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JUSTIÇA DIVINA

Wagner Herbet Alves Costa (1968-2006)
Sábado 29 Outubro de 2005 às 22:52:07

a) O divino Espírito Santo é uma pessoa e pessoa divina, é o que deixa claro São Pedro no episódio de Ananias: “Encheu Satanás o teu coração para mentires ao Espírito Santo... Não foi a homem que mentiste, mas a Deus”(At 5,3-4)... Também este é um trecho que mostra que Deus não é somente misericordioso, mas igualmente infinitamente justo. Tem gente que acha que o Deus do Novo Testamento é diferente do Antigo Testamento. Chegam a dizer: ‘Lá, na Antiga Aliança, Deus punia; agora, na Nova, perdoa, é só amor’... Ora, isso Ridículo e herético! Está escrito: “Quão terrível é cair nas mãos do Deus vivo!” (Hb 10,31). “O rosto do Senhor se volta contra os que praticam o mal” (1 Pe 3,12)...

A primeira vez que eu fui convidado para fazer um pequeno comentário, em um templo católico (antes já havia feito em salões da Igreja), foi a convite da Renovação Carismática. E justamente porque, entre eles, há uma tendência para uma visão “melosa” do divino, sentimentalóide, e como era período da Quaresma, eu logo toquei neste assunto, dizendo-lhes dentre outras coisas: ‘Ora, vocês carismáticos gostam muito de falar que Deus é misericórdia (e por certo ele é, infinitamente misericordioso!); todavia, não se pode obscurecer o Deus que é infindamente justo. Quantas vezes já ouvi, entre vós, ser dito haver ‘ministério de cura’; porquanto, espelhando-se no ministério dos apóstolos e pela já tão batida e rebatida frase de que Deus é Amor, e nos ama... E o Deus de Justiça? Cadê que não se fala, nunca, em punição! Não haveria ministério de punição (ou algo que lhe equivalesse)?... Ora, os apóstolos foram igualmente ministros de punição. Os Santos Apóstolos não foram ministros só de bênçãos, mas de justiçamento também. Veja o que São Paulo diz àquele que lhe atrapalhava a evangelização: “Homem cheio de toda a falsidade e de toda malícia, filho do diabo e inimigo de toda justiça, não cessarás de perverter os caminhos do Senhor, que são retos? Pois agora, a mão do Senhor está sobre ti: ficarás cego; e por um tempo não verás o sol” (At 13,11). [Eis, por conseguinte, que: o indivíduo que estava numa tremenda cegueira espiritual e impedindo a transmissão da Boa Nova do Sol de Justiça, agora ficará sem ver o próprio sol físico. Quão misericordioso foi o apóstolo dos gentios, não foi? Quão adocicadas foram suas palavras, não é mesmo?]


E se Senhor pode ministrar a cura, por meio de seus ministros religiosos, e pode também, fazê-lo, semelhantemente, por meio dos homens civilmente estatuídos, como os médicos; assim também, do mesmo jeito, o Altíssimo poderá ministrar a punição tanto por intermédio de autoridades religiosas como pelas civis. Não podemos nos esquecer que: “A Igreja reconheceu como fundamentado o direito e o dever da legítima autoridade pública de infligir penas proporcionadas às gravidades dos delitos, sem excluir, em casos de extrema gravidade, a pena de morte”[CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, 5a edição, Editora Vozes Edições Paulinas Edições Loyola Editora Ave-Maria, RJ/SP, 1993, p.514, no. 2266].


Na Bíblia está escrito: “Todo homem se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus. De modo que aquele que se revolta contra a autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus. E os que se opõem atrairão para sobre si a condenação. Os que governam incutem medo quando se pratica o mal, não quando se faz o bem. Queres então não ter medo da autoridade? Pratica o bem e dele receberás elogios, pois ela é instrumento de Deus para te conduzir ao bem. Se, porém, praticares o mal, teme, porque não é à toa que ela traz a espada: ela é instrumento de Deus para fazer justiça e punir quem pratica o mal. Por isso é necessário submeter-se não somente por temor do castigo, mas também por dever de consciência” (Rm 13,1-5).
São Pedro, como vimos anteriormente, anunciou não só a morte de Ananias, mas a da esposa deste: “Eis à porta os pés dos que sepultaram teu marido; eles levarão também a ti” (At 5,9). Curiosamente, o único apóstolo, em toda Bíblia, que profere algo vinculado a uma sentença de morte é somente Pedro, o primeiro pontífice da Igreja.

b) Lembremos que o poder que Deus dá aos governantes vem dos céus. “Todo dom precioso e toda dádiva vem do alto e desce do Pai das luzes” (Tg 1,17). Disse Jesus a Pilatos: “Não poderia ter poder algum sobre mim, se não te fosse dado do alto” (Jo 19,11). Aliás, Jesus já havia dito que seu reino não era deste mundo, para deixar claro que não veio opor-se à autoridade que os que governam, na temporalidade, têm. Que não adveio para acabar com o domínio que ele próprio conferiu aos homens. [É verdade, entretanto, que os poderosos orgulhosos, por vezes, ele os depõe e coloca a pessoas mais humildes em seus lugares. Como o fez com relação a Saul, dando o trono a Davi. Noutras palavras, muda os donos do poder, mas não acaba com o poder. Não à toa que, é nosso dever cristão orar pelos que governam para que, com justiça e retidão, dirigiam o povo: “Eu recomendo, pois, antes de tudo que se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens, pelos reis e por todos que detêm a autoridade” (1 Tm 2,1s.). ]


As seitas mesmo que nunca condenem ninguém à execução, ainda assim, são terrivelmente ímpias; haja vista, ser-lhe habitual a difusão das suas doutrinas heréticas. A Igreja Católica, mesmo quando participa, legitimamente, de tribunais com autoridade para sentenciar à pena capital, sempre é certa na Doutrina de Fé que transmite ou que defende. [Os hereges, em geral, são os piores tipos de pecadores; porquanto, não só condenam a si mesmo, mas são capazes de arrastar multidões consigo para o Inferno.]



c) É interessante notar que o texto apocalíptico fala que a Besta seria ferida por um gládio: “A Besta que tinha sido ferida pela espada” (Ap 13,14). Lembremos que o único apóstolo EXPLICITAMENTE citado tendo uma espada é o primeiro Pontífice da Igreja de Deus, Pedro: “Então, Simão Pedro, que trazia uma espada” (Jo 18,10); o qual, aliás, utilizou-a para ‘ferir’ alguém (cf. Mc 14,47; Jo 18,10). E, como já vimos, também é ele o único apóstolo que, em toda Escritura Sagrada, profere sentenças ligadas a mortes, no caso de Ananias e Safira (cf. At 5). Ao que, verdadeiramente, trouxe tamanho temor: “Sobreveio então grande temor à Igreja e a todos que tiveram notícia destes fatos” (At 5,11); mas igualmente não é o que está escrito na Bíblia: que a autoridade traz a ‘espada’ e causa ‘temor’ (cf. Rm 13,1ss.)?... Aliás, podemos acrescentar ainda o caso do mago Simão, em que Pedro (o chefe dos apóstolos) disse-lhe: “Pereça o teu dinheiro, e tu com ele” (At 8,20). Olha aí! O primeiro papa expressou-se com rigor e severidade – usando o vocábulo “pereça” – não é mesmo?... Cadê os românticos de plantão que, aos quatro ventos, gosta de repetir que ‘Deus é amor’, como disse São João. O qual, a bem da verdade, nunca falou que ‘Deus é SÓ amor’... Que ele é Amor, isso é incontestável! Entretanto, mostre-me, nas Escrituras, que ele é ‘somente’ Amor.


Note-se, ainda, que Jesus nunca mandou Pedro jogar a espada fora, disse sim: “Embainhai a tua espada” (Jo 18,11).



d) O protestantismo não é comparável à Besta? (Um monstro infernal que atenta contra a Igreja de Deus, possuidor de múltiplas cabeças (cf. Ap 13,1), como o Pai dele, que é o Diabo e Satanás)... Qual o tratamento que a Besta, segundo a Bíblia, mereceria?... Qual a atitude que tomaram aqueles papas que viveram naqueles tempestuosos tempos da implantação da famigerada rebelião protestante?... Se o uso da força, legitimado pelo poder temporal que os romanos pontífices detinham e detêm, não acabou com a ímpia e satânica Rebelião Protestante no seu surgir; o certo, porém, é que ela, ainda assim, foi ferida conforme descreve o Apocalipse. Todavia, não teria, posteriormente, chegado um tempo de que, tal ação, encabeçada pelo chefe visível, teria que cessar; cumprindo o que o Cabeça Invisível prescreveu: “Deixai! Basta!” (Lc 22,51). Veja que estas palavras de Cristo, só foram proferidas depois que o adversário já havia sido ferido. E a palavra ‘basta’ poderia indicar: ‘Isto é suficiente!’ Ou seja, tudo aquilo que foi feito para ferir o império bestial do protestantismo (figurado pelo ‘Malco’) era o satisfatório. Dando a entender que até ali, os vigários de Cristo puderam atuar. E não que, necessariamente, fosse errado a forma que eles agiram. (Pelo menos é uma possibilidade interpretativa. Bem, se estou errado; então desconsiderai o que eu acabei de escrever!... Mas que parece com um juiz daqueles tempos, o qual costumava dizer ao carrasco para punir algum infrator, de tal modo que o mesmo começa a açoitar o meliante; e, depois dum dado número de vergastadas, o meritíssimo lhe dizia: ‘Basta!’. Aí o algoz parava de chibatar o criminoso.


O Senhor, no tempo de Davi, também dissera ao seu anjo justiceiro que embainhasse a sua espada: “Iahweh... ordenou ao Anjo que recolocasse sua espada na bainha” (1 Cron 21,26-27). Pois nesta ocasião, igualmente, ele veio a compadecer-se dizendo: “Basta!” (1 Cron 21,15). Mas compadeceu-se só depois que uma veemente punição já havia sido aplicada. De fato, como escrevi num outro artigo, o Papa é como um anjo de Deus entre os homens. [Aliás, a palavra “anjo”, na Bíblia, também é aplicada a seres humanos.]



e) Viva o Papa! Esta foi a frase que São João Bosco, no século XIX, ensinou, sabiamente, aos seus: enquanto “outros” ensinavam ‘viva’ saudando o nome do pontífice romano (sem referir-se ao cargo).


Promover a unidade é dever de todos os papas. O problema é como é que se pugna por essa unidade, e é justamente o que vemos variar ao longo da História Cristã. A metodologia (a forma de tratar os que estão separados da unidade querida por Deus) pode até mudar, todavia, jamais abrindo mão da verdade. Se não se deve haver unidade sem caridade, também não pode haver caridade sem verdade. A situação histórica em que os papas que acompanharam o surgimento da ímpia reforma protestante não os teria “pressionado” a se posicionarem, metodologicamente, da forma que eles se postaram? [Um médico certamente não deseja amputar a perna de seu paciente, mas, numa situação extrema, ele terá que fazê-lo – em benefício de todo o corpo. A medida é duríssima, indesejável; porém, necessária.]


Recordemos, no exemplo supracitado, do Anjo portador da espada: num determinado momento o anjo pôde agir punitivamente, mas, logo a seguir, noutro tempo, ele não pôde. Destarte, em ambas situações, agira conforme determinara o seu Senhor; ou seja, em obediência a este. Sendo assim, agira corretamente nas duas ocasiões.


Na Bíblia mesmo está escrito: “Há um tempo para tudo... Tempo de atirar pedras, e tempo de recolher, tempo de separar e tempo de abraçar... tempo de guerra e tempo de paz” (Ecl 3,1.5.8). Como se ter certeza que, naqueles azos, a METODOLOGIA empregada na Igreja, segundo a autoridade dos seus governantes, não era correta? (Não era, pois, um tempo combativo?)


Têm algum ser humano que pode realmente julgar, com toda isenção, que eles erraram ao tomarem aquela postura? Talvez um outro papa? Mas não foram papas que tomaram aqueles posicionamentos? Insisto (e perdoem-me minha retumbante ignorância): tem o papa autoridade para julgar a outros papas que viviam noutras épocas (com todas as diferenças culturais, sociais, etc) por aprovarem métodos que hoje são sumamente reprovados para defender essa mesma doutrina? Em suma: a infalibilidade pontifícia açambarca tal extensão de juízo?


Entretanto, penso eu: justamente, por ser uma questão metodológica, é que aqueles papas poderiam, quiçá, no campo das hipóteses, estarem errados. Todavia, não me atrevo a dizê-lo: primeiramente, porque não sou papa; e, em segundo lugar, mesmo que fosse, não ousaria a me pronunciar nesse sentido. Ficaria a pensar em frases bíblicas como as que seguem: “Entretanto se alguém... vos anunciar um evangelho diferente do que vos anunciamos, seja anátema” (Gl 1,8), “Nenhum homem votado ao anátema poderá ser resgatado, será morto” (Lv 27,29), “Os que foram iluminados... e não obstante decaíram... está perto da maldição: acabará sendo queimada” (Hb 6,4-8). Será que o Todo-poderoso não iluminou aqueles papas para que agissem assim (ou semelhantemente)? Se só Deus é quem sabe a resposta a esse meu questionamento, então só a ele cabe julgar aqueles pontífices!... Ainda me sobrevêm outras passagens bíblicas: “Se alguém não permanece em mim é lançado fora... são recolhidos, lançados ao fogo e se queimam” (Jo 15,6), “Vós sóis o sal da terra. Ora, se o sal torna insosso... Para mais nada serve, senão para ser lançado fora e pisado pelos homens” (Mt 5,13), etc.



O fato é que não se pode ter uma visão unilateral do ser divino, como se ele fosse unicamente misericordioso, em detrimento do seu caráter justiceiro. Não é herético escolher somente as passagens bíblicas em que se fala do amor de Deus, pronto a perdoar; ocultando sua infinita justiça, disposta a punir os pecadores impenitentes? Com efeito, também está escrito: “Iahweh é um Deus ciumento e vingador... Iahweh é lento para a ira... Mas a nada deixa Iahweh impune!” (Naum 1,2-3).



f) Mesmo que alguém encontre algumas partes boas (ou, pelo menos, menos ruim) numa maçã cheia de podridão, ninguém poderia, com isso, chamar a maçã de boa! O todo é chamado de ruim, apesar de uns poucos pontos que não estivessem ruim. Por conseguinte, o protestantismo, ainda que vislumbrássemos nele alguns elementos pontuais não tão ruins, podemos (e até devemos, creio eu) chamá-lo de nocivo. Porque, de fato, o conjunto é maligno.



g) É perfeitamente possível que Constantino tenha tido um sonho/visão e o Senhor lhe ter assegurado aquela vitória em Ponte Mílvio. E, por conseguinte, sido utilizado para dar lenimento e refrigério aos séculos de intermitentes perseguições aos cristãos. Que Deus pode se servir dos reis deste mundo, isso é um fato. Justamente ele, que é o Rei dos reis e Senhor dos senhores... O certo, é que, a partir de Constantino, aquilo que tanto os cristãos desejavam, nos tempos anteriores, que era viver em paz, sem ter que passar pelas tortuosas persecuções, se foi consolidando.


Quantos não deveriam ter sido os pedidos e súplicas feitos por aqueles primevos cristãos solicitando ao Altíssimo por uma paz constante para o Povo de Deus? E Deus não poderia se servir de um governante, mesmo pagão, para atender aos clamores de seus filhos queridos?...


Ora, se Deus apareceu, em visão, ao idólatra (cf. Gn 31,30.34-35) Labão para favorecer a Jacó (depois conhecido como Israel); por que não poderia ter aparecido ao idólatra Constantino para o favorecimento do “Israel de Deus” (Gl 6,16), que é a sua Igreja?.. Pois está escrito: “Deus visitou Labão, o arameu, numa visão noturna e lhe disse: “Guarda-te de dizer a Jacó o que quer que seja” ”(Gn 31,24).


Portanto, ao mesmo tempo, como é de se aperceber, Deus fazia com que aquele poderoso regente do Império Romano voltasse em direção à Luz que veio do Céu, o sol de nossas vidas, Cristo-Jesus. Ele não fez algo semelhante aqueloutros potentados das nações, que ficaram conhecidos como Santos Reis Magos? De fato, deu-lhes um sinal extraordinário, uma estrela, que “tinha aparecido” (Mt 2,7) e que “ia à frente deles até que parou sobre o lugar onde se encontrava o menino” (Mt 2,9). Aí, os mesmos: “Prostraram-se, o homenagearam... e ofereceram-lhe presentes”(Mt 2,11). [Cumprindo profecias bíblicas que diziam: “Os reis se prostrarão diante dele”(Sl 72 (71),11), “A ti virão os reis, trazendo presentes” (Sl 68 (67),30).] Assim, é que, um luzeiro dos céus marcou, extraordinariamente, o local onde estava o Grande Luzeiro (isto é, o Sol Nascente) “recém-nascido” (Mt 2,2).


Portanto, à medida que ajudava seu Povo, o Senhor agia misericordiosamente para com Constantino...E quem poderá condenar Shaddai por isso? Acaso Deus não é livre? E não faz ele misericórdia a quem quer, quando quer e como quer?... Está escrito: “Farei misericórdia a quem eu fizer misericórdia e terei piedade de quem eu tiver piedade. Não depende, portanto, daquele que quer, nem daquele que corre, mas de Deus que faz misericórdia... De modo que ele faz misericórdia a quem quer e endurece a quem ele quer” (Rm 9,15-16.18). [Aliás, a Igreja é mais do que Povo de Deus, como se via no Antigo Testamento: é o Corpo Místico do Senhor!]


Será que não se cumpriu, ao pé da letra, com relação ao referido imperador romano, o que está escrito: “Tornei-me visível aos que não perguntavam por mim” (Rm 10,21)... [Sem dúvida, essa sentença dirigi-se a pagãos (ou gentios), como Constantino; todavia, entendida no sentido espiritual e não literal. Entretanto, eu questiono: por ventura, não se pode, igualmente, vislumbrá-la, ainda que apenas hipoteticamente, no sento literal? Digo isso porquanto, quando Jesus diz que ‘Elias devia aparecer primeiro’, ele mesmo explicou que se tratada de João Batista (espiritualmente falando). Não obstante isso, verdadeiramente e pessoalmente, o profeta Elias apareceu, sim, no Monte da Transfiguração, ante os testemunhos de Pedro, Tiago e João. De certo modo, a sentença bíblica que dizia que ‘Elias deveria vir primeiro’ cumpriu-se nos dois sentidos: ‘espiritual’ e ‘literal’. Sendo que, no segundo caso, reservadamente. Ora, é reservadamente que, em sonho/visão, o Senhor (ou o seu sinal) teria tornado-se visível ao regente romano.



P.S.: Tudo que escrevi está, e sempre estará, sujeito a um maior e melhor juízo, que é o da Santa Madre Igreja Católica. Que pode corrigir, refutar, completar e tudo o mais que for necessário para a preservação da integridade do Depósito de Fé.




[Adendo 1: O dogmas da Igreja são imutáveis, mas não as formas como eles são ensinados; isto é, a metodologia. Do mesmo jeito, é que se pode ensinar a tabuada de modos diferentes, muito embora os seus valores continuam os mesmos: onde, por exemplo, 2 x 2 é sempre igual a quatro. No tempo de minha mãe aprendia-se a tabuada na base da palmatória!]


[Adendo 2: Não nos esqueçamos que o sinal que Constantino vislumbrara centra-se nas duas primeiras letras da palavra Cristo, em grego: ‘X’ (k) e ‘P’ (r)... E que também Deus, ao mesmo tempo que trazia “descanso” para o Povo Cristão, impingia justiçamento contra Maxêncio. E fazia isso, não porque Constantino fosse santo e puro; mas, provavelmente, porque aquele fosse pior do que este. O próprio Altíssimo, quando “entregou” os povos de Canaã, aos hebreus alertou: “Não! Não é por causa da tua justiça... É por causa da perversidade dessas nações... Não é por causa de tua justiça... pois tu és um povo de dura cerviz!” (Dt 9,5-6)... De sorte que, a aparição de Cristo estaria igualmente associado – além de trazer a paz aos cristãos, além de fazer misericórdia a Constantino – à utilização deste como um seu instrumento de justiça para punir a grande impiedade de Maxêncio.]

[Adendo 3: A atitude do imperador Constantino foi comparável ao do imperador Nabucodonosor: o de não mais perseguir os que adoravam o Deus verdadeiro; dando ocasião até para que o Nome do Divino fosse exaltado em todo lugar que ele governava: “O rei Nabucodonosor, a todos os povos, nações e línguas que habitam sobre toda terra... Pareceu-me bem tornar-vos conhecidos os sinais e maravilhas que fez, em meu favor, o Deus Altíssimo: Quão grandiosos são os seu sinais” ” (Dn 3,31-33)... Obviamente, os sinais que o imperador da Babilônia contemplou não tem que ser os mesmos que contemplou o romano. Não podemos deixar de notar, entretanto, que, como o governante da Babilônio, também Constantino não acabou com o culto dos outros deuses, ou os proibiu. Ele não impôs o culto da religião verdadeira, apenas permitiu-a e, quando muito, a apoiou.... Os sinais de Deus podem ser variados e podem vir sob diferentes formas. Como um sonho cheio de imagens (igual o que teve Nabucodonosor), como prodígios (a exemplo dele ter contemplado os três jovens que sobrevivem a fogueira incandescente, aliás, viu, nesta ocasião, igualmente um ser celestial, ‘um anjo de Deus’ cf. Dn 3,34-35) e mesmo fenômenos sobrenaturais associados a sinais gráficos (visões de letras), como os que foram escritos pelos dígitos da aparição no tempo seu filho: “De repente, apareceu dedos de mão humana que se puseram a escrever... e o rei viu a palma da mão que escrevia” (Dn 5,5), a “inscrição assim traçada, é a seguinte: Mane, Mane, Tecel, Parsin” (Dn 5,25)... A verdade é que os sinais divinos podem ser, inclusive, os elementos mais inusitados possíveis. Até porque, quando Jesus esteve entre nós, ele fez inúmeras coisas que desconhecemos pela Escritura; haja vista, está escrito: “Há, porém, muitas outras coisas que Jesus fez e que, se fossem escritas uma por uma, creio que o mundo não poderia conter os livros que se escreveriam” (Jo 21,25).]


[Adendo 4: Mas a cura da orelha de Malco, não significaria a restauração da unidade perdida? É possível! O Senhor tem poder para isso! Para ele, nada é impossível!... Mas, como na parábola do filho pródigo, é preciso que o protestantismo volte pedindo perdão ao Céu; e, portanto, aos que lá habitam: os santos e, principalmente, ao Santo dos Santos! E, semelhantemente, peçam perdão ao pai espiritual terreno, o papa. Pois está escrito: “Pai, pequei contra o céu e contra ti” (Lc 15,21). Abandonando, conseqüentemente, as bolotas enlameadas de suas erráticas doutrinas. E deixando de viver na companhia dos “hospedeiros” do diabo, ou como um deles... E, pergunto, não caberia ao papa (o pai), ao perceber os sinais de arrependimento do filho que abandonou a morada e dilapidou os bens, de pronto, pôr-se ao encontro dele? Não seria isso a figura de um ecumenismo querido por Deus? ... É o filho que está envergonhado e/ou receoso, mas que quer se aproximar; daí, não é só o filho que vem ao pai; mas o pai que corre ao “encontro” do filho perdido... Fico, ainda, a pensar: quantos irmãos separados que, pela disposição, pelo zelo, se estivessem alumiado pela verdade da plena fé católica, seriam gigantesco difusores da Boa Nova de Cristo... Muitos deles, de terríveis perseguidores, se tornariam esplendorosas estrelas da evangelização, à semelhança de Saulo de Tarso, que, de tremendo perseguido, transformara-se, com a água para o vinho, em um supernova da catequização; cujo brilho missionário até hoje refulge o seu valor... Quisera puder, mas tão indigno que sou, unir-me a sua Santidade – o Vigário de Nosso Senhor Jesus Cristo – para gritar: “Venha todo vós, filhos separados, aos braços da Santa Madre Igreja!” De comedores de bolotas, seriam como príncipes, trajados com “a melhor túnica...anel no dedo e sandália nos pés” (Lc 15,22). E, assim, pudessem se aproximar daquele que é o Manjar dos manjares, o Alimento da Eternidade, colhido no Altar do sacrifício que se presentifica em toda Santa Missa. Louvado seja Deus!]


[Adendo 5: Num dos textos anterior, fiz distinguir que uma coisa são as comunidades eclesiais, presentes no protestantismo, as quais poderíamos dirigirmo-nos até cordialmente, dado o tratamento deferente que elas estão tendo para com a Igreja Católica; outras são as impiedosas seitas – cujo objetivo patente é acabar com o Catolicismo. De sorte que, existem coisas que são ruins ou venenosas, mas que o são e podem sê-los em graus variados. Assim mesmo as comunidades eclesiais protestantes não são coisas benignas. Afinal, como posso dizer que são boas as ditas comunidades, se elas são um sinal visível da ação demoníaca, no sentido de que elas estão separadas da Igreja Única de Deus? (E que foi o diabo quem operou essa separação!) Em suma, ainda que não iguale as comunidades eclesiais com as seitas, não posso deixar de assinalar que ambas são peçonhentas. No entanto, de fato, há peçonhas que causam somente um inchaço e dor, e há outras que são bem piores: mortíferas. Do mesmo jeito que há um pecado que é mortal e há um outro que, apenas, é venial. Ainda que reconhecêssemos que tais comunidades eclesiais não têm pecado, ainda não poderia cegarmo-nos e omitir de denunciar-lhes a pecaminosidade delas. Mas não haveria contradição nesta última afirmação?... Desde que se considere na exatidão o que eu vou esclarecer a seguir, não haverá qualquer incoerência... Pois eu posse dizer, fulano é sem pecado (mortal), mas tem pecado (venial). Assim, se eu tivesse que afirmar que as comunidades eclesiais separadas são sem pecados, afirmaria credo que, ao menos, venialmente, são, sim, com pecados... E fazer esta distinção entre um grau maior e menor de culpabilidade é um reto proceder, é da justiça e do direito.]


[Adendo 6: O império das seitas (o império das trevas), a todo custo, quer obliterar o “império” (Dn 7,14) do “sol de justiça” (Mal 3,20). O sol invencível que venceu o mundo e garantiu a invencibilidade à Igreja, seu Corpo Místico: “As portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16,18)... É ele que nos diz, pela boca do seu vigário: “Não tenhas medo!”].

Bibliografia



-BÍBLIA DE JERUSALÉM, Editora Paulus, SP, 1996.

-CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA, Editora Vozes Edições Paulinas Edições Loyola Editora Ave-Maria, RJ/SP, 1993.



Fiquem com Deus!
Wagner Herbet Alves Costa
Enviado por Wagner Herbet Alves Costa em 29/11/2006
Código do texto: T305273

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Sobre o autor
Wagner Herbet Alves Costa
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