmo que o fim da inflação saiu mesmo da equipe de FHC e da PUC RJ, não ?

É importante dizer que todo esse processo de liberalização da economia contou com o apoio da informatização dos mercados, pois o dinheiro ficou livre, podendo rodar varias bolsas do mundo em um só dia, o liberalismo agora atingiu seu ápice, como um cavalo de Troia moderno entra em um determina país e saí com suas riquezas, é parasitário cibernético ideal para a nova ordem. Contudo a globalização é um termo mais abrangente para o entendimento, o mercado financeiro é apenas uma de suas facetas, na globalização os investimentos circulam livremente favorecendo a distribuição dos bens e serviços, participando na criação de multinacionais sem rostos, hoje um aparelho de celular de marca americana, é fabricado na China e vendido nas lojas no Brasil, simples assim.

A globalização possui carater universalizante, unindo culturas e perpetuando condições consumistas em qualquer parte do planeta, gerando características dispares, por um lado os povos estão se conhecendo, por outro caem nas armadilhas da alienação, mental, física e virtual, de um mundo altamente fútil e “robótico”.

Esse processo nos levou as bolhas e crises virtuais, empobrecimento das massas trabalhadoras e alimentando o abismo de ricos e pobres, a crise imobiliária de 2008, como foram as crises do México, Asia e Russia nos anos anteriores, apenas nos mostra a real face desse sistema edemático e injusto do liberalismo internacional. Sua corrente nos mercados financeiros, o lucro, é buscado não importa a onde e como, perpetuando assim a exploração do homem pelo homem, e pela exploração do homem pela máquina. Na crise de 2008, o tesouro americano interviu para salvar seu futuro imediato, mas, a longo prazo o liberalismo e seu capitalismo selvagem irá voltar, novas crises acontecerão, está na essência deste sistema, crises cíclicas ocasionais.

Não duvide da força americana em preservar e eternizar os valores de sua revolução liberal .

Palavras do historiador Eric Hobsbawn:

“””””O principal efeito de 1989 é que o capitalismo e os ricos pararam, por enquanto, de ter medo. Tudo o que fez com que a democracia ocidental valesse a pena para seus povos – previdência social, o estado de bem-estar social, uma renda alta e crescente para os trabalhadores, e sua consequência natural, a diminuição da desigualdade social e a desigualdade de oportunidades – resultou do medo. Medo dos pobres e do maior e mais bem organizado bloco de cidadãos dos Estados industrializados – os trabalhadores; medo de uma alternativa que existia na realidade e que podia realmente se espalhar, notavelmente na forma do comunismo soviético. Medo da instabilidade do próprio sistema. (...) O que quer que Stalin tenha feito aos russos, ele foi bom para o povo comum do mundo Ocidental. Não é nenhum acidente que a forma Keynes-Roosevelt de salvar o capitalismo tenha se concentrado na previdência e no bem-estar social, em dar aos pobres dinheiro para gastar e (...) o ‘emprego-pleno’. “”””””

Alexandre Histthor
Enviado por Alexandre Histthor em 19/05/2011
Reeditado em 19/05/2011
Código do texto: T2981007