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O inatismo de Chomsky: o a visão gerativista do desenvolvimento da linguagem

O inatismo de Chomsky: o a visão gerativista do desenvolvimento da
linguagem


                                                                                         
                                                                                               Acadêmicas:
                                                                                              * Joana Darque Silva
*Josilene Santos
 *Luziane Brazão
Professora:
Ângela Brito Ferreira
 




“A tese mais famosa é a de que a linguagem é como um instinto foi elaborado por Noam Chomsky, o primeiro linguista a revelar a complexidade do sistema e talvez o maior responsável pela moderna revolução na ciência da linguagem”.
 

RESUMO: O artigo aborda como se desenvolve a linguagem, buscando através da revisão bibliográfica despertar interesse e instigar reflexão de estudiosos e profissionais da área de Letras sobre o desenvolvimento da linguagem segundo a visão gerativista. Fundamenta-se na teoria chomskyana, e tem como colaboradores autores como Pinker e Stephen Krashen. Para Chomsky todo individuo já nasce com a capacidade biológica para desenvolver a linguagem, e possui uma gramática universal, isto é o cérebro contém um dispositivo que faz com que o homem seja capaz de construir um número infinito de frases em sua língua materna, a partir de uma lista finita de palavras através de sua intuição e capacidade nata.
 PALAVRAS-CHAVES: inata, gramática universal, princípios e parâmetros.

ABSTRACT: the article discusses how language develops through literature review, seeking to awaken interest and instigate reflection of scholars and professionals in the field of Letters about the development of second language gerativista vision. Based on chomskyana theory, and has as collaborators authors like Pinker and Stephen Krashen. For Chomsky every individual already born with biological capacity to develop the language, and has a universal grammar, this is the brain contains a device that causes the man to be able to construct an infinite number of sentences in their mother tongue from a finite list of words through your intuition and ability cream.
Words keys: innate, grammatical universal, principles and parameters
 
                                           
                                          1- INTRODUÇÃO
      A questão de como a linguagem é adquirida encandeia diversos debates ao longo da história em torno desta questão, muitos estudiosos defendem que a linguagem é concebida através da imitação, alguns acreditam que ela é se dá pelo processo do condicionamento e outros que isto é algo natural do ser humano e também há aqueles que levam em consideração todos estes aspectos como fatores que contribui para a construção da linguagem.
  O referido artigo tem por finalidade fazer uma abordagem em torno da aquisição da linguagem segundo a teoria inatista de Noam Chomsky. Tratando resumidamente, a Gramática Universal e Princípios e Parâmetros e fazendo uma rápida abordagem nas teorias propostas por: Skinner, Jean Piaget, Vygotsky, Stiven Pinker e Stephen Krashen,  com o intuito de adquirir conhecimento torno da aquisição da linguagem sob uma visão de Chomskiana.
Objetivo geral deste estudo é estimular a reflexão dos leitores para a questão de como a linguagem é adquirida, possibilitando uma avaliação do método utilizado por Chomsky. E como objetivos específicos:  conhecer as teorias da aquisição linguagem dando ênfase a teoria inatista; verificar em que aspectos a teoria inatista se opõem ao behaviorismo;  observar quais as mudanças ocorridas na concepção da linguagem após a teoria de Chomsky.
Este estudo é de cunho bibliográfico, qualitativo e descritivo, tendo como procedimento o levantamento de dados através de técnicas de fichamento, resumo e resenha. Para fundamentar a discussão da pesquisa utilizou-se as obras de autores que tratam do tema aquisição da linguagem, em específico sobre a teoria inatista, como Chomsky,
O presente artigo está organizado em duas seções, a primeira trata das teorias de aquisição da linguagem, tendo como sub tópico a teoria inatista de Chomsky, Stiven Pinker e Stephen Krashen, a segunda seção apresenta a análise e a discussão.


2. AS TEORIAS DE AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM
Antes de explorar a teoria de Noam Chomsky será feita uma rápida abordagem de alguns estudiosos sobre a questão da aquisição da linguagem:
      Skinner que é considerado o mais famoso psicólogo que defende a hipótese behaviorista isto é, o aprendizado se dá através de um processo denominado condicionamento operante. As mudanças nos comportamentos voluntários são resultados de eventos seguem estes comportamentos. Por um lado tem-se o reforço que é o evento que estimula e por outro lado a punição que faz ao contrario, diminuem a possibilidade de repetir tais comportamentos.
Segundo Skinner a imitação exerce uma função importante na aquisição da linguagem da criança, defende que a imitação segue um principio fixo. A criança imita o que o adulto fala e recebe uma recompensa, mesmo que ela não fale exatamente da forma como foi pronunciada         por ele e com o passar do tempo através da repetição ela aprende a combinar as palavras da mesma forma como o adulto. “(...) Uma ciência é válida ao lidar com um indivíduo somente se as leis forem referentes aos indivíduos. Uma ciência do comportamento que considera apenas o comportamento coletivo não parece válida para compreender um caso particular. (Skinner, 1953, p. 19.).”
 Desta forma os padrões e o vocabulário das crianças parecem com os das pessoas que as cercam. Outra visão sobre o processo da aquisição da linguagem é cognitivismo construtivista  segundo Jean Piaget.
 Jean Piaget foi o idealizador da teoria do cognitivismo construtivista. Segundo ele, por volta dos 18 meses a criança se encontra no estágio de desenvolvimento cognitivo, começa a partir daí o processo de desenvolvimento da inteligência que se dá na superação do estágio sensório-motor, o desenvolvimento da função simbólica e a representação pela qual a experiência pode ser armazenada e recuperada, aquisição da linguagem de pende deste desenvolvimento.
Essas funções juntam-se a outros três processos na superação do "egocentrismo radical", presente no período sensório-motor, segundo o qual não existe uma diferenciação entre sujeito e objeto, a ponto do sujeito não se reconhecer nem mesmo como fonte de suas ações. Estes três processos são: o da descentralização das ações em relação ao corpo próprio, isto é, entre sujeito e objeto; o sujeito passa a se identificar como agente de suas ações; o da coordenação gradual das ações, a fim de constituir uma conexão entre meios e fins; e o da permanência do objeto, mesmo quando ele está ausente do espaço perceptual da criança. “Nos primeiros tempos predominam os aspectos psicomotores e afectivos, depois os cognitivos e, finalmente, os axiológicos e de relacionamento social. A predominância de um ou outro desses aspectos imprime à personalidade da criança ritmos e características próprios que se exprimem em linguagens e comportamentos mais ou menos específicos”, in Tavares, J.; Alarcão, J.,Psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem, Coimbra, Livraria Almedina, 1985, p.32.”
Por meio desses processos, torna-se possível o uso efetivo do símbolo e da representação de um sinal por outro, utilizando o princípio da arbitrariedade do símbolo. No campo da linguagem, o jogo simbólico, a imagem mental, as sucessivas coordenações entre as ações e entre estas e o sujeito, a possibilidade de internalizar e conceituar as ações passam a fazer parte de sua realidade. Outro teórico que segue alguns desses aspectos desta corrente de pensamento é Vygotsky

Vygotsky exercer influência sobre os estudos de aquisição de linguagem e representou uma alternativa ao construtivismo Piagetiano, Para ele o uso da linguagem é a condição mais importante para o desenvolvimento das estruturas psicológicas superiores da criança, o seu desenvolvimento cultural aconteceria primeiro em nível social e mais tarde em nível individual. Assim, a consciência de cada criança retrataria a sua interação com a realidade, o processo de internalização seria uma reconstrução interna de uma operação externa, ressalta a importância da atividade do outro no processo, já que o sucesso deste depende da reação daquele. “... A natureza do próprio desenvolvimento  se  transforma, do biológico para o sócio –histórico. O pensamento verbal não é uma  forma de comportamento natural e  inata, mas é determinado por um processo histórico - cultural e tem  propriedades  e  leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e  fala (PL 43).”
As transformações que ocorrem nesse processo são as seguintes: A primeira é uma operação que a princípio representa uma atividade externa, é reconstruída e passa a ocorrer internamente, a segunda, as funções do desenvolvimento da criança passam do interpessoal para o intrapessoal. Assim, todas as funções superiores originam-se das relações reais entre as pessoas e por fim o processo de internalização é resultado da história das relações reais entre as pessoas. Utilizando essas teorias associadas ao inatismo de Noam Chomsky tem-se a contribuição de Stiven Pinker.

 Pinker Segundo ele, tanto a hereditariedade como o ambiente desempenham papéis importantes, as Pessoas falam e entendem um conjunto infinito de frases novas, no entanto não faz sentido estudar o comportamento linguístico de cada uma delas, mas sim a gramática mental e os mecanismos psicológicos que estão por trás desse comportamento.
Apesar de a linguagem surgir de uma maneira bem natural nos seres humanos, os mecanismos linguísticos mentais têm de ter uma organização complexa, com a interação de muitas partes; As línguas não variam de modo arbitrário e sem limites, mas segundo um design comum denominado Gramática Universal. A aprendizagem seria impossível se não existisse esse design por trás do aprendizado de uma língua em particular. As crianças, rapidamente, generalizam da fala de seus pais, as regras certas.“Sabemos falar da mesma maneira que as aranhas sabem tecer suas teias” (p. 10). “a sintaxe é um órgão darwiniano, extremamente perfeito e complicado” (p. 148).
 Por fim, parecem existir mecanismos exclusivos para a cultura e o comportamento simbólico em geral, já que crianças inocentes e povos primitivos dominam gramáticas complexas.

2.1 A TEORIA INATISTA DE NOAM CHOMSKY
                     
A tese inatista proposta por Noam Chomsky defende que os seres humanos já nascem com uma espécie aparelho de carácter biológico responsável pelo desenvolvimento da linguagem, e que possui uma estrutura gramatical universal, que possibilita os homens a construírem infinitas sentenças que nunca foram ditas anteriormente em sua língua materna e que essas formulações só dependem de sua criatividade. “[...] as crianças produzem muitas frases que jamais poderiam ter ouvido adultos produzirem” (Kaufman, 1996, p. 58),
E que a capacidade de se desenvolver a fala não seria determinada por estímulos do meio em que o individuo estar inserido, e sim pela herança genética que segundo ele é comum a toda espécie humana, Chomsky se opõem ao behaviorismo na ideia de que a criança aprende a falar somente por meio de imitação de outras pessoas ou por meio do processo estímulo-resposta, ele acredita que todas as crianças consideradas normais serão capazes de desenvolver estruturas gramaticais muito difíceis de forma rápida sem que sejam ensinadas, elas escolhem as regras que supostamente variam fazer parte de sua linguagem, Por isso, esse processo não pode ser concebido como um repertório de respostas, ele afirma que o cérebro deve conter um dispositivo que consiga construir um número infinito de frases a partir de uma lista finita de palavras.
Perante esses fatores apresentados Chomsky chegou à conclusão que a linguagem é quase completamente inata. “... a criança, que é exposta normalmente a uma fala precária, fragmentada, cheia de frases truncadas ou incompletas, é capaz de dominar um conjunto complexo de regras ou princípios básicos que constituem a gramática internalizada do falante. “(...) Um mecanismo ou dispositivo inato de aquisição da linguagem (...)”, que elabore hipóteses linguísticas sobre dados linguísticos primários (isto é, a língua a que a criança está exposta), gera uma gramática especifica, que é a gramática da língua nativa da criança, de maneira relativamente fácil e com um certo grau de estantaneidade. Isto é, esse mecanismo inato faz “ desabrochar  o que já está lá”, através da projeção, nos dados do ambiente, de um conhecimento linguístico prévio, sintático por natureza”.
Posteriormente, Chomsky introduziu a chamada Teoria de Princípio e Parâmetros, como já vimos posteriormente o homem é provido de uma gramática universal que pode se entendida como um conjunto das propriedades gramáticas comuns compartilhadas por todas as línguas naturais, assim como as diferenças entre elas que são previsíveis segundo as diversas opções disponíveis na própria GU. Para descrever a natureza da gramática universal e como ela funciona, foram formulado uma teoria denominada princípios e parâmetros, esta teoria possui duas fases, a primeira é a fase da regência e da ligação, e a segunda é o programa minimalista. “[...] cada criança nasceria com uma fechadura, pronta para receber uma chave; cada chave acionaria a aquisição de uma língua diferente, daí todas nascerem com a mesma capacidade e poderem adquirir as ais diferentes línguas.”
Os estudos em torno dessa teoria são desenvolvidos principalmente na área da sintaxe, pois se percebem as semelhanças entre todas as línguas do mundo exatamente nas estruturas sintáticas, mesmo entre aquelas que não possuem nem um parentesco. Para Chomsky é fundamental que o estudo da sintaxe aconteça separadamente dos demais componentes da gramática, como por exemplo, dos léxicos, fonologia, morfologia e da semântica, segundo ele os componentes da gramática precisam ser analisados como modo autônomo no sentido de que são regidos por suas próprias regras e não sofrem influencia direta dos outros módulos, pois existe naturalmente uma interação entre os módulos afinal a sintaxe cria sintagmas e sentenças a partir das palavras do léxico com o resultado final uma leitura fonológica assim uma interpretação semântica denominada forma lógica. Outro  teórico de cunho inatista é Stephen Krashen.
 Krashen propôs uma teoria chamada de monitor model que se constitui de cinco hipóteses: a primeira é a hipótese de aquisição-aprendizado onde o individuo são expostos a amostras da língua materna às quais eles compreendem. O aprendizado dá-se por um processo consciente de estudo e atenção às formas e regras gramaticais da nova língua. A segunda é A hipótese de monitoramento, nesta hipótese coloca-se que o sistema de aprendizagem funcionaria como um editor ou monitor, promovendo pequenas mudanças e burilando o que o sistema de aquisição tenha produzido. Na terceira tem-se a hipótese da ordem natural diz que as pessoas que estão aprendendo uma segunda língua assim como os que estão aprendendo a língua materna adquirem as funções da língua em sequências previsíveis isto é de forma natural. Em seguida temos a hipótese do insumo a linguagem é adquirida por meio de input e por fim a hipótese do filtro afetivo que afetivo seria uma barreira imaginária que impede as pessoas que estão aprendendo de adquirir a língua dos insumos disponíveis.
   
3. ANÁLISE E DISCUSSÃO.
 Fazendo uma breve analise sobre a teoria da aquisição da linguagem, partindo da proposta de Skinner que diz que o individuo adquire a linguagem por meio de estímulos-respostas que podem estimular ou reprimir a ação realizada. Esta teoria nos leva a refletir sobre o comportamento das crianças que mesmo recebendo estes estímulos apresentam comportamentos que são diferentes daqueles ensinados como por exemplo a produção de frases que não são ensinadas, este fato nos leva a acreditar que somente o meio não é capaz de desenvolver completamente a fala.
Partindo para a teoria defendida por Piaget que compreende a aquisição da linguagem como um fator que depende do desenvolvimento cognitivo, onde a criança começa o estágio de superação do censo-motor e a fazer o chamado jogo simbólico. Acredita-se que esta proposta é um reflexo da teoria defendida por Chomsky, este estágio colocado por Piaget ocorre de forma natural. Já Vygotsky defende a linguagem como um processo construído através das experiências vivenciadas isto é a construção interna se dá pela  pelo fator externo, ao nos confrontarmos com essa visão levou-nos a descordar desta forma de conceber a linguagem, acreditamos que somente as experiências externas não são suficientes para adquirirmos a fala como sugerem Pinker e Krashen  que são teóricos que seguem a linha inatista  criada por Noam Chomsky.
Chomsky afirma que diz que o homem já nasce com a capacidade biológica de desenvolver a fala e que o ambiente não é o fator primordial para que ela ocorra, é de fato a forma mais convincente de como a fala é adquirida, de fato essa teoria nos abre uma leque de oportunidades para que se possa compreender realmente de que forma a aquisição da linguagem é desenvolvida e ampliar nosso conhecimento em torno deste assunto. “(...) Um mecanismo ou dispositivo inato de aquisição da linguagem (...)”
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS.
No presente artigo buscou-se conhecer as teorias da aquisição linguagem dando ênfase à teoria inatista. A primeira dessas teorias a ser abordada foi o behaviorismo, onde seu maior representante foi o psicólogo Skinner, que defende a aquisição como um processo onde o comportamento do individuo é resultante do meio em que ele estar inserido e que tal comportamento será alterado ou não de acordo com o estimulo recebido. Em seguida apresenta-se a teoria criada por Piaget em que ele acredita que a linguagem para ser desenvolvida irá depender do desenvolvimento da inteligência, Já para Vygotsky esse desenvolvimento é resultante das experiências sócias externas. Pinker coloca que a linguagem é algo natural mais que depende do ambiente para se desenvolver. O criador do gerativismo Chomsky afirma que a linguagem é quase que totalmente inata, e que o ambiente não é o fator mais importante para que ela se desenvolva.
 Buscou-se verificar em que aspectos a teoria inatista se opõem ao behaviorismo. Chegando a seguinte conclusão, o behaviorismo coloca como fator primordial para a aquisição da linguagem o ambiente, já o inatismo defende que o biológico é o responsável pelo processo de      desenvolvimento da fala, pois os gerativistas não conseguiram explicar como as crianças são capazes de produzir sentenças que não foram ensinadas, dai o fato de se acreditar que isso é decorrente de um processo natural do ser humano.
Por fim busca-se observar quais as mudanças ocorridas na concepção da linguagem após a teoria de Chomsky, e se pode concluir que ocorre uma grande mudança na concepção de gramática universal, através dos princípios e parâmetros proposto por este teórico e derruba completamente a ideia de que o meio em que se estar inserido tem o papel primordial para o desenvolvimento da linguagem defendida pela teoria behaviorista. Portanto é de suma importância que professores de língua portuguesa estejam buscando sempre conhecer estas teorias que norteiam os estudos entorno da linguagem, para desempenhar um ensino de qualidade.
             
vilhena, joana darque e josilene santos
Enviado por vilhena em 05/12/2011
Código do texto: T3373949

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vilhena
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