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TROTE: FESTA OU BARBÁRIE


     Há um problema grave ocorrendo com os estudantes que deveria preocupar mais os pais, educadores e a sociedade em geral - é o famoso trote. Aquela brincadeira descontraída de jovens alegres transformou-se numa violência sem limites.
     Ser aprovado no vestibular é uma grande vitória, alguns chamam de sorte, mesmo assim, para muitos foram noites sem dormir, aulas particulares, cursinhos, nervosismo, e a escolha da futura profissão - tudo isso está ligado à razão e à inteligência. A classificação é emocionante, ler o próprio nome preenchendo vagas tão concorridas mexe com os hormônios e extravasar toda a emoção é saudável e necessário, principalmente na juventude. Fazer barulho, pintar o rosto, comemorar, faz parte da vitória.
     Contudo, neste novo milênio, muitos desconhecem ainda o limite de seus atos e como observamos em nossa cidade, ocorre em todo o país - jovens com a roupa imunda, atrapalhando o trânsito, exigindo dinheiro, gritando palavrões, transmitindo a outros jovens, economicamente em desvantagem, pois muitos sequer têm a oportunidade de concluir o Ensino Médio, um atestado de total burrice.
     Por que isso ocorre? Quem vence uma etapa estudantil tão difícil, minoria ainda neste país de milhões, são privilegiados talvez sem consciência. O adolescente em geral é contestador, isso é ótimo, por que então alguns vão nessa onda sem questionar, como gado conduzido ao matadouro?
     Uma simples sugestão seria a dos cursinhos, que até publicam o nome de seus alunos classificados, que têm métodos moderníssimos de ensino, que orientassem os vestibulandos quanto a questões de limites, respeito aos outros e a si, livre arbítrio e cidadania? E os pais? Até quando ficarão omissos?
     Outro exemplo estarrecedor foi o caso de um aluno, veterano, quase formado em Medicina, que acabou matando um calouro; como será esse profissional que deveria ter como objetivo primordial salvar vidas? E quem se responsabiliza por tantos mutilados e traumatizados?
     É triste ver nossos jovens tão perdidos, que poderiam aproveitar os momentos de vitória ajudando as comunidades sofridas, sem acesso à educação; colaborando também com a ecologia, o patrimônio, até mesmo promovendo festas alegres e saudáveis e com outras idéias criativas e inteligentes.
     Cidadania e respeito deveriam ser disciplinas fundamentais em qualquer nível escolar e também na convivência familiar.
     Concluindo: todos nós somos responsáveis pela geração que nos sucederá e essa barbárie precisa ser contida.

   
Rosa Dias
Enviado por Rosa Dias em 25/11/2006
Código do texto: T300662
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Sobre a autora
Rosa Dias
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 59 anos
39 textos (6677 leituras)
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Rosa Dias