APESAR DE...
APESAR DE...
Apesar de tanta violência e crueldade despejada pela mídia em novelas, noticiários, fotos, relatos e documentários, parecendo até querer esmorecer no homem o otimismo e a esperança, ainda há esperança;
Apesar de parecer para muitos que o bem não tem mais vez nem lugar, ainda há esperança;
Apesar de o “penso, logo existo” ser cada vez mais mal interpretado e assumido por alguns que, presunçosamente, arrogam a si o poder de deuses, ainda há esperança;
Apesar de parecer a quase todo mundo que a esperteza e a malandragem são características dos sábios e não de autênticos bandidos, ainda há esperança;
Apesar de parecer que família não é o lugar onde o Pai e a Mãe devam ser respeitados e queridos pelos filhos e que a recíproca seja obrigatória e grandiosa, ainda há esperança;
Apesar de se tornar, quase unanimidade, que o valor do homem está nos bens materiais que possui, ainda que a custa da injustiça e da covardia e que, o exibicionismo grotesco dos mesmos seja motivo de louvor por parte de uma sociedade vazia e incauta, ainda há esperança;
Apesar de o ser humano ser valorizado hoje, não pela beleza natural com que todos são ornados ao nascer, dependendo do olhar de quem o vê, mas pelo volume artificial de peitos e nádegas, escandalosa e grotescamente exibidos, ainda há esperança,
Apesar de as virtudes éticas e morais estarem sendo tão desmerecidas e a libertinagem e a imoralidade serem os pratos preferencialmente e gulosamente absorvidos, ainda há esperança;
Apesar de não se ensinar às crianças que devem levantar a cabeça e contemplar no firmamento a majestosa tela de planetas, astros e asteróides e a constante e intrigante descoberta de mais e mais nebulosas, prova irrefutável da infinitude e do eterno, ainda há esperança;
Apesar de se achar engraçadinho e inteligente o filhinho ou a filhinha que insulta e desrespeita os avós, ainda há esperança;
Apesar de muitos se sentirem grandes por estarem pilotando um veículo e exercerem a grosseira maestria de banhar com água e lama os incautos transeuntes, ainda há esperança;
Apesar de não nos corarmos ao não ceder o assento a alguém idoso ou doente, ainda há esperança;
Apesar de passarmos por algum indigente deitado na calçada, desviando o olhar para não fitar suas feridas, ainda há esperança;
Apesar de nos afastarmos dos usuários de drogas e do álcool, já que não quiseram escutar nossa insistente reclamação de que devem abandonar o vício e que para eles não tem mais jeito, ainda há esperança;
Apesar de termos vergonha do nosso pai por ser pobre, simples e por cumprimentar todo mundo com quem se encontra na rua, gente que ele nem conhece, ainda há esperança;
Apesar de nos sentirmos engrandecidos por ser fotografados ao lado ou perto de gente importante, mesmo sabendo que se trata de gente que tira dos necessitados o que lhes é devido, ainda há esperança;
Apesar de muitos professores não se dedicarem de corpo e alma ao ensino responsável e qualificado, tendo como desculpa a péssima remuneração recebida, ainda há esperança;
Apesar de muitos policiais civis, militares ou federais agirem de modo destoante à função sagrada de cuidar do respeito ao patrimônio público, privado e da segurança do cidadão, por entenderem que são extremamente mal remunerados ou porque a justiça não funciona, ainda há esperança;
Apesar de pessoas sofrerem anos e anos a fio ou de morrerem à míngua por não terem um processo judicial julgado em tempo, por falta de juízes, ainda há esperança;
Apesar de os Administradores públicos da União, do Estado ou dos Municípios desviarem os recursos destinados ao cidadão, proliferando a miséria e o sofrimento à grande massa dos cidadãos, ainda há esperança;
Apesar de líderes religiosos enganarem ovelhas inocentes com pregações inconseqüentes e absurdas, ao tempo em que lhes tomam as últimas dracmas necessárias à subsistência, ainda há esperança;
Apesar de não acreditarmos que seja possível um mundo onde a justiça e a fraternidade imperem, o Deus da misericórdia nos ensinou a não desistir do homem, apesar e por que seu filho unigênito foi sacrificado como prova irrefutável de que ELE não desiste da sua criatura preferida, a quem generosa e carinhosamente chama de FILHO.
João Batista Gomes Maia
Enviado por João Batista Gomes Maia em 18/08/2011
Código do texto: T3167796
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