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O NASCIMENTO DA CRÔNICA

                                          Leo Barbosa
                                       (escritorleobarbosa@hotmail.com)

                                         O nascimento da crônica

   Machado de Assis dizia que há um jeito meio certo de começar uma crônica – por trivialidade. Dizendo: que calor! Que desenfreado calor. No entanto, caro leitor,não vim aqui para contar como iniciar uma crônica, mas como esse gênero surgiu no Brasil. Se formos ao dicionário verificar o radical grego chrono, chegaremos à já tão proferida definição por muitos professores: “Compilação de fatos históricos apresentados segundo uma ordem de sucessão do tempo”.
   Alguns estudiosos acreditam que a carta de Pero Vaz de Caminha foi o primeiro registro no gênero.  Todavia, levaremos em conta o seu vínculo com a imprensa.  Os primeiros autores eram incumbidos de escrever fatos do cotidiano, ou do decorrer da semana. Eram os chamados “folhetins”. Entre o final do século XIX, as penas foram entregues a mestres como Machado de Assis, João do Rio.
   Foi a partir de janeiro de 1854, quando José de Alencar publicou o primeiro folhetim da série “Ao correr da pena”, no Correio Mercantil, que o gênero começou a ganhar os moldes atuais.
 Aos poucos, o que parecia uma missão, foi ganhando um teor literário. Narrações acerca das classes sociais, a urbanização, as rinchas entre os amantes. Hoje ela ocupa diariamente pelo menos meia página em todos os grandes jornais brasileiros e, transforma-se em livros que logo ficam entre os mais vendidos, como no caso das produções do Fernando Sabino, Fabrício Carpinejar, Arnaldo Jabor, Moacyr Scliar, Rubem Alves, Luis Fernando Veríssimo, Mario Prata, Clarice Lispector,Lya Luft, Rubem Braga. Esse último sendo o único que conseguiu viver de crônica no Brasil, seja pelas suas publicações em jornais, seja em livros.
   Essa compilação de textos em livros, iniciada pelo Braga mostrou o quão é imprescindível que essas maravilhas cotidianas vençam a linha do cronológico, pois, como sabemos, o jornal deteriora-se com facilidade e não temos fácil acesso a todos esses. A crônica foi democratizada. Hoje os textos dos nossos autores preferidos são aglomerados. Na correria do dia-dia torna-se inviável acompanhar esses relatos literários.
   No início de 2007, os editores da Batel/Desiderata conversaram com os netos de Cecília Meireles e tiveram conhecimento de um material em prosa, inédito em livro, organizado e apresentado pela própria poeta e que havia sido guardado em sua biblioteca. Tratava-se de textos publicados entre 1929 e 1930 em O Jornal. A junção desses textos resultou no livro intitulado “Episódio Humano”, onde o leitor encontrará a Cecília num lirismo denso, puro. “Naquele tempo, ela acordava com espanto: como o grito dos feridos recentes”.
    Que continuem as crônicas nos alertando sobre a vida crônica e cronometrada.
                                                                                      Leo Barbosa é poeta

(Texto Publicado no "Correio da Paraíba" em 28/05/11)
Leo Barbosa
Enviado por Leo Barbosa em 28/05/2011
Código do texto: T2999562

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Sobre o autor
Leo Barbosa
João Pessoa - Paraíba - Brasil, 24 anos
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Leo Barbosa



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