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Tragédia em 3 tempos


   O sentimento de uma comunidade é o melhor indicador sobre um ótimo ou péssimo funcionamento de qualquer área social, pública ou privada. Quando na área particular, existindo a concorrência equilibrada, temos oportunidade de trocar o produto ou serviço que não está agradando a qualquer instante. Quando se trata de entidade pública, numa terra onde a Justiça (?) só usa vendas nos olhos contra os pobres, ficamos à mercê dos monopólios que cobram impostos e tarifas inviáveis para prestar serviços precários à população não acostumada a cobrar seus direitos com veemência.

   Não precisamos de índices numéricos tabulados (muitas vezes manipulados) para percebermos as deficiências que rodeiam nosso cotidiano. Basta observar os pontos que nos afetam diretamente, excetuando as “ilhas” de excelência que funcionam mais pela dedicação de seus funcionários do que pelas normas editadas pelos seus “brilhantes” gerentes políticos sem preparo técnico adequado. Dentre as áreas mais deficientes, podemos citar:

Educação – professores mal remunerados e ainda com seus parcos salários atrasados, não encontram tempo (precisam dar aulas esbaforidas em 4 escolas) nem motivação para participarem de cursos de reciclagem que possibilitem ensinamentos adequados às nossas crianças, que largadas ao destino, tendem a engordar a legião de “formados” sem qualificação que se sujeitarão aos salários deprimentes que são oferecidos mesmo aos que possuem alguma qualificação a mais mas são obrigados a se sujeitarem a este tipo de humilhação pela falta de oportunidades criadas em função da política nacional a favor da degradação de nossa dignidade.

   É o exemplo da morte a longo prazo.

 Saúde – médicos, enfermeiros, anestesistas e assemelhados encontram-se numa situação similar (ou pior) pois também trabalham sob pressões agravadas pela ausência de recursos de material e medicamentos para prestarem um atendimento mínimo aos enfermos que desembarcam nos postos de atendimento a cada instante. Dentro deste cenário, quem entra gripado num hospital deste padrão, após absorver as infecções que habitam o lugar tende a sair com pneumonia ou tuberculose.

   É o exemplo da morte a médio prazo.


   Transporte – nas ruas, estradas (mesmo com pedágio elevado), ferrovias e rios, o abandono é o destaque principal. A conservação é mínima e o “canibalismo” é a única forma de se dar manutenção aos veículos e vagões obsoletos. A fiscalização é pior ainda. Carros com mais de 25 anos de idade, sem peças de reposição, trafegam com para-choques seguros por arames, pneus carecas e quase sem freios. Autoridades (de todas as esferas) preferem a manutenção deste caos que germina a corrupção de vários preços, pouco se importando com dezenas de pessoas acidentadas (ou mortas) nos veículos mal conservados que trafegam nas vias sem tratamento regular.

   E até mesmo no ar, onde a situação é menos agressiva (teoricamente) e aparentemente a segurança dos usuários é maior, a pressão sobre controladores de vôos tornou-se maior nestes últimos dois meses devido ao acidente (*) com o avião da Gol, quando faleceram 154 pessoas. Tipo de ocorrência impensável pela modernidade dos equipamentos usados e pelas condições ambientais numa tarde sem chuvas sobre a floresta amazônica. Mesmo não conhecendo o ambiente de trabalho destes profissionais, pelo tipo de política trabalhista que nos rege, podemos deduzir que eles devem ser tão sacrificados como outros valorosos empregados de outras áreas da sociedade.

   É o exemplo da morte instantânea.

(*) – Circula na internet uma versão plausível sobre existir a chance de ter ocorrido sabotagem neste evento. Cabe às autoridades (estarão aparelhadas e interessadas?) coletar evidências mais concretas para compor o quadro mais próximo da verdade.

   

Haroldo P. Barboza – Matemático, Analista de computador e Poeta – nov/2006
Autor do livro: BRINQUE E CRESÇA FELIZ!

Referendo de sucesso será o que permitir expurgo no Congresso!


Haroldo
Enviado por Haroldo em 28/11/2006
Código do texto: T304098
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Sobre o autor
Haroldo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 71 anos
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