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A verdade sobre a Febem*

Por Edison Evaristo Vieira Junior

Como ex-funcionário da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem-SP), sinto-me na obrigação de dar alguns breves e esclarecimentos sobre os recentes fatos ocorridos nesta Fundação, desde a demissão em massa de centenas de trabalhadores, como as inverdades e falsas concepções que estão sendo lançadas na grande imprensa como sendo verdades absolutas.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que eu era Agente de Apoio Técnico, trabalhava em contato direto com os adolescentes internados na Unidade de Internação Adoniran Barbosa, no Complexo Vila Maria. Não possuo nenhum processo administrativo, nenhuma acusação de espancamento ou tortura, nunca me afastei e nunca faltei sem justificativa, mesmo assim fui demitido, sem nenhuma causa.
O atual Secretário de Justiça e Presidente da Febem, Alexandre de Moraes, não sabe absolutamente o que está fazendo com a Febem, ou está agindo com má fé deliberada com intuitos escusos. Tirar os Agentes de Apoio Técnico do pátio é a mesma coisa que deixar a cidade sem policiamento, isto é, os cidadãos fariam o que bem entendessem e a Polícia só agiria quando a situação ficasse totalmente fora de controle. A onda de rebeliões é reflexo direto da postura psicótica da Febem em relação ao modo de tratar os internos, deixando apenas Agentes Educacionais no pátio e com os Agentes de Segurança fora, dando a oportunidade para os adolescente fabricarem facas artesanais (naifas), agredirem a estuprarem outros adolescentes, destruir o patrimônio público, destruindo todos os princípios de disciplina que ainda restavam na Fundação. Unidades tranqüilas do Tatuapé se tornaram baluartes de baderna e indisciplina, adolescentes até atendem telefonemas nas administrações e controlam os estoques de produtos de limpeza e de higiene, por exemplo. O correto seria os Agentes Educacionais trabalharem em conjunto com os Agentes de Segurança dentro do pátio, onde os internos fariam as atividades pedagógicas com supervisão de funcionários que inibiriam ações não autorizadas, como as que citei acima.
Fora as mentiras deslavadas em que Alexandre de Moraes acusava os funcionários antigos de promoverem rebeliões e facilitarem fugas (eu vivi de perto e sei muito bem o que realmente acontecia) há outro ponto que deve ser esclarecido.
A imprensa está vendo como algo positivo a presença permanente de mães dentro da Febem, algo que eu não concordo. Não estou querendo generalizar, mas já vi mãe trazendo maconha e celular para o filho internado e em uma fuga em massa ocorrida em novembro de 2003 na hora da visita, mães queriam queimar monitores nos colchões, mas foram salvos pela benevolência dos internos que não queriam machucar os funcionários. Nesta mesma fuga, as mães ajudaram os filhos a fugirem em seus carros particulares enquanto outras ajudavam a amarrar funcionários. Em outras ocasiões, mães de uma determinada entidade vinham até a Unidade e logo depois ocorria alguma fuga em massa na qual carros esperavam os adolescentes nas proximidades da Unidade. Não sei se os fatos se inter-relacionam, mas que é estranho é.

* -  O presente texto foi escrito no dia 18 de abril de 2005, durante a gestão Geraldo Alckmin, como Governador do Estado de São Paulo e da gestão Alexandre de Moraes, como presidente da Febem, - atual Fundação CASA - e dizia respeito da situação das unidades após a demissão de mais 1500 funcionários, que foram acusados de promoverem as rebeliões e de serem torturadores pelo então presidente da Febem, o que rendeu milhares de processos na Justiça contra o Governo do Estado, que terá que desembolsar milhões de reais dos cofres públicos para pagar as indenizações. Os servidores demitidos foram ofendidos publicamente na grande mídia, levianamente, e quem vai pagar a conta da má escolha para presidir uma fundação estadual pelo então governador será o povo paulista. Os funcionários demitidos, após meses de luta, foram reintegrados ao trabalho pela Justiça do Trabalho, porém, muitos simplesmente se negaram a retornar às unidades completamente desorganizadas.
Edison Evaristo Vieira Jr
Enviado por Edison Evaristo Vieira Jr em 11/06/2011
Código do texto: T3027272
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Edison Evaristo Vieira Jr
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 35 anos
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Edison Evaristo Vieira Jr



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