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OPERAÇÃO TARTARUGA

Eu sempre disse que sauna é cultura : cultura inútil, mas cultura.
Andando de um lado para outro, na quase invisibilidade proporcionada pela vapor da sauna, no Clube de Regatas, não pude deixar de ouvir uma conversa de um grupo da terceira idade, composto por idosos fisicamente bem conservados.
Um deles afirmava que não valia a pena entrar nas filas dos Bancos, dedicadas especialmente aos idosos — assim considerados os acima de sessenta anos —   e justificava a afirmativa: ela era sempre mais longa e a espera era sempre maior. E deu um exemplo bastante elucidativo.
A fila num certo dia era curta. O tempo de que ele dispunha para realizar suas operações bancárias , também. Mas um idoso, com problemas aparentes de Mal de Parkinson, à sua frente,  iniciou uma silenciosa batalha  contra a tecnologia e a informatização.
Primeiramente, apresentou ao caixa uma carteirinha que nada tinha a ver com o Banco, e, muito menos,  com a operação que ele desejava realizar. Depois, não conseguia digitar a senha, primeiro porque não sabia qual era ela e, depois, porque o tremor associado à sua doença não lhe permitia nem segurar o aparelho indicado pelo funcionário do Banco.
Até que fosse constatada a impossibilidade de o idoso em questão, executar as operações que desejava , e até ser disponibilizada uma funcionária do Banco para auxiliá-lo , já se haviam esgotado os discutíveis quinze minutos estabelecidos por lei para permanência de alguém numa fila : e isso para atendimento de um único cliente.
Em princípio, rimos, porque são sempre risíveis as situações que desnudam, de surpresa,  as pequenas desgraças, conseqüências naturais da frágil  existência humana,  mas, depois, refleti.
Quem  seriam os filhos que permitiram àquele sexagenário, talvez , octogenário,  ir sozinho a um Banco ?  Onde estariam eles naquele momento ? Não pensaram no risco que poderia estar correndo aquele indefeso homem ? Será que sabiam que o velho pai havia saído  ?
A Família, penso eu ,  deve assumir a sua importância perante o idoso, compreendendo-o, apoiando-o e, principalmente,  protegendo-o, pois o seu comportamento consciente é fundamental na conquista dos melhores resultados.
A Sociedade, por sua vez,  deve estar preparada para modificar o seu comportamento com relação ao idoso, demonstrando o seu respeito, valorizando-o, e criando soluções objetivas para os seus problemas.
Mas é  preciso, também,  mudar a mentalidade de certos idosos, ainda   saudáveis, para que  deixem de engrossar as filas especialmente criadas para aqueles indivíduos da terceira idade que , realmente, necessitam de um atendimento mais rápido, eficiente e especial.
Ter idade avançada não deve significar , obrigatoriamente, ter  esclerose mental: é preciso usar  do bom senso e fazer valer  a  empatia nos relacionamentos sociais.
Tórtoro
Enviado por Tórtoro em 13/07/2005
Código do texto: T33861
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Sobre o autor
Tórtoro
Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil, 67 anos
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