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A lógica do vencedor

Desde os tempos mais remotos até hoje, nos deparamos com o problema da opressão, da ganância exacerbada, do egoísmo, das guerras atrozes, da vaidade do ser humano, e aí vai. Evoluímos? Sim, evoluímos. Mas os problemas acima citados continuam se não piores, iguais. E por quê?
Porque fazemos parte deste sistema todo, e mesmo não compactuando com esta injustiça, a reflexão tem pouco espaço e valor neste mundo caótico em que vivemos. Pois enquanto buscamos capacitação pessoal para nos angajarmos no mercado econômico global, isto é, vendermos o nosso tempo o mais caro possível, acabamos por esquecer da miserabilidade das condições de dignidade do nosso próximo. Como exemplo ressalto o livro “A sombra desta mangueira”, que conta que uma família muito pobre, em seu almoço domingueiro, retirou de um lixão hospitalar pedaços de seio amputado para preparar seu banquete. Mas não precisamos ler nos livros, basta olharmos em qualquer esquina para vermos a nossa miséria.
Mas qual é a verdadeira lógica do vencedor perante a humanidade? Se analisarmos a fundo, encontraremos exércitos de vencidos: os vencidos pela miséria, que vivem em inóspitas instalações; os vencidos pelo egoísmo, presos a uma lógica egocêntrica individualista; os vencidos pela impotencialidade, que profetizam soluções, mas rendem-se ao pessimismo ou a utopia...
Mas o que é mesmo vencer?! Seria demagógico não dizer que os bens materiais não são fascinantes atrativos. Mas a usurpação deles é um caro preço que pagamos. Pagamos em impostos que muitas vezes não têm seu propósito efetivado, pagamos com a violência, onde a cotação da vida é mais baixa que uma carteira, uma bolsa, um celular; pagamos de diversas maneiras. Aliás, se não pagamos, não consumimos, se não consumimos, não somos humanos, esta é a lógica a que estamos presos. Uma lógica desumana, uma lógica pura e genuinamente consumista que trará gravíssimos danos às gerações futuras, tais como: aumento exorbitante da população demográfica, causando o crescimento vertical da violência urbana, do desemprego e da mortalidade em geral; diminuição dos recursos naturais, prejudicando o ecossistema planetário; perda da identidade cultural em detrimento de um processo globalizado avassalador; entre outras conseqüências.
Aqui entra o papel do educador, este que tem a incumbência de alertar sobre os rumos que estamos seguindo. Apontando alternativas que partam do respeito, da conservação de valores morais e principalmente o diálogo. Quem sabe assim entenderemos o significado da palavra vitória! Ou teremos que concordar com Brás Cubas ( personagem de Machado de Assis) quando este diz: “Não tive filhos, não deixei a nenhum ser o legado da nossa miséria!”
Hermison Frazzon da Cunha
Enviado por Hermison Frazzon da Cunha em 11/07/2005
Código do texto: T32994
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Hermison Frazzon da Cunha
São Leopoldo - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
103 textos (27013 leituras)
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Hermison Frazzon da Cunha